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16/05/2005

Lisa Kudrow volta sem os amigos de "Friends"

The New York Times
Alexandra Jacobs

Em Santa Monica, Califórnia
Em uma tarde recente, ao longo da avenida Montana, cheia de lojas para senhoras ricas que emitem campainhas suaves quando se entra, cerca de 50 membros da equipe da HBO reuniram-se para gravar uma cena para a nova série "The Comeback".

Dirigida por Patrick King, de "Sex and the City", é estrelada por Lisa Kudrow, de "Friends", no papel de Valerie Cherish, uma atriz ultrapassada que consentiu em ser seguida por câmeras de vídeo 24 horas por dia, na esperança de revigorar sua carreira pois, como declara: "A televisão de realidade é a realidade da televisão - sou uma sobrevivente".

Em alguns minutos, a resoluta Valerie mexe no microfone de lapela ("Eles conseguem mandar um sujeito para a lua, mas não conseguem fazer um microfone de lapela discreto?") e passeia por uma banca de jornal, onde vê a capa da Entertainment Weekly, que traz a pergunta "A televisão de realidade acabou?" e visivelmente se desinfla. Foram necessárias 12 tomadas para encontrar o tom certo e espontâneo da cena.

Dá muito trabalho fazer um programa de realidade falso -e seus criadores Kudrow e King querem enfatizar que "The Comeback" é exatamente isso, falso.

A série está programada para vir após outra série sobre o entretenimento, chamada "Entourage". Não é uma derivação de "Lisa Kudrow", como Larry David em "Curb Your Enthusiasm", ou Kirstie Alley em "Fat Actress". É uma "comédia negra sobre a realidade da televisão", inteiramente ficcional e escrita (por uma equipe de seis autores de diferentes tipos de comédia), descreve King.

Para começar, Kudrow não está exatamente precisando de um retorno, como sua personagem, já que trabalha continuamente há mais de uma década, mais notavelmente como a sábia e avoada Phoebe Buffay, no sucesso da NBC "Friends".

"Não tenho nada do que reclamar", disse ela durante um almoço com King no restaurante Michael's, em Santa Mônica, poucos dias antes da gravação na avenida Montana. Ela também não está interessada em fazer uma versão dela mesma, uma mulher casada vivendo calmamente com um filho perto de Beverly Hills --"Não estou nos tablóides", salientou.

King sorriu. "Sou abençoado", disse ele, "de trabalhar com atrizes que não estão tão envolvidas com a imagem que têm de si mesmas que não querem atuar".

Os dois colaboradores ficaram amigos em um programa da NBC, no início dos anos 90, enquanto King tentava dar o salto de autor de série cômica para produtor executivo, e Kudrow fazia um papel de coadjuvante em "Mad About You".

Ela também participava da famosa trupe cômica Groundlings. (King lembra que ficou impressionado com seu improviso de Audrey Hepburn visitando um programa de pescaria). Uma das personagens de Kudrow chamava-se Sua Atriz Favorita em um Programa de Auditório: "Eu rindo desse ego infinitamente carente que, em nome de falar sobre 'o trabalho', fica se promovendo", disse Kudrow.

Então, a sorte dos dois virou. "Friends" e "Sex and the City" foram sucesso de crítica e público e durante anos dominaram os prêmios Emmy e Golden Globe. "Eu via Lisa nas entregas de prêmios, de vestido longo, sentada na mesa ao lado", disse King.

"Analisávamos quem estava mais perto do palco e portanto tinha mais chances de vencer". Em 2004, os dois programas concluíram suas longas histórias e passaram a ser revendidos, com muito lucro. Depois de usufruir da licença artística da televisão a cabo --a possibilidade de usar o profano, a liberdade de fugir da comédia enlatada-- King estava temendo trabalhar em uma rede.

Enquanto isso, Kudrow, que vai fazer 42 anos em julho, recebia ofertas de trabalhos esquisitos em filmes independentes. Em "Friends", fazia o papel de uma moça mais jovem que ela, e agora recebia propostas de uma mulher "matrona" ou "irritada". Ela se lembrou da personagem da Atriz Favorita e reuniu-se com King no Polo Lounge, em Beverly Hills, para discuti-la.

Eles descobriram um interesse mútuo na ocupação repentina da televisão por programas de realidade, um conceito que nem existia quando suas séries de mega-sucesso entraram no ar.

"Quando via programas como 'The Amazing Race'", disse King, "eu me perguntava coisas como, 'quando estão no avião, onde estão as câmeras? Como isso acontece, de fato?' As pessoas têm tanta familiaridade com programas de realidade, talvez estejam interessadas em dar mais um passo atrás, no qual as câmaras são incluídas".

Assim "The Comeback" é propositalmente mal feito. Sua simulação desagradável da realidade --incluindo uma cena na qual se ouve o marido de Cherish defecando-- é de alguma forma mais verdadeira do que a televisão de realidade. "A câmera fica", disse Kudrow. "E passa do ponto do conforto", acrescentou King.

Parte da diversão do programa é que aborda a batalha de índices entre comédias tradicionais e os programas de realidade. Segundo o roteiro, "Valerie Cherish" chegou à fama com uma comédia chamada "I'm it!", que foi ao ar de 1989 até 1992.

"Uma comédia B", disse King. "Sabe esses programas que ficaram no ar durante anos e você nunca viu? 'I'm It!' é um desses. É de uma época diferente, quando as mulheres estavam por cima na televisão. Era tipo assim: 'Ela tinha tudo! Era uma advogada! Era sexy!'" King, que foi roteirista de "Murphy Brown" e "Cybill", ficou nostálgico de uma era da história da televisão quando "havia todo esse tipo de 'Philadelphia Story'".

"Os atores tinham longos monólogos, conversavam, conversavam e conversavam, todos tinham ternos e seus apartamentos tinham lindas vistas. Aonde foram? Aonde foram? Aonde foram?" brincou.

Em um dos momentos mais hilários do episódio piloto de "The Comeback", Valerie Cherish descobre que foi rebaixada do papel principal como arquiteta em uma nova série, chamada "Room and Bored" (sobre "quatro solteiras sexy em Manhattan Beach", uma alusão a "Friends" e "Sex and the City", disse King), para uma participação marginal e humilhante de "Tia Sassy", a síndica que mora no andar de cima como a Mrs. Roper em "Three's Company".

Uma câmera na cozinha de Valerie Cherish a captura praticando uma fala milhares de vezes, enquanto come um bolo de chocolate, tirado de uma geladeira cheia de refeições prontas.

"Ela me faz lembrar esses vendedores -c omo Willy Loman", disse Kudrow. "É só lhe dar um mínimo de respeito - uma gota - e ela realmente coopera."

King disse: "Não importa quanto ela conquiste, sempre vai haver uma atriz de 22 dois anos ao seu lado, porque Valerie Cherish não é verdadeira, não prestamos homenagem a qualquer coisa, exceto à história que queríamos contar, sobre como uma mulher pode ser triturada por sua própria necessidade."

Com o fim do almoço, Michael McCarty, proprietário do restaurante, veio prestar sua homenagem à estrela. "Que bom vê-la", disse ele. "Obrigado por ter vindo. Espero que tenha gostado. Coma sua salada."

"Você também" ,disse Kudrow educadamente. McCarty saiu.

"Você vê?" disse King em um sussurro. "É isso que Valerie Cherish quer. Isso a faria inteiramente feliz. Mas não vai acontecer. Queremos que as pessoas sintam a realidade desconfortável da realidade, contra a versão polida, melhorada da realidade na televisão." Deborah Weinberg

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