UOL Notícias Internacional
 

14/05/2005

Rejeitando Bush, 132 prefeitos norte-americanos aderem ao Protocolo de Kyoto

The New York Times
Eli Sanders

Em Seattle
Incomodado por uma série de invernos secos nesta cidade normalmente úmida, o prefeito Greg Nickels iniciou um esforço nacional para fazer algo que o governo Bush não fará: implementar o Protocolo de Kyoto para o aquecimento global.

Nickels, um democrata, disse que 131 outros prefeitos de mentalidade semelhante se juntaram à coalizão bipartidária para combate ao aquecimento global em uma esfera local, em uma rejeição implícita à política do governo.

Os prefeitos, de cidades tão liberais quanto Los Angeles e tão conservadoras quanto Hurst, Texas, representam quase 29 milhões de cidadãos em 35 Estados, segundo o gabinete de Nickels.

Eles estão prometendo que suas cidades cumprirão aquelas que seriam exigências obrigatórias para o país caso o governo Bush não tivesse rejeitado o Protocolo de Kyoto: uma redução da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa para um nível 7% abaixo do de 1990, até 2012.

Na quinta-feira, o prefeito Michael R. Bloomberg fez com que Nova York ingressasse na coalizão, o mais recente prefeito republicano a fazê-lo.

Nickels disse que para conseguir a redução de 7%, Seattle está exigindo que os navios de cruzeiro que atracam em seu movimentado porto desliguem seus motores a diesel enquanto reabastecem e para utilizarem apenas a energia elétrica fornecida pela cidade, uma exigência que tem forçado alguns navios a se adaptarem.

Até o final do ano, a empresa de energia da cidade, a Seattle City Light, será a única empresa elétrica do país sem nenhuma emissão de gases responsáveis pelo Efeito Estufa, disse o gabinete do prefeito.

Salt Lake City se tornou a maior compradora de energia eólica do Estado de Utah para conseguir atingir sua meta de redução. Em Nova York, a administração de Bloomberg está tentando reduzir as emissões da frota municipal comprando veículos híbridos gasolina-eletricidade.

Nathan Mantua, diretor assistente do Centro para Ciência do Sistema Terra da Universidade de Washington, que estima o impacto do aquecimento global no Noroeste, disse que os esforços da coalizão são louváveis, mas provavelmente de impacto global limitado.

"É claramente um passo politicamente significativo para a qualidade do ar nas cidades que farão isto, mas para o problema do aquecimento global é um passo de bebê."

Nickels disse que decidiu agir quando o Protocolo de Kyoto entrou em vigor em abril sem o apoio dos Estados Unidos, o maior produtor do mundo dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Naquele dia, Nickels anunciou que tentaria implementar o acordo, pelo menos em Seattle, e pediu para que outros prefeitos se juntassem a ele.

A coalizão não é o primeiro esforço de líderes locais para adoção da iniciativa sobre mudança climática. A Califórnia, sob o governador Arnold Schwarzenegger, um republicano, está buscando limitar as emissões de dióxido de carbono, e o governador de Nova York, George A. Pataki, também republicano, tem liderado esforços para reduzir as emissões das usinas de força no Nordeste dop país.

Mas ela é incomum em sua adoção aberta a um acordo internacional que foi rejeitado pelo governo Bush e significativo, segundo o gabinete de Nickels, porque as cidades contribuem muito para a emissão geral do país de gases responsáveis pelo efeito estufa.

Michele Saint Martin, a diretora de comunicações do Conselho para Qualidade Ambiental da Casa Branca, disse que o Protocolo de Kyoto resultaria em uma perda de 5 milhões de empregos nos Estados Unidos e poderia provocar alta dos preços de energia.

Saint Martin disse que o presidente Bush "defende uma abordagem agressiva" na questão da mudança climática, "uma que promova o crescimento econômico e leve a nova tecnologia e inovação".

Mas muitos dos prefeitos disseram que estão agindo precisamente por preocupação em torno da vitalidade econômica de suas cidades. Nickels, por exemplo, apontou que os invernos secos e o grande declínio projetado nas geleiras nas montanhas Cascade poderão afetar o abastecimento de água potável de Seattle e a energia hidrelétrica.

O prefeito de Nova Orleans, C. Ray Nagin, um democrata, disse que se juntou à coalizão porque o aumento projetado no nível dos oceanos "ameaça a própria existência de Nova Orleans."

No Havaí, o prefeito de Maui County, Alan Arakawa, um republicano, disse que se juntou porque estava frustrado com a lentidão do governo em reconhecer o consenso científico de que a mudança climática está acontecendo por interferência humana.

"Eu espero que isto envie uma mensagem de que é realmente necessário que se comece a olhar para o que está acontecendo no mundo real", disse Arakawa.

Nickels disse que não é por acaso que a maioria das cidades que aderiram são de Estados costeiros. O prefeito de Alexandria, Virgínia, está preocupado com o aumento das inundações; os prefeitos na Flórida estão preocupados com furacões.

Mas Nickels também encontrou apoio no interior do país. Jerry Ryan, o prefeito republicano de Bellevue, Nebraska, disse que entrou para a coalizão por preocupação com os efeitos das secas em sua comunidade agrícola. Ryan descreve-se como um forte defensor de Bush, mas disse que sente que a posição do presidente em relação ao aquecimento global deveria ser semelhante à sua posição em relação ao terrorismo.

"Você precisa se perguntar, é remotamente possível que haja uma ameaça?" disse ele. "Se a resposta é sim, então é preciso agir agora." Democratas e republicanos unem-se contra o aquecimento global George El Khouri Andolfato

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