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11/05/2005

Morgan Stanley afirma que ganhos podem recuar

The New York Times
Landon Thomas Jr.

Em Nova York
Philip J. Purcell defendeu nesta terça-feira (10/05) sua estratégia de integração das divisões de varejo e institucional da Morgan Stanley, mas alertou que sua firma enfrenta uma deterioração das condições de mercado que podem prejudicar futuros ganhos.

Para um executivo-chefe que tem sido rotulado como ditatorial por seus críticos mais severos, Purcell foi franco e modesto em seus comentários na terça-feira, em uma conferência de analistas. Ele reconheceu a queixa principal dos executivos aposentados dissidentes da Morgan Stanley, a de que a firma está subvalorizada e está atrás de suas pares nos últimos anos.

"Nós temos tratado seriamente estas críticas", disse ele em uma conferência lotada, que incluía alguns dos maiores investidores da Morgan Stanley. "Nós sempre tivemos um alto retorno nas ações."

E tratou de frente a questão de sua falta de popularidade dentro de áreas da firma, dizendo que problemas de moral ainda existem nas divisões de banco de investimento e ações.

"Nós nos preocupamos muito com as ações porque perdemos alguns líderes-chave", disse ele. Apesar do alerta de novas saídas --ele disse que cerca de 100 diretores administrativos deixam a firma por ano-- ele disse que a moral no restante da firma está boa.

A firma tomou medidas para construir pontes para sua divisão de banco de investimento, incluindo a nomeação de David W. Heleniak, um especialista em fusões e aquisições da firma de direito Sherman & Sterling, como seu vice-presidente.

Na terça-feira, a firma revelou que Heleniak receberá pelo menos US$ 20 milhões pelo restante do ano em salários, ações e bônus. (No ano passado, Purcell recebeu US$ 22 milhões em compensações.)

Investidores institucionais têm sido alguns dos maiores críticos de Purcell, de forma que seu reconhecimento aberto das áreas problemáticas da firma --e suas soluções para consertá-las-- não são uma surpresa.

Mas ao fazê-lo, ele também colocou uma maior pressão sobre os executivos dissidentes, que vinham pedindo sua renúncia, para apresentarem um plano detalhado próprio ou encerrarem sua campanha contrária. Um porta-voz dos executivos aposentados não quis comentar os planos futuros deles.

Apesar de ter oferecido uma série de prescrições para a integração dos negócios de varejo e institucional da firma, Purcell não deu nenhuma pista de que medida poderia tomar para melhorar a performance das ações, assim como não ofereceu nenhum conserto rápido, como um plano de compra de ações. "Eu acho que a falta de uma recompra é desconcertante", disse David Trone, um analista de ações da Fox-Pitt Kelton.

Purcell disse que muitos dos negócios principais da firma estão enfrentando declínios de dois dígitos neste trimestre. Ele também alertou os investidores de que a planejada separação da unidade de cartão de crédito Discover da firma terá um impacto nos ganhos.

A performance das ações nos meses que antecedem a temporada de votação do próximo ano será uma medida crucial da força da posição de Purcell e de sua capacidade de suportar um novo ataque dos executivos dissidentes.

Para Purcell e seus novos co-presidentes, Stephen S. Crawford e Zoe Cruz, foi a primeira aparição pública desde que a batalha em torno de sua liderança veio à público seis semanas atrás.

Apesar de Crawford ter se concentrado mais na área de varejo da firma e Cruz ter empregado seu tempo na área institucional, eles disseram, em resposta à pergunta de um investidor, eles não terão divisões separadas respondendo a eles. Apesar de co-presidentes serem encontrados em Wall Street, tais posições duais sem divisões de responsabilidade definidas são raras.

Apesar de os três executivos terem exposto os feitos da firma em todas as áreas, eles não douraram as áreas com má performance --como a corretora para o varejo-- que foram o alvo dos executivos dissidentes.

De fato, Cruz, em sua apresentação, argumentou que a performance da firma pode ser melhorada em todas as áreas, especialmente suas operação de compra e venda de ações e bancária, que representavam a base da Morgan Stanley antes de sua fusão em 1997 com a Dean Witter.

Os críticos de Purcell disseram que esta área, o grupo para títulos institucionais (ISG), deve ser separado das divisões voltadas ao varejo da Dean Witter.

"Eu não aceito o conceito de que a ISG é a jóia da coroa", disse Cruz em um golpe pouco velado desferido contra os dissidentes. "Nós estamos atuando abaixo da média em todas as áreas."

Cruz, que costumava dirigir a divisão de renda fixa da firma, disse que, para se igualar às suas concorrentes mais agressivas, a firma precisa adotar uma postura de menos aversão a risco em compra e venda, e ela apresentou um gráfico mostrando como o perfil de risco da firma aumentou nos últimos anos.

Em um anúncio interno separado na terça-feira, Crawford e Cruz disseram que a divisão de hipoteca de varejo da Discover, Morgan Stanley Dean Witter Corp, seria fundida na unidade de hipoteca de renda fixa da firma. O setor desenvolveu mais de US$ 4,5 bilhões em hipotecas no ano passado.

A medida serve a dois propósitos: ela dá aos corretores de varejo uma nova capacidade para vender hipotecas e outros produtos de gerenciamento de risco para clientes de alta renda; e dá para a unidade de renda fixa da firma a capacidade de gerar suas próprias hipotecas.

"Esta combinação de negócios é um exemplo excelente de empregar o pleno potencial de nossa marca", disse Cruz e Crawford em um memorando aos funcionários.

No tema da administração corporativa, Purcell disse que a busca da diretoria por dois novos diretores independentes está em andamento e que as cadeiras deverão ser preenchidas até mais tardar em setembro.

Purcell reconheceu que a disputa em torno do futuro da firma foi uma distração, mas disse que se sente confiante de que sua nova equipe terá sucesso --apesar de ter reconhecido que seriam suas ações, mais do que seus pronunciamentos, que continuariam sendo o foco da atenção.

"A prova está em agir", disse ele. "Nós somos os primeiros a admitir que o frenesi da mídia tem sido incômodo. Quanto mais cedo seguirmos em frente, melhor." Uma das maiores financeiras do mundo, empresa reestrutura-se George El Khouri Andolfato

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