UOL Notícias Internacional
 

10/05/2005

Usuários de cocaína têm maior risco de desenvolver aneurisma, diz pesquisa

The New York Times
Lawrence K. Altman

Em Nova York
Foi descoberto um novo risco fatal para os usuários de cocaína: o aneurisma coronariano, ou seja, o alargamento das paredes das artérias coronárias, que aumenta a possibilidade de ataque cardíaco. Pesquisadores de Minnesota afirmam que isso pode acontecer anos depois de os usuários pararem de usar a droga.

American Heart Association/The New York Times

Flechas no angiograma mostram a expansão nas paredes na artéria coronária direita de uma mulher de 49 anos que consumia cocaína
Segundo a pesquisa, que envolveu um grupo na faixa de 40 anos, a probabilidade de desenvolver um aneurisma foi quatro vezes maior entre os usuários de cocaína. O estudo foi publicado nesta segunda-feira (9/5) pela revista Circulation, da Associação Americana do Coração.

Os aneurismas ocorreram em 30,4% dos usuários de cocaína, comparados com 7,6% dos não usuários. Não se sabe precisamente a quantidade de cocaína necessária para produzir os aneurismas, mas seu desenvolvimento é claramente associado à freqüência de consumo da droga, disse o Dr. Timothy D. Henry, co-autor do estudo.

"O risco foi definitivamente maior em pessoas que consumiam cocaína ao menos uma vez por semana", disse Henry, que dirige a pesquisa do Instituto de Coração de Minneapolis no Hospital Abbott Northwestern.

Não existem tratamentos específicos disponíveis para os aneurismas. O Dr. Henry espera que as descobertas de sua equipe sirvam como alerta para que as pessoas evitem a cocaína.

Em 2003, 34,9 milhões de americanos com mais de 12 anos afirmaram ter usado cocaína ao menos uma vez na vida; cerca de 2,3 milhões disseram ter usado a droga no mês anterior, de acordo com o departamento de Serviços de Saúde Mental e Abuso de Drogas.

Sabe-se que o risco de ataque cardíaco é maior horas depois do consumo de cocaína. No entanto, como os aneurismas coronarianos são raros e geralmente levam anos para se formar, nunca foram associados ao uso da cocaína.

Henry citou o caso de um empresário proeminente que pediu uma segunda opinião sobre angiogramas coronarianos, raios-X tirados quando o homem sofria um ataque cardíaco aos 38 anos. Os angiogramas mostraram múltiplos aneurismas nas artérias coronárias que nutrem o coração.

O paciente não tinha arteriosclerose, responsável por cerca de metade dos aneurismas coronarianos, ou qualquer uma das condições raras associadas aos aneurismas, como sífilis, trauma, lupus e outras desordens do tecido conjuntivo. Então, Henry perguntou se o sujeito usara cocaína.

"Como o senhor sabia?" foi a resposta.

O paciente tinha usado a droga durante dois anos, quando tinha 20 e poucos anos.

Henry disse que começou a se perguntar sobre a ligação há quatro anos, quando viu aneurismas nos angiogramas de três viciados em cocaína. Então, ele começou uma busca sistemática para determinar a freqüência de aneurismas entre usuários.

Os pesquisadores estudaram os exames de 191 homens e mulheres na faixa dos 40 anos. Todos os participantes fizeram exames de angiografia; 112 eram usuários de cocaína e 79 eram não usuários. No angiograma insere-se um tubo por uma artéria na perna ou no braço até o coração e injeta-se um contraste para ressaltar as artérias nas chapas de raios-X.

Três cardiologistas examinaram os angiogramas dos pacientes para determinar a presença de aneurismas coronários. Quando os três médicos concordavam que havia um aneurisma coronariano, eles o classificavam como certo.

Se apenas dois médicos concordassem, o aneurisma era considerado provável. No grupo de usuários de cocaína, 24 pacientes apresentaram aneurismas coronarianos certos e 10 prováveis.

Usando as informações fornecidas pelos pacientes, os pesquisadores avaliaram a freqüência de consumo de cocaína 61 dos pacientes -66% tinham usado a droga ao menos uma vez por semana.

Os aneurismas podem ocorrer em qualquer artéria. São particularmente freqüentes no cérebro e na aorta, a principal artéria que leva o sangue do coração ao resto do corpo. Os aneurismas podem se romper e causar ataques cardíacos e morte súbita.

Quando ocorrem nas coronárias, raramente se rompem e são menos arriscados do que os cerebrais ou de aorta. O estudo, porém, mostrou que os aneurismas de artérias coronárias podem deixar os usuários de cocaína propensos a um ataque cardíaco.

A equipe de Henry sugere que a cocaína poderia enfraquecer a parede da artéria e levar a um aneurisma, causando picos súbitos de pressão sangüínea e danificando as células nas paredes internas das artérias do coração. Quando o sangue passa pelo aneurisma, o fluxo é tal que facilita a formação de coágulos. Esses, por sua vez, podem impedir a passagem de sangue e provocar um infarto do coração.

Henry disse que esperava colaborar com outros cardiologistas para confirmar as descobertas, conduzindo estudos similares e usando técnicas não invasivas como ecocardiograma e tomografia computadorizada para determinar quando e com que freqüência se formam os aneurismas.

Enquanto isso, médicos que souberam das conclusões do grupo de Minnesota disseram a Henry que constataram a presença de aneurismas coronarianos entre usuários de cocaína. A droga poderia enfraquecer paredes de artérias e elevar pressão Deborah Weinberg

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