UOL Notícias Internacional
 

11/05/2005

Legisladores iraquianos nomeiam conselho para redigir constituição

The New York Times
John F. Burns

Em Bagdá
A Assembléia Nacional de transição do Iraque nomeou um comitê, nesta terça-feira (10/05), para redigir a constituição permanente do país. Assim, inaugurou o que promete ser uma das passagens mais contenciosas no esforço de construir uma democracia iraquiana.

Alan Chin/The New York Times

Atentado matou sete e feriu ao menos 23 nesta terça em Bagdá
Com o comitê estabelecido, o palco ficou montado para uma luta sobre a natureza do futuro Estado iraquiano. Uma questão importante será o papel do islã --se será marginalizado em um sistema secular ou politicamente decisivo, como defendem muitos legisladores xiitas, que são a maioria.

Enquanto os membros da assembléia brigavam pela composição do comitê dentro da proteção da Zona Verde de Bagdá, os insurgentes procuravam prejudicar a transformação política do país com seus ataques.

Na segunda-feira, eles seqüestraram o governador da província de Anbar e seu filho, em uma área perto da fronteira noroeste com a Síria. Na terça-feira, as unidades Marines da região fizeram uma pausa, depois de algumas das batalhas mais duras desde que capturou Fallujah, em novembro.

Também na noite de segunda-feira, perto da cidade desértica de Asad, cerca de 110 km a noroeste de Ramadi, a capital da província, um segurança privado japonês aparentemente foi seqüestrado por um grupo de insurgentes.

Em Tóquio, o Ministério de Relações Exteriores disse que o ataque --perto de uma base aérea americana que foi usada na ofensiva do deserto--durou várias horas e parece ter matado uma série de pessoas. Não houve detalhes, porém, e não ficou claro se o tiroteio estava relacionado ao seqüestro do governador.

O japonês desaparecido se chamava Akihiko Saito, veterano de 20 aos da Legião Estrangeira Francesa, empregado no Iraque pela empresa britânica Hart Security.

Na terça-feira, os insurgentes realizaram dois ataques em Bagdá. Um, que matou seis iraquianos e feriu três soldados americanos, contra um comboio americano em trânsito. O outro foi um ataque suicida contra uma sede da polícia que patrulha de rios e feriu três policiais.

O comitê constitucional, como a Assembléia, terá 28 membros da aliança xiita que venceu as eleições em janeiro, um grupo central extraído de dois partidos religiosos patrocinados pelo Irã.

Eles serão acrescidos de 27 nomeados de outros grupos com forte orientação secular. Os secularistas incluem dois poderosos partidos curdos da assembléia, um grupo liderado pelo atual primeiro-ministro, Ayad Allawi, e grupos étnicos religiosos não xiitas --todos com assentos no novo comitê.

Hussein Shahristani, porta-voz da assembléia, disse que o novo comitê constituinte reunir-se-á nos próximos dias para escolher um presidente e dois vice-presidentes.

Os cargos deverão ser respectivamente de um membro da aliança governante xiita, um curdo e um membro do partido de Allawi. O comitê terá então que adotar regras de procedimento, inclusive o tipo de maioria exigida para suas decisões --simples, como quer a aliança xiita, ou maioria de dois terços, como defendem os curdos e Allawi.

A constituição interina adotada no ano passado determina que o texto permanente seja redigido até 15 de agosto e submetido a um referendo nacional até 15 de outubro, antes das eleições em dezembro para um governo de cinco anos.

Os políticos de todos os lados prevêem uma longa batalha, particularmente em torno da questão do islã, da divisão de poderes entre o governo central e as regiões, e da alocação da renda obtida com a venda do petróleo. Muitos no Iraque, portanto, acreditam que os prazos não serão cumpridos e as eleições serão adiadas até o ano que vem.

O seqüestro do governador de Anbar, Raja Nawaf Farhan al Mahalawi, foi confirmado em Washington na terça-feira pelo general James T. Conway, oficial Marine diretor de operações das Forças Armadas. Na segunda-feira, o governador e seu filho iam da cidade fronteiriça de Qaim para Ramadi, a 130 km a oeste de Bagdá.

Segundo o general, os relatos que chegaram ao Pentágono indicaram que a família do governador estava "discutindo" com os seqüestradores. Eles foram identificados pelos noticiários iraquianos como membros de um grupo tribal que apóia Abu Musab Al Zarqawi, militante jordaniano e agente da Al Qaeda que assumiu a responsabilidade por muitos dos mais brutais ataques insurgentes da guerra.

A Associated Press informou que um homem chamado Hammad, que seria irmão do governador, teria dito que os seqüestradores "exigiram que as forças americanas deixassem Qaim para liberá-lo".

No Pentágono, Conway, que comandou os Marines em Anbar até sua transferência para o Pentágono, no ano passado, foi questionado se o governador tinha pedido proteção militar americana para sua viagem de 320 km para Ramadi. "Não que eu saiba", respondeu o general.

O trabalho do governador em Anbar foi tumultuado. Aqueles que nomeava deixavam seus cargos depois de ameaças de insurgentes sunitas. Estes fizeram da província, que acompanha as margens férteis do Eufrates, e suas principais cidades --Fallujah, Ramadi, Haditha e Qaim-- a zona de guerra mais mortífera.

Em agosto, o então governador de Anbar, nomeado pelos americanos, foi forçado a uma renúncia humilhante, depois que guerrilheiros seqüestraram seus três filhos. O governador, em prantos em uma fita de vídeo vendida nos mercados em Anbar, deixou seu cargo como preço para salvar seus filhos da decapitação.

Comandantes Marines em Anbar disseram que o propósito da ofensiva na fronteira é impedir o uso da região em torno de Qaim para patrocínio da insurgência, com o contrabando de carros, dinheiro, armas e voluntários árabes do Oriente Médio e da Síria.

Mas Conway deu uma pista que um dos objetivos pode ser capturar ou matar Zarqawi, que por pouco não foi pego pelas tropas americanas perto de Ramadi em fevereiro. Desde então, ele foi visto em Haditha, de acordo com informantes iraquianos.

Ao ser indagado sobre Zarqawi, Conway disse que o terrorista tinha sido avistado "nas últimas três semanas" no trecho de 160 km do Eufrates entre Haditha e Qusaiba, na fronteira com a Síria.

Mas ele negou que o líder militante, que tem uma recompensa de US$ 25 milhões (cerca de R$ 62 milhões) sobre sua cabeça, fosse um alvo específico da ofensiva. "Seria um desdobramento positivo se ele ou seu corpo fosse encontrado na região, mas não é este o propósito da operação", disse o general.

Em Bagdá, novos atentados deram continuidade à violência nas últimas duas semanas que acompanhou a formação do governo de transição xiita, um marco na história do Iraque, que passou gerações sob a dominação política da minoria sunita até a derrubada de Saddam Hussein.

Os novos ataques mataram mais de 320 pessoas com a mais intensa seqüência de ataques suicidas de carro nesta guerra.

Os alvos mais comuns foram soldados e seguranças americanos ou ocidentais e o exército e política iraquianos.

Na terça-feira, um comboio de veículos blindados americanos, em uma patrulha conjunta com iraquianos, foi atingido quando um carro estacionado carregado de explosivos foi detonado na rua Sadoun, principal distrito comercial de Bagdá. Seis pessoas morreram e 24 ficaram feridas, em sua maior parte civis trabalhando ou fazendo compras.

No sábado, uma explosão de um carro suicida a 300 metros de distância na mesma rua matou 22 pessoas, inclusive dois seguranças privados americanos. Disputas sobre petrodólares e papel do islã devem atrasar eleição Deborah Weinberg

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