UOL Notícias Internacional
 

13/05/2005

China culpa EUA por impasse em negociação de armas nucleares com Coréia do Norte

The New York Times
Joseph Kahn

Em Pequim
Um alto diplomata chinês acusou nesta quinta-feira (12/05) o governo Bush de minar os esforços para retomada das negociações com o governo norte-coreano e disse que "não há evidência sólida" de que a Coréia do Norte esteja preparando o teste de uma arma nuclear.

Os comentários de Yang Xiyu, uma importante autoridade do Ministério das Relações Exteriores e a mais importante autoridade da China para a questão nuclear norte-coreana, são notáveis porque as autoridades chinesas raramente falam aos jornalistas sobre o assunto. Os comentários refletem a crescente frustração de Pequim com o governo Bush.

Mesmo enquanto a Casa Branca pressiona a China para encontrar uma solução para a questão nuclear, disseram as autoridades chinesas, ela também dispara insultos contra a Coréia do Norte e dá motivos para seus líderes permanecerem distantes da mesa de negociação.

"É verdade que ainda não temos nenhum progresso tangível" no encerramento do programa de armas nucleares da Coréia do Norte, disse Yang em uma entrevista. "Mas um motivo básico para o esforço malsucedido está na falta de cooperação por parte dos Estados Unidos."

Yang disse que, quando Bush se referiu ao líder da Coréia do Norte, Kim Jong Il, como um "tirano"no final de abril, o presidente "destruiu o clima" para as negociações, arruinando semanas de esforços para persuadir a Coréia do Norte de que os Estados Unidos negociariam em boa fé.

A China, que tem usado seu peso diplomático para tentar intermediar uma solução pacífica para a crise nuclear, tem lutado para retomar as negociações envolvendo seis partes, que estagnaram há quase um ano.

Yang disse formalmente na quinta-feira o que diplomatas daqui têm sussurrado há meses: os ataques pessoais contra Kim feitos por Bush, pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, e outras importantes autoridades do governo geraram muito "descrédito" entre as autoridades norte-coreanas e criaram grandes obstáculos para alguma solução negociada.

Ele pediu ao governo Bush para que encontre algum "canal informal" para conversar com os diplomatas norte-coreanos, talvez em meio a um café ou refeição, para desenvolver confiança. As autoridades americanas têm resistido a um contato direto com os norte-coreanos fora das negociações envolvendo seis nações. Yang disse que, sem novos gestos, os obstáculos para a retomada das negociações poderão ser intransponíveis.

"Eu sei que os Estados Unidos estão relutantes em promover mesmo contatos informais" com a Coréia do Norte, ele disse. "Mas como a superpotência do mundo, eu espero que eles possam demonstrar mais flexibilidade e sinceridade para tornar possível a retomada das negociações."

O governo de Pequim está determinado a evitar um possível confronto entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte, que ele teme que poderá provocar uma corrida nuclear regional e arruinar a estabilidade que tem escorado a própria ascensão econômica da China.

Mas as perspectivas de uma solução negociada diminuíram depois das recriminações entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte e os alertas das autoridades americanas de que a Coréia do Norte acelerou seu desenvolvimento de bombas nucleares, podendo até estar prestes a testar um artefato nuclear.

Yang disse que a China ficaria "muito preocupada" com um teste nuclear. Mas ele disse que duvida que a Coréia do Norte daria tal passo agora, acrescentando que a China deixou "muito, muito claro" para a Coréia do Norte que um teste ou qualquer outra exibição provocativa de sua capacidade nuclear teria conseqüências sérias.

A Coréia do Norte "entende as conseqüências muito claramente", disse Yang. "Eu não acho que devemos chegar à conclusão de que haverá um teste."

Alguns analistas americanos e chineses especularam que a Coréia do Norte pode ter feito os preparativos para o teste à plena vista dos satélites espiões americanos para criar um senso de urgência em torno de seu programa nuclear e estabelecer a base para a exigência de maiores concessões em caso de retomada das negociações.

Mas outros dizem que acreditam que a Coréia do Norte está determinada a se tornar uma potência nuclear e está preparada para suportar as sanções que possam ser impostas caso busque tal meta.

Os Estados Unidos e a China trabalharam estreitamente para organizar múltiplas rodadas de negociações com a Coréia do Norte, que também incluíram a Coréia do Sul, o Japão e a Rússia. Desde os anos 80, quando coordenaram estratégias contra a ex-União Soviética, os dois países não cooperavam em um projeto diplomático por um período tão prolongado.

Mas as tensões têm crescido enquanto a Coréia do Norte parece estar dando continuidade ao desenvolvimento de seu arsenal nuclear e resistindo à retomada das negociações. Funcionários do governo Bush argumentam que a China deve começar a usar pressão política e econômica para forçar a Coréia do Norte.

A China rejeita "táticas de braço-de-ferro" e sugeriu, geralmente privativamente, que os Estados Unidos devem parar de satanizar a Coréia do Norte.

Yang disse não entender o motivo para os Estados Unidos estarem pressionando a China a cortar o fornecimento de petróleo ou combustível para a Coréia do Norte --parte de sua linha vital de apoio ao governo, que carece de dinheiro-- ao mesmo tempo em que professam o desejo de retomar as negociações.

"Se você olhar para a história, você não encontra muitos casos bem-sucedidos em que sanções obtiveram um resultado bem-sucedido", disse ele.

Yang contestou um relato de um encontro que teve com o secretário assistente de Estado, Christopher Hill, que foi publicado na semana passada no "The Washington Post".

Naquele relato, Yang foi citado como tendo rejeitado as exigências americanas de corte do fornecimento de combustível para a Coréia do Norte, mas que teria indicado que a China poderia reter a ajuda de alimento como forma de forçar a Coréia do Norte a retomar as negociações.

Yang disse na quinta-feira que não discutiu tais opções com Hill. Ele disse que não vê necessidade para quaisquer sanções, envolvendo alimentos, petróleo ou outras medidas, desde que os seis países envolvidos nas negociações ainda estejam tentando manter as negociações vivas. Ele também rejeitou a idéia, defendida pelos Estados Unidos e Japão, de envolver o Conselho de Segurança da ONU no assunto.

Mas ele também disse que a China é contra a imposição de sanções "por ora", deixando aberta a possibilidade de que poderá mudar de idéia caso a Coréia do Norte detone um artefato nuclear ou abandone seu compromisso de buscar um acordo pacífico. Para chineses, Bush erra ao criar clima hostil com norte-coreanos

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host