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12/05/2005

Um telefone celular que faz tudo; nada muito bem

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia do NYT
"Nesta semana, no programa 'Como fazer', vamos mostrar como tocar flauta, como dividir um átomo e como irrigar o deserto do Saara", dizia o apresentador de televisão em um antigo esquete do grupo Monty Python. "Mas antes, Jackie vai contar para vocês como livrar o mundo de todas as doenças conhecidas."

The New York Times Image

Novo aparelho oferece múltiplas funções
"Bem, antes de tudo, torne-se um médico e descubra uma cura maravilhosa para alguma coisa", diz Jackie, "assim nunca haverá doenças novamente".

"Obrigado Jackie. Ótima idéia."

Talvez este seja um esquete popular na Samsung. Como você explicaria seu novo telefone MM-A800, para a Sprint?

Tira fotos de dois megapixels (o primeiro nos EUA). Escaneia cartões de negócios, grava vídeos de 90 minutos, transmite programas de televisão e até transcreve ditados.

É claro, o que torna o esquete do Monty Python tão engraçado é o vão infinito entre a simplicidade das "soluções" e a dificuldade de executá-las --e é isso que torna o A800 um pouco tolo também. Se você reler o parágrafo anterior e acrescentar "mais ou menos" depois de cada frase, você entenderá.

O desenho do telefone é inteligente. De um lado parece uma câmera digital, com flash, tampa deslizante sobre a lente e apoio para as mãos. Somente quando você o vira você vê a tela luminosa colorida que o identifica com um telefone celular.

Ainda assim, você coça a cabeça: onde estão os números? Eles são revelados quando se empurra a tela para cima, como um baralho de cartas. Você acaba de descobrir os números na parte de trás da câmera.

A dicotomia frente e trás é apenas uma pista de que a câmera e o telefone são separados. Quando as duas metades estão fechadas, você acha que o A800 é uma câmera. Quando estão abertas, é um telefone.

Parece um conceito interessante, mas não é muito satisfatório. Por exemplo, quando as duas metades estão fechadas (no modo câmera), você pode tirar fotos com a resolução mais alta, de dois megapixels, mas não pode fazer nada com elas. Não pode enviar por email, carregá-las na Web, girá-las, nem mesmo apagá-las.

Quando as metades estão abertas (modo telefone), você pode tirar uma fotografia e enviá-la imediatamente --mas apenas em baixa resolução (no máximo, 800 por 600 pixels). A única forma de tirar e enviar uma foto de dois megapixels, portanto, é fechar o telefone, tirar a foto, abrir o telefone, abrir o programa de galeria, encontrar a imagem e enviá-la. Muito, muito tolo.

Você não deve fechar as metades depois de discar, tampouco, mesmo que esse formato lhe pareça mais natural para conversar. O aparelho parece dizer "Não, fechado quer dizer câmera, lembra-se?" e desconecta sua ligação.

É uma pena, porque o telefone é meio esquisito e desconfortável quando está aberto. (A conversa na posição fechada só é possível com um fone de ouvido, se a ligação for discada por voz ou atendida- mas o microfone fica escondido dentro das metades fechadas, em detrimento da qualidade da voz.)

Mas isso é implicância, certo? Um telefone que permite que você veja televisão, escaneie cartões de negócios e registre um texto de voz certamente conquistou o direito de ter algumas falhas.

Infelizmente, esse aparelho raramente faz qualquer uma dessas coisas de forma viável. O que a Sprint chama de televisão é irritante, uma espécie de apresentação muito intermitente. A "transmissão" freqüentemente congela no "downloading"; até o áudio sofre interrupções. Para esse tipo de serviço, eles cobram US$ 10 (cerca de R$ 25) a mais por mês.

Escanear cartões de negócios parece legal, também. Você coloca a câmera cuidadosamente sobre o cartão e aperta o botão. Depois, usando as setas do telefone, você ressalta cada informação a ser gravada em seu livro de endereços: nome, telefone celular, trabalho, fax e email (o software ignora informações como título, nome da empresa e endereço físico.)

Infelizmente, como diz o manual: "O aparelho pode não reconhecer o cartão devido a certas circunstâncias: tipo de letra, cor da letra, cor do fundo, distância focal, etc." Evidentemente, esse "etc." também inclui "software de reconhecimento impreciso e marketing exagerado"; raramente o A800 consegue escanear um cartão com 100% de precisão. E corrigir os erros não é fácil em um telefone sem um teclado alfabético.

A característica de reconhecimento de voz é a mais excitante. Quem não gostaria de ditar pequenas mensagens de texto, endereços de email e memorandos para um telefone celular para transcrição imediata?

Você começa ensinando o telefone a reconhecer sua voz, lendo uma lista de 122 palavras, uma de cada vez. Depois disso, o telefone está pronto para digitar o que você disser, desde que você mantenha o botão da câmera pressionado e faça uma pausa após de cada palavra.

Quando funciona, é incrível, assim como o mecanismo de correção, que envolve levar as setas para a palavra errada e apertar o número 0 para ver uma lista de transcrições alternativas. O problema é que você tem que fazer muitas correções --e quando a lista de alternativas não inclui a palavra desejada, você volta a catar milho no teclado numérico.

No final, o tempo que você economiza ditando é consumido fazendo correções, apesar de a Sprint dizer que o reconhecimento melhora com o tempo.

No lado positivo, as fotos do A800 são excelentes --para um telefone. (Amostras estão em nytimes.com/circuits). Não são da qualidade de uma câmara digital e ainda ficam tremendamente borradas se houver qualquer movimento. Mas estão entre as melhores para um telefone celular-- e você pode até imprimir as fotos de dois megapixels razoavelmente bem.

Você pode armazenar suas fotografias e vídeos (que são minúsculos, mas claros e com som) na própria memória do telefone, ou pode expandir as opções de armazenagem com um cartão de memória. O telefone aceita um formato recente para telefones celulares, chamado Trans Flash (um cartão de 32 megabytes é incluído), aproximadamente do tamanho de uma unha. Depois você pode transferir suas fotos e vídeos para um computador. A Samsung oferece um adaptador que permite que você insira o cartão Trans Flash em leitores de cartão de memória comuns.

O A800 também traz alguns toques agradáveis ao discar. Você pode brincar com lindos sons de sinos, cada vez que aperta um botão. Não são aqueles tons tradicionais, mas sinos melódicos e puros, que literalmente formam uma música quando você disca.

Também é muito legal por parte do telefone mostrar o nome do Estado que você está chamando, como Califórnia ou Connecticut, reconhecendo o código de área que você discou (uma característica de vários telefones da Sprint).

O programa de reconhecimento de fala funciona muito melhor na discagem --uma característica de segurança importante e conveniente. Você pode dizer: "ligue para a Cris no trabalho", ou "ligue para 9932-3411", por exemplo, para discar sem olhar para o telefone.

O telefone, que irá à venda na sexta-feira por US$ 500 (ou cerca de R$ 1.250), também inclui um alarme, um calendário com lembretes e um tocador de MP3. Ele pode gravar um minuto de ligação telefônica, o que é fantástico quando alguém passa instruções quando você está dirigindo.

O problema é que, todas essas características amarram o pobre mecanismo a uma complexidade que atrapalha até o mais veterano fã de celular. Você precisa vencer 583 comandos de menu junto com muitas confirmações inúteis do tipo "Tem certeza?" para encontrar todas elas. Só para ler seu próprio número de telefone você precisa apertar oito botões!

A Samsung merece crédito por um grande passo à frente na qualidade de telefone celular-foto. Teria sido fácil fazer do A800 um grande sucesso mundial. A Samsung precisava apenas tornar as funções de reconhecimento de voz e cartão 100% corretas, eliminar 450 comandos de menu, aumentar o tamanho da tela, diminuir o tamanho do telefone e ocupar todos os pontos do país que não recebem celular. Deborah Weinberg

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