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14/05/2005

Universidades trocam livro por biblioteca virtual

The New York Times
Ralph Blumenthal*

Em Houston, Texas
Os estudantes que freqüentarem a Universidade do Texas encontrarão algo faltando na biblioteca dos estudantes neste outono.

Livros.

Até meados de julho, disse a universidade, quase todos os 90 mil volumes da biblioteca serão dispersados em outras coleções universitárias para abrir espaço para um centro de informação eletrônica 24 horas, um fenômeno que está se espalhando rapidamente e que está transformando a pesquisa e o estudo em campi de todo o país.

"Nesta América em busca de informação, eu não conheço ninguém que preferiria construir uma biblioteca apenas para livros", disse Fred Heath, vice-reitor-adjunto das Bibliotecas da Universidade do Texas, em Austin.

A nova versão dela incluirá "suítes de software" --módulos com computadores onde os estudantes poderão trabalhar colaborativamente a qualquer hora- um centro expandido para preparação de aula, e um centro para treinamento em informática, assistência técnica e reparos.

Tais laboratórios de aprendizado digital, equipados com bibliotecários, professores e técnicos especializados em Internet, têm ganhado espaço nas bibliotecas universitárias tradicionais desde que apareceram na Universidade do Sul da Califórnia, em 1994.

À medida que mais textos se tornam disponíveis online, as bibliotecas têm transferido materiais menos utilizados para depósitos externos. Mas especialistas dizem ser simbólico uma importante instituição de ensino como a Universidade do Texas esvaziar uma biblioteca de livros para substitui-la por um complexo eletrônico.

A tendência está sendo movida, disseram acadêmicos e bibliotecários, pela necessidade cada vez menor de bibliotecas para alunos, muitas das quais construídas quando as principais bibliotecas de pesquisa eram reservadas para alunos formados e para o corpo docente.

Mas tais distinções há muito tempo ruíram, com as bibliotecas de pesquisa abrindo suas prateleiras, deixando as bibliotecas de alunos como anexos cada vez mais insignificantes, contendo coleções repetidas e estantes de leitura leve.

Heath disse que a remoção dos livros fez alguns membros do corpo docente levantarem a sobrancelha e provocou ansiedade entre os funcionários da biblioteca. Mas ele disse que as preocupações são desnecessárias. "Livros são o ícone fundamental dos esforços intelectuais", disse ele, "a comunicação erudita de nosso tempo".

Assim, ele disse, falando da biblioteca, "se você a transfere, há uma aflição, um sentimento de perda". Ele acrescentou que os livros foram apenas distribuídos dentro do sistema de bibliotecas da universidade, um dos maiores do pais, lar de cerca de oito milhões de volumes e crescendo em 100 mil por ano. Livros de referência básica como dicionários e enciclopédias permanecerão.

A mudança, disse Heath, liberará cerca de 560 metros quadrados no Centro Acadêmico Flawn de quatro andares, que foi inaugurado em 1963. "Eles vivem em um mundo eletrônico", disse ele sobre os alunos.

"Nós falamos sobre um dia das 9 da manhã às 5 da tarde, mas eles trabalham em um horário fundamentalmente oposto, das 9 da noite às 5 da manhã."

Os estudantes da Universidade do Texas, entrevistados enquanto estudavam ou descansavam nas mesas da biblioteca, disseram que apreciariam um espaço adicional para computadores e que de qualquer forma pegavam a maioria de seus livros na Biblioteca Perry-Castaneda, bem maior.

Mas alguns disseram que gostam da seleção popular da biblioteca dos estudantes e que temem a perda de um espaço familiar e agradável.

"Bem, isto é uma biblioteca -supostamente deve haver livros nela", disse Jessica Zaharias, uma aluna do último ano de administração que estava estudando para as provas finais. "Não há como substituir livros. Há muitas bibliotecas onde há salas de estudo. Este é um local agradável para os estudantes virem. Ele é central no campus."

Zaharias disse que freqüentemente retira livros da biblioteca dos estudantes, incluindo recentemente "It's Not About the Bike" de Lance Armstrong e "Apanhador no Campo de Centeio".

"É triste", disse ela sobre a transferência.

Os funcionários da biblioteca disseram que foram pegos de surpresa quando foram informados no mês passada da conversão, que foi como a notícia veio à tona. Em um retiro poucas semanas antes, eles debateram formas para melhorar o serviço e economizar dinheiro.

Eles disseram que lhes foi prometido novas funções após a conversão e que temiam falar publicamente para não colocarem em risco seus empregos.

Muitos especialistas disseram que a Universidade do Texas está seguindo uma tendência em aceleração. "A biblioteca não é tanto um espaço onde livros são guardados, mas onde idéias são compartilhadas", disse Geneva Henry, diretora executiva da iniciativa de biblioteca digital da Universidade Rice, em Houston, onde qualquer um pode acessar e acrescentar material de curso em um programa chamado Connexions. "Se trata de ter uma conversa em vez de procurar um livro."

"Nós estamos ensinando os estudantes sobre como pesquisar", disse Henry. "A primeira reação é usar o Google. Mas eles precisam validar sua informação e ir mais a fundo."

Carole Wedge, presidente da Shepley, Bulfinch, Richardson & Abbott, uma firma de arquitetura em Boston, que redesenhou dezenas de bibliotecas universitárias para a era da informática, disse que a maioria foi construída décadas atrás "como caixas para guardar coleções impressas".

O desafio, disse Wedge, é adaptá-las para o que chamou de "cultura Barnes & Noble, tornando leitura e aprendizado uma experiência indistinta".

Raramente os alunos de hoje procuram o número do livro e o caçam nas estantes, disse ela. Agora eles entram online e podem acabar com um livro, mas também com um DVD ou outra mídia. Mas, ela disse, "é improvável que surjam bibliotecas sem livros por muito tempo".

De forma significativa, os bibliotecários apóiam a tendência. "Há uma verdadeira transição em andamento", disse Sarah Thomas, ex-presidente da Associação das Bibliotecas de Pesquisa e bibliotecária da Biblioteca da Universidade Cornell, em Ithaca, Nova York.

"Isto não quer dizer o fim do papel e dos livros. Eles são sagrados, é claro. Mas mais e mais estamos entregando material para o usuário em vez do usuário vir à biblioteca para pegá-lo."

A Universidade do Sul da Califórnia, que celebrou o 10º aniversário de seu centro eletrônico, chamado Gateway, em outubro passado, mantém cerca de 80 mil livros à mão na Gateway, apesar de outros milhões estarem disponíveis nas 15 outras bibliotecas da universidade, disse Lynn O'Leary-Archer, diretora das bibliotecas da universidade.

Centros digitais semelhantes foram construídos na Universidade Emory, em Atlanta, na Universidade da Geórgia, na Universidade do Arizona e na Universidade de Michigan, e muitos outros estão a caminho. A Universidade de Houston, que está dobrando seu espaço de biblioteca, é especializada em publicação de material acadêmico online.

"Esta é uma nova geração, nascida com um chip", disse Frances Maloy, presidente da Associação de Bibliotecas Universitárias e de Pesquisa e líder de serviços de acesso da Emory. "Um estudante manda um e-mail às 2 da madrugada e se pergunta às 8 da manhã por que o professor não respondeu. Nós estamos em uma era realmente diferente."

Maloy elogiou a iniciativa da Universidade do Texas como significando que "uma grande universidade, com uma coleção fabulosa de livros, reconhece que esta é uma era digital".

*Colaborou Nathan Levy, em Austin, Texas. Instituições investem em "centros de informação online 24 horas" George El Khouri Andolfato

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