UOL Notícias Internacional
 

14/05/2005

Pentágono pretende fechar 30 bases militares

The New York Times
Eric Schmitt e David Stout

Em Washington
O Pentágono recomendou nesta sexta-feira (13/05) o fechamento de mais de 30 grandes bases militares norte-americanas desde o Maine até o Havaí [do extremo leste ao extremo oeste do país], provocando uma reação imediata e furiosa das comunidades afetadas e dos políticos que as representam.

A proposta de fechamento de bases inclui alguns nomes familiares na história militar: a base de submarinos da Marinha em New London, Connecticut; Fort McPherson, na Georgia; Fort Monmouth, em Nova Jersey e a Estação Naval Pascagoula, no Mississipi. Várias instalações menores também serão fechadas, e algumas serão aglutinadas a outras unidades.

"Nossas atuais instalações, projetadas para a Guerra Fria, devem dar lugar às novas demandas da guerra contra o extremismo e a outros desafios do século 21 que estão em gestação", disse na sexta-feira o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld.

Michael Wynne, o sub-secretário de Defesa para questões de aquisições, tecnologia e logística, disse em uma coletiva à imprensa: "A decisão sobre quais bases serão fechadas e quais permanecerão abertas é um componente muito importante da transformação militar que o presidente Bush solicitou que promovêssemos em 2001".

Embora a lista recomendada de fechamentos seja menor do que o esperado, a reação dos indivíduos afetados foi intensa. O senador Joseph I. Lieberman, democrata de Connecticut, disse que a recomendação no sentido de fechar a base de New London é "irracional e irresponsável".

"Isso é algo que insulta a nossa história e ameaça o nosso futuro", disse ele à Associated Press.

O governador da Georgia, o republicano Sonny Perdue, prometeu que fará uma "defesa vigorosa" das bases no seu Estado, que poderá sofrer o impacto de seis fechamentos caso a recomendação feita pelo Pentágono seja acatada pela Comissão de Fechamento e Reformulação de Bases, ou BRAC, na sigla em inglês. "A batalha não terminou", disse o governador em uma coletiva à imprensa.

O senador Trent Lott, republicano de Missouri, empenhou-se no passado em proteger as instalações de Pascagoula, e certamente voltará a agir da mesma forma.

A recomendação para que se feche a Base Ellsworth da Força Aérea em Dakota do Sul gerou uma reação bipartidária dos dois senadores do Estado. "Isso está totalmente errado", disse à Associated Press o senador republicano John Thune. O seu colega democrata, Tim Johnson, concordou. "Não vamos jogar a toalha de jeito nenhum", afirmou.

O Texas será atingido por 14 fechamentos, caso as recomendações do Pentágono sejam seguidas. Os dois senadores republicanos do Estado, Kay Bailey Hutchison e John Cornyn, poderão sofrer pressões para exigirem alguns ajustes.

Alabama e Califórnia seriam atingidos por 11 fechamentos, e a Pensilvânia por dez. Já Nova York perderia oito bases militares, incluindo três na região economicamente abalada de Buffalo e Niagara Falls.

Na sexta-feira, Perdue fez um comentário que poderia ter sido expresso por qualquer dos vários políticos descontentes: "Quando a coisa é com você, faz uma grande diferença".

Rumsfeld disse na quinta-feira que o Pentágono recomendaria o fechamento de um número menor de bases domésticas do que o que era originariamente esperado, já que as forças armadas contavam com menos espaço e capacidade extras do que inicialmente se pensava. A princípio, as forças armadas estimavam contar com 20% a 25% de capacidade extra.

Mas Rumsfeld disse que oficiais militares encontraram apenas entre 5% e 10% de capacidade extra tão logo levaram em consideração a necessidade de acomodar 70 mil soldados que retornam da Europa, assim como agências do Pentágono que estão sendo transferidas de espaços comerciais alugados para escritórios menos vulneráveis, localizados em bases militares.

Ele citou também a necessidade de preservar a capacidade de se promover operações em fábricas de munições e depósitos de equipamento de manutenção em períodos de crise.

Embora os fechamentos e fusões de bases sejam menos severos do que muitos esperavam, ainda assim as mudanças alterarão significativamente as operações de várias das 425 bases do país, e as economias locais dependem delas, conforme indicaram as reações na sexta-feira.

Várias bases da Guarda Nacional e de forças de reserva serão fechadas e as suas funções transferidas para instalações de serviços da ativa ou para outras bases de reserva.

Depósitos de materiais de manutenção, laboratórios de pesquisa e hospitais, atualmente administrados por cada uma das forças armadas, se aglutinarão entre si. Por exemplo, o Centro Médico Walter Reed, um hospital do Exército, e o Hospital Naval de Bethesda deverão dividir as mesmas operações.

Capelães e cozinheiros militares serão treinados em um só local, em vez de receberem treinamento em suas forças respectivas. O Exército, a Marinha, a Força Aérea e o Corpo de Fuzileiros Navais dividirão campos de treinamento e centros de simulação de guerra como parte do objetivo do Pentágono de treinar e lutar em conjunto, disseram oficiais militares de alta patente.

Rumsfeld disse que os fechamentos e reformulações economizarão cerca de US$ 5,5 bilhões por ano após o pagamento dos custos iniciais dessas operações. Segundo ele, em um período de 20 anos, a economia será de US$ 48,8 bilhões.

As quatro iniciativas anteriores de fechamento de bases --em 1988, 1991, 1993 e 1995-- possibilitaram uma economia de US$ 29 bilhões até 2003, mas especialistas militares independentes dizem que as estimativas do Pentágono são plausíveis, ao se considerar a amplitude da reformulação pretendida.

"A economia projetada para esta série de fechamentos parece ser motivada mais pela necessidade de reorganização do que simplesmente pelo imperativo de fechar as bases", afirma Loren Thompson, analista militar do Instituto Lexington, uma firma de consultoria.

"Atualmente, as forças armadas estão organizadas e localizadas de forma muito ineficiente. Várias instalações ficam em locais que faziam sentido um século atrás, mas que não o fazem agora".

Após mais de dois anos de estudos intensos, esta série de fechamentos de bases militares é uma parte integral da estratégia de Rumsfeld para reformar as forças armadas, transformando-as em estruturas mais enxutas e ágeis.

"O grau com que as forças se coordenarão, integrarão e operarão em conjunto será aumentado, e isso incluirá a forma como gerenciamos alguns dos nossos postos e bases", disse o general Richard B. Myers, diretor do Comando das Forças Conjuntas.

Rumsfeld procurou reduzir os temores de algumas comunidades que acham que os fechamentos poderiam fazer com que milhares de trabalhadores locais ficassem desempregados. Ele citou exemplos de bases fechadas que foram convertidas em aeroportos comerciais e centros econômicos.

Rumsfeld também prometeu que o Departamento de Defesa fornecerá treinamento em outras áreas aos trabalhadores, além de assistência econômica para ajudar a minimizar o impacto econômico imediato nas comunidades nas quais haverá fechamento de bases.

As recomendações do Pentágono serão enviadas a uma comissão de nove membros que realizará audiências públicas e visitará as bases durante o verão. A comissão poderá acrescentar ou subtrair bases da lista, mas para isso é necessária a aprovação de sete dos seus membros. A Comissão de Fechamento e Reformulação de Bases apresentará as suas recomendações ao presidente Bush em 8 de setembro. Fechamento integra plano de reestruturação das forças armadas Danilo Fonseca

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