UOL Notícias Internacional
 

10/05/2005

Hollywood se preocupa com a persistência do declínio das bilheterias

The New York Times
Sharon Waxman

Em Los Angeles
Agora Hollywood está começando a ficar preocupada.

A fraca bilheteria no último fim de semana do primeiro grande filme do verão, "Cruzada", lançado pela 20th Century Fox, completou 11 semanas consecutivas de queda de público e receita nos cinemas em comparação ao ano passado, tornando-se a maior queda desde 2000 e gerando uma pergunta desconfortável: as pessoas estão se afastando de filmes sem brilho ou dando as costas à idéia geral de ir ao cinema?

O épico histórico sobre as Cruzadas, que é estrelado por Orlando Bloom e foi dirigido por Ridley Scott, fez apenas US$ 20 milhões na bilheteria doméstica, uma estréia insignificante para um filme que custou cerca de US$ 130 milhões e contou com uma grande campanha de marketing. O filme foi ajudado por uma performance melhor no exterior, onde arrecadou US$ 56 milhões em 93 países.

Mas "Cruzada" não é o primeiro épico de espada e sandália a fracassar junto ao público americano; nem "Alexandre", nem "Rei Arthur" e nem "Tróia" foram abraçados pelo público neste país no ano passado.

Analistas disseram que a classificação R de "Cruzada" (na qual menores de 18 anos só podem entrar acompanhados de pai ou responsável) contribuiu para sua fraca estréia, juntamente com as críticas que declararam a atuação de Bloom inadequada.

Os 12 filmes de maior bilheteria no fim de semana arrecadaram juntos US$ 77 milhões, o pior resultado para começo de maio em cinco anos, segundo a Exhibitor Relations, uma empresa que monitora resultados de bilheteria. A receita de bilheteria caiu quase 6% em comparação ao ano passado, enquanto a freqüência de público caiu cerca de 8%, relatou a Exhibitor Relations.

Desde 2002, a freqüência tem caído cerca de 10% em relação ao período comparável, caindo de cerca 485 milhões para cerca de 433,7 milhões de ingressos vendidos.

O declínio tem provocado especulação de que o crescimento do mercado de DVD e o advento de centros de entretenimento doméstico mais elaborados, juntamente com a redução da janela de tempo entre o lançamento no cinema e o lançamento do DVD, está fazendo os freqüentadores de cinema preferirem ficar em casa e aguardar pelos discos.

"É necessário mais para tirar as pessoas do conforto de suas casas e ir ao cinema; os filmes precisam ser mais atraentes", disse o presidente Exhibitor Relations, Paul Dergarabedian. "DVDs e home theater se tornaram uma âncora para manter as pessoas em casa. Há um pouco disso ocorrendo, e quando há mais concorrência para os olhos, se torna um desafio ainda maior."

Ainda assim, alguns dos executivos mais calejados insistem que o problema neste ano é mais simples: os filmes não têm sido bons o bastante.

Geralmente, eles disseram, um sucesso inesperado surge no final do inverno ou começo do verão para despertar a bilheteria, como "Meninas Malvadas" ou "Starsky & Hutch" no ano passado --ou o megassucesso "A Paixão de Cristo".

"Nada animou o público ainda", disse Tom Sherak, um sócio da Revolution. "Já aconteceu muitas vezes antes, quando filmes saem sem grande boca a boca. O que está acontecendo é que as mesmas pessoas que geralmente vão no primeiro fim de semana continuam indo, mas os filmes estão saindo de cena rápido porque não estão conseguindo atrair um público maior."

Outros culparam a série de filmes com classificação R do último fim de semana, que excluíram um grande segmento do público, pela manutenção da queda de bilheteria. "A Casa de Cera" da Warner Bros., que também estreou no último fim de semana, tem classificação R.

"Filmes com classificação R não estão funcionando no mercado como costumavam", disse John Fithian, presidente da National Association of Theater Owners, a associação do exibidores. "Eles continuam funcionando no exterior, mas não são mais tão fáceis de vender nos Estados Unidos.

Os pais estão mais preocupados. Nós estamos cuidando para que o cumprimento da classificação seja respeitado. Sempre que você tem um fim de semana onde todos os lançamentos são de classificação R, você não tem o mesmo potencial demográfico que teria."

No caso de "Cruzada", a Fox buscou produzir um filme sobre guerra religiosa que não ofendesse nem cristãos e nem muçulmanos e cortou algumas das cenas mais violentas de Scott, segundo uma pessoas que trabalhou no filme e falou sob a condição de anonimato, para proteger as relações no estúdio.

Mas como o assunto era guerra religiosa e não, como no caso de "A Paixão de Cristo", ressurreição, o estúdio não pôde contar com um grande comparecimento dos cristãos, disse a pessoa. Um porta-voz da Fox disse que o filme foi ativamente vendido para os cristãos.

Sherak e outros prevêem uma mudança assim que os cinemas lançarem um filme que as pessoas estão empolgadas para ver. "O mercado está obviamente indisposto, e será necessário um filme como 'Star Wars' para nos tirar disto", disse Dergarabedian, se referindo ao muito aguardado capítulo final da série, "Star Wars: Episódio 3 - A Vingança dos Sith", que estréia em 19 de maio.

Fithian, cujas empresas filiadas são as que têm mais a perder com o crescimento do hábito de assistir filmes em casa, não concorda que a atual queda reflete uma mudança fundamental.

"Nós obviamente não estamos contentes com o atoleiro de 11 semanas em que estamos, mas não o consideramos um problema estrutural de longo prazo", disse ele. "As tendências a longo prazo ainda são positivas", ele acrescentou, referindo-se a um aumento na freqüência nas últimas três décadas.

"A tendência geral de freqüência está crescendo mais depressa do que a população", ele continuou. "Eu alerto as pessoas a não saltarem na afirmação 'DVDs estão matando os cinemas'. Se você olhar para os números, isto não está acontecendo", disse ele.

Sherak concordou, dizendo que o mercado é cíclico. "Eu tenho 35 anos de história para provar", disse ele. "Se a freqüência cair, ela cairá de 2% a 3% no todo. Se subir, ela subirá 2% a 3%. Se no final do ano você tiver uma queda de freqüência de 9%, então você terá um problema. Mas no momento, é apenas uma questão de filmes." DVD, home theater e filmes insatisfatórios podem explicar queda George El Khouri Andolfato

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