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13/05/2005

Nomeação de representante dos EUA na ONU mostra a pressão sobre moderados

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg*

Em Washington
Um pacto incomum permitiu o avanço do processo de nomeação de John R. Bolton, nesta quinta-feira (12/05), sem o apoio de um importante senador republicano. A manobra expôs, de uma forma muito clara e pública, as pressões extremas que sofrem os republicanos moderados em um Senado cada vez mais dominado por conservadores.

O presidente Bush ligou para o republicano que fazia oposição, o senador George V. Voinovich, de Ohio, na quarta-feira, segundo Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca. No dia seguinte, o Comitê de Relações Exteriores do Senado, do qual Voinovich participa, votaria a nomeação. Karl Rove, poderoso assessor político do presidente, e Andrew H. Card, chefe de gabinete, também ligaram para conversar com ele nas últimas semanas, segundo McClellan.

E Voinovich, que se recusa a responder a perguntas sobre suas discussões com a Casa Branca, não é o único republicano a sentir a pressão ultimamente.

Os moderados republicanos estão sendo pegos no meio do fogo cruzado em várias questões, como o caso de Bolton, a aproximação de uma revolta diante das nomeações do presidente para o judiciário e o debate sobre a proposta de Bush de reformar a previdência social. Além disso, com a possibilidade de vagar um assento na Suprema Corte no futuro próximo, as pressões só vão aumentar.

"Bolton é o exemplo perfeito de como deixar os moderados em uma situação impossível. É uma situação que não dá para sair ganhando. Ou não apoiamos o presidente, ou votamos em uma escolha altamente impopular para nos representar na Organização das Nações Unidas", disse o senador Lincoln Chafee, republicano de Rhode Island, que também participa do Comitê de Relações Exteriores e que criticou publicamente sobre Bolton durante semanas.

As eleições de novembro levaram sete novos republicanos, quase todos conservadores, ao Senado, o que aumentou a maioria do partido para 55 (contra 45 do Partido Democrata).

Os senadores republicanos moderados são confortados ao ver o número de governadores republicanos moderados, desde Arnold Schwarzenegger, na Califórnia, até George Pataki, em Nova York, e Mitt Romney, em Massachusetts.

Mas aqui no Capitólio, eles são tão poucos que suspenderam seus almoços semanais há quase um ano, disse o senador Arlen Specter, da Pensilvânia. "Susan e eu estávamos lá sozinhos na maior parte das vezes", disse ele, referindo-se à senadora Susan Collins, do Maine. "Conversamos por um tempo até decidirmos debandar."

A recusa de Voinovich em apoiar a nomeação demonstra, que "o centro evanescente" --como diz freqüentemente outra senadora do centro, Olympia Snowe, do Maine-- ainda pode ter um papel de poder.

Há apenas quatro importantes centristas no Senado: Chafee, Specter, Collins e Snowe. Mas de vez em quando recebem independentes como os senadores John McCain do Arizona, Chuck Hagel de Nebraska e Voinovich.

Às vezes, a pressão que enfrentam da Casa Branca e da liderança republicana é tão insistente que procuram evitá-la. Chafee disse aos repórteres várias vezes que estava inclinado a apoiar Bolton. Segundo seu porta-voz, Steven Hourahan, era uma forma de enviar um sinal claro à Casa Branca.

Como resultado, o senador de Rhode Island recebeu apenas uma ligação de um alto oficial: Card, que ligou na véspera de uma votação do comitê sobre a nomeação. No entanto, esta foi adiada por Voinovich, que insistiu em ter mais tempo para investigar as acusações sobre o temperamento de Bolton e seu estilo de administração.

Nas semanas que se passou, o senador de Ohio reuniu-se com membros do governo, assim como Bolton, e fez várias visitas ao senador Bill Frist, republicano do Tennessee, líder da maioria.

Voinovich, entretanto, tomou cuidado para não surpreender a Casa Branca ou os líderes do partido. Antes da votação, informou ao senador Richard G. Lugar, republicano de Indiana e presidente do Comitê de Relações Exteriores, e Frist de sua decisão.

"O senador Voinovich chegou à sua conclusão; nós levamos a nomeação ao plenário", disse Eric Ueland, chefe de gabinete de Frist.

A próxima pressão sobre os moderados virá com a questão explosiva sobre uma proposta de reforma nas regras do Senado para proibir os democratas de usarem o artifício do adiamento, uma tática parlamentar de dois séculos para impedir nomeações ao judiciário. Frist está defendendo a mudança e muitos acreditam que haverá um confronto na próxima semana.

McCain e Chafee já disseram que vão se opor, e Snowe indicou fortemente que o fará. Specter está em uma situação especialmente difícil. Ele está tentando permanecer neutro, mas como presidente do Comitê Judiciário deve defender as nomeações de Bush.

John Breaux, democrata centrista que trabalhou no Senado até o ano passado, disse que desafiar os líderes do partido pode ser especialmente arriscado para um membro do comitê.

"Eles podem fazer muita pressão", disse ele, referindo-se aos líderes do Senado. "Eles dizem: 'Você é presidente porque seu partido está no comando e você tem que acompanhar o partido'. Então, se você se opõe, tem que se explicar rapidinho."

Collins, do Comitê de Segurança Interna do Senado também está correndo esse risco. Junto com Snowe, ela expressou reservas sobre a mudança, assim como o plano de reformar a previdência social. Na semana passada, as duas voltaram ao Maine e foram alvos de uma campanha de propaganda sobre a questão dos juizes --uma campanha que teve o endosso de seu líder republicano, Frist.

Nesta semana, Collins pareceu cansada desse debate. "Este ano, parece que temos uma questão atrás da outra", disse ela, acrescentando que muitas vezes sente inveja "dos senadores para quem tudo é preto e branco".

Snowe, enquanto isso, mandou uma mensagem aos colegas republicanos: "Francamente", disse ela, "o presidente contou com os votos dos moderados, que são cerca de 45% dos americanos hoje. Quem quiser ignorar isso, correrá um risco."

*Colaborou Richard W. Stevenson. Indicado por Bush, John R. Bolton sofre oposição generalizada Deborah Weinberg

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