UOL Notícias Internacional
 

10/05/2005

Fuzileiros navais atacam insurgentes iraquianos perto da fronteira com a Síria

The New York Times
Richard A. Oppel Jr.*

Em Bagdá
Uma força-tarefa de marines penetrou em uma vasta área do oeste do Iraque, próxima à fronteira síria, matando cem insurgentes e invadindo postos de observação no deserto e abrigos pertencentes aos membros da resistência iraquiana, que usavam a região para trazer carros, dinheiro, armas e combatentes estrangeiros para lutarem contra forças norte-americanas e iraquianas em Bagdá, Mosul e outras cidades.

A informação foi obtida junto a oficiais militares norte-americanos nesta segunda-feira (9/5).

O ataque, envolvendo mais de mil soldados, incluindo uma equipe regimental de marines, que consiste de soldados e marinheiros, parece ter sido a maior ofensiva no Iraque desde que os marines invadiram Fallujah há seis meses.

Ela acontece no momento em que os comandantes graduados norte-americanos afirmam de forma cada vez mais enfática que é a fronteira porosa com a Síria que permite um fluxo sem fim de jihadistas armados para o Iraque, e a reposição das forças insurgentes, tão logo os combatentes da resistência sejam mortos e capturados.

As forças armadas norte-americanas acreditam que os insurgentes têm liberdade para se deslocar na área preponderantemente sunita entre al Qaim e Ubaydi, no Deserto Al Jazirah, próximo ao local onde o Rio Eufrates cruza a fronteira entre Síria e Iraque.

Pelo menos três marines foram mortos na operação, dois no domingo, em al Qaim e Ubaydi, e um outro na segunda-feira em al Qaim. Os oficiais militares disseram na segunda-feira acreditar que alguns dos insurgentes mortos na operação eram combatentes estrangeiros.

Autoridades norte-americanas afirmam que a ofensiva estava planejada havia muito tempo, mas foi precipitada por novas informações de inteligência obtidas de iraquianos que moram na região, assim como em interrogatórios a que foram submetidos os recém-capturados auxiliares do mais procurado terrorista no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi.

A ofensiva ocorreu quando o novo ministro da Defesa iraquiano, Sadoon al-Dulaimi, disse que pretende dar continuidade às políticas militares formuladas pela atual administração de Ayad Allawi, que lançou agressivamente operações contra os insurgentes.

Dulaimi também fez aquilo que pareceu ser uma concessão aos principais parceiros no novo governo, os xiitas e os curdos, afirmando em uma entrevista ao canal árabe de notícias Al Arabiya que não procuraria integrar milícias politicamente controladas às forças armadas.

Isso pareceu ser uma negativa à insistência norte-americana durante os primeiros estágios da invasão no sentido de que milícias independentes, tais como a curda Pesh Merga, e a xiita Brigada Badr, fossem absorvidas pelo novo exército iraquiano.

A ofensiva dos marines no oeste do Iraque teve início no último final de semana e envolveu mais de mil marines apoiados por helicópteros de combate, aviões de caça, tanques e veículos blindados leves.

Durante os ataques aos insurgentes no domingo, caças F-15E Strike Eagle da Força Aérea dos Estados Unidos lançaram duas bombas de 225 quilogramas guiadas por lasers e dispararam 510 projéteis de canhões de 20 milímetros contra combatentes nas proximidades de al Qaim, de acordo com um sumário das operações aéreas divulgado pelas forças armadas.

Caças F/A-18 dos marines também dispararam 319 projéteis de canhões de 20 milímetros contra os membros da resistência.

Alguns dos alvos atacados pelas forças terrestres norte-americanas foram abrigos utilizados como bases remotas dos insurgentes, que dispararam contra os marines quando estes se aproximaram dessas instalações ao ar livre, disse o coronel Bob Chase, chefe de operações da 2ª Divisão dos Marines, cuja base fica em Camp Blue Diamond, em Ramadi.

"Após chegarmos lá, eles decidiram lutar, e portanto estão morrendo em ritmo acelerado", disse Chase em uma entrevista por telefone. "Como marines, preferimos enfrentá-los desta maneira do que na forma de um IED (sigla militar, em inglês, para carro-bomba ou explosivo de beira de estrada).

Os marines invadiram também casas pré-assinaladas em cidades ao longo da margem oeste do Eufrates que eram usadas como refúgios urbanos para os insurgentes, informou Chase.

"Os inimigos acreditavam piamente que estavam seguros lá", disse Chase. "Aquilo tem sido um refúgio para eles, e muitos dos que se escondiam por lá eram ex-membros do Partido Baath. Agora o local não é mais um refúgio, e nunca mais voltará a sê-lo".

De acordo com Chase, os insurgentes possuíam uma rede ilegal de transporte de homens e materiais da Síria para o Iraque que precisava ser interditada.

"Continuaremos com essa operação por alguns dias", afirmou. "O objetivo é destruir completamente os refúgios e linhas de abastecimento que permitiram a eles que trouxessem materiais através da fronteira. Essa área era muito segura para os insurgentes".

A fronteira próxima a al Qaim tem sido um local problemático para as forças norte-americanas durante quase a totalidade dos dois anos de ocupação.

Os insurgentes as usavam intermitentemente como refúgio, aproveitando-se do fato de ser uma área remota, da proximidade com a Síria e dos ex-membros do Partido Baath que para lá fugiram e que agora ajudam a financiar a insurgência. As forças norte-americanas lançaram ataques periódicos contra a área.

Na esperança de estancar o fluxo de pessoas e armas, os Estados Unidos estão pagando pela reconstrução de 190 bases militares iraquianas de fronteira, incluindo 58 já terminadas, o que equivale a uma grande parcela dos quase US$ 2 bilhões investidos em acampamentos, quartéis e outras estruturas militares, segundo os oficiais norte-americanos envolvidos no treinamento das novas forças iraquianas. Cerca de 225 quilômetros de barreiras também estão sendo construídas, a maioria delas ao longo da fronteira com a Síria.

Um alto comandante norte-americano familiarizado com a situação na fronteira disse que o controle efetivo da infiltração de combatentes estrangeiros "ainda demorará alguns meses". Mas ele acrescentou que o controle de fronteira é crucial para a segurança do Iraque porque se acredita que os combatentes estrangeiros representem uma grande percentagem dos homens-bomba. "Não são os iraquianos que estão se explodindo", disse ele.

Comandantes militares norte-americanos têm intensificado cada vez mais a caça a insurgentes ao longo do Rio Eufrates. Após a tomada de Fallujah, a insurgência que usava a cidade como refúgio sem lei se disseminou, enviando combatentes a bolsões sunitas em Mosul, na região oeste de Bagdá e no chamado "Triângulo da Morte", ao sul da capital, assim como às cidades no deserto ao longo do Eufrates, no oeste do Iraque.

Segundo uma análise confidencial feita pelos militares sobre a redistribuição dos focos insurgentes após a batalha de Fallujah, cerca de 300 combatentes que estavam nesta cidade fugiram para três cidades ribeirinhas a oeste do seu antigo refúgio --Ramadi, Haditha e al Qaim--, que desde então se transformaram em alvos para as operações militares dos Estados Unidos.

No final de fevereiro, os marines lançaram uma grande ofensiva que se estendeu de Ramadi às cidades de Hit, Baghdadi e Haditha, a fim de acabarem com a determinação dos insurgentes de atrapalharem o novo governo iraquiano. Os militares dizem que por pouco não capturaram ou mataram Zarqawi perto de Ramadi no final de fevereiro, e que se acredita que ele tenha buscado refúgio recentemente em Haditha.

Agora, o ataque do final de semana na área ocidental do Iraque parece ser uma continuação daquela estratégia, fazendo com que os militares se desloquem ainda mais para o oeste ao longo do Eufrates para destruir definitivamente o abrigo que os insurgentes usaram repetidamente para contrabandear suprimentos e planejar operações no deserto inóspito e não vigiado próximo à Síria.

Em Bagdá, três carros-bomba mataram pelo menos seis pessoas na segunda-feira, incluindo dois policiais iraquianos. E membros do grupo político sunita, o Conselho de Diálogo Nacional, disse que tropas invadiram seus escritórios e prenderam mais de doze funcionários.

Um funcionário do Ministério do Interior iraquiano disse que desconhecia qualquer envolvimento iraquiano no episódio, e um porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos negou o envolvimento de quaisquer tropas norte-americanas.

*Colaboraram John F. Burns, em Bagdá, e Eric Schmitt, em Washington. Pelo menos cem rebeldes foram mortos; região abstecia insurgência Danilo Fonseca

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