UOL Notícias Internacional
 

11/05/2005

Interlocutores têm poucos interesses comuns na cúpula América do Sul - Países Árabes

The New York Times
Larry Rohter

Em Brasília (DF)
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    Os líderes dos países da América e do mundo árabe, duas regiões do mundo que têm tido relativamente poucos contatos entre si, mas que por muito tempo alimentaram rancores em relação ao domínio dos Estados Unidos, reuniram-se na capital brasileira nesta terça-feira (10/05) para o seu primeiro encontro desse tipo, e para apresentar suas reivindicações.

    Contudo, os dois blocos em presença nesta primeira conferência, intitulada Cúpula América do Sul - Países Árabes, quase que imediatamente apresentaram prioridades que divergiram profundamente entre elas.

    Nos seus discursos inaugurais, o presidente Abdelaziz Bouteflika, da Argélia, e Amr Moussa, o secretário-geral da Liga Árabe, concentraram as suas críticas contra Israel e os Estados Unidos, e fizeram apelos por uma maior solidariedade para com os palestinos.

    Os líderes sul-americanos, entretanto, procuraram manter a ênfase da cúpula em torno das questões econômicas. "O nosso grande desafio é de arquitetar uma nova geografia econômica e comercial internacional", afirmou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão que inaugurou o evento, na manhã desta terça-feira.

    Esta conferência é fruto de uma iniciativa brasileira. Ela constitui uma parte de um trabalho mais amplo do governo de Lula visando a projetar o Brasil no cenário mundial como sendo uma potência regional, e a garantir um assento permanente para o país no Conselho de Segurança da ONU.

    No entanto, ela ocorre na esteira de uma série de contratempos embaraçosos para o Brasil no campo da política externa, tais como a tentativa fracassada de obter a nomeação de um brasileiro para a direção da Organização Mundial do Comércio (OMC), e ainda uma querela com a Argentina vizinha.

    O número de países presentes não correspondeu às expectativas iniciais do Brasil, e acabou tirando do evento uma parte do seu brilho. Enquanto a maioria dos 12 presidentes da América do Sul está participando da conferência, apenas sete das 21 nações árabes que haviam sido convidadas estão representadas por chefes de Estado ou de governo.

    Um desses dirigentes é o novo presidente do Iraque, Jalal Talabani, que está realizando a sua primeira viagem ao exterior nesta função. A sua presença e a do presidente da Autoridade palestina, Mahmoud Abbas, motivou a implementação de medidas extraordinárias de segurança preventiva, as quais mobilizaram cerca de 9 mil integrantes do Exército e da Polícia Militar nas ruas da capital brasileira, o que acabou reduzindo ou paralisando as atividades normais desta cidade.

    Nos bastidores, os dois blocos tiveram de superar as suas divergências na elaboração de uma declaração final que seja aceitável para ambos os lados e que não prejudique as aspirações diplomáticas do Brasil.

    Vários diplomatas que participam da conferência disseram que os Estados Unidos e a União Européia transmitiram aos participantes as suas preocupações em relação ao teor do documento que estava sendo elaborado, temendo que o grupo dos países árabes aproveite a oportunidade para enfatizar o seu apoio ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, atualmente o principal crítico de Washington entre os líderes da América do Sul.

    Nesta terça-feira, um porta-voz do ministério israelense das relações exteriores, Mark Regev, expressou a esperança de que "os inúmeros amigos que nós temos na América do Sul" contribuiriam para evitar "toda espécie de declaração parcial e radical que não teria nenhum impacto positivo em relação ao processo de paz" e que teria apenas por efeito de incentivar os grupos militantes extremistas nas suas ações.

    O ministro brasileiro das relações exteriores, Celso Amorim, que está sendo esperado em Israel para uma visita oficial em breve, declarou antes da conferência que ele não via "nenhuma razão para os Estados Unidos estarem preocupados".

    Desde a noite de segunda-feira, o primeiro esboço da declaração conjunta apelava Israel a se retirar dos territórios que este país ocupa desde a Guerra dos Seis Dias (1967), e a desmantelar os seus assentamentos na Cisjordânia, inclusive a colônia implantada em Jerusalém - Leste.

    O documento também incluía uma condenação do terrorismo, segundo um rascunho que foi obtido por The New York Times.

    Mas a declaração também propõe a realização de uma conferência internacional que teria por objetivo de definir o que é o terrorismo, e reafirma o direito dos povos a "resistirem à ocupação estrangeira, conformemente ao princípio da legalidade internacional e em cumprimento das leis humanitárias internacionais". Sul-americanos enfatizam o comércio; árabes priorizam a política Jean-Yves de Neufville
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