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18/05/2005

Força Aérea norte-americana quer desenvolver sistema de armas espaciais

The New York Times
Tim Weiner

Em Nova York
A Força Aérea, dizendo que deve assegurar o espaço para proteger a nação de um ataque, está buscando a aprovação do presidente Bush para uma diretriz de segurança nacional que poderá colocar os Estados Unidos mais próximos de implementar armas espaciais de ataque e defesa, segundo funcionários da Casa Branca e oficiais da Força Aérea.

Steve Cline/U.S. Air Force via NYT

Foguete Minotauro deixa o satélite espião XSS-11 em órbita, em abril
A mudança proposta seria uma mudança substancial na política americana. Ela quase certamente enfrentará a oposição de muitos aliados americanos e inimigos potenciais, que disseram que ela poderá criar uma corrida armamentista no espaço.

Um alto funcionário do governo disse que a nova diretriz presidencial substituiria uma política de 1996 do governo Clinton, que enfatizava o uso pacífico do espaço, incluindo apoio para satélites espiões para operações militares, controle de armas e pactos de não-proliferação.

Qualquer disposição de armas espaciais enfrentaria obstáculos financeiros, tecnológicos, políticos e diplomáticos, apesar de nenhum tratado ou lei proibir Washington de colocar armas no espaço, exceto armas de destruição em massa.

Uma diretriz presidencial é esperada em questão de semanas, disse um alto funcionário do governo, que está envolvido na política espacial e insistiu para que não fosse identificado, porque a diretriz ainda está sob revisão final e a Casa Branca ainda não revelou seus detalhes.

Oficiais da Força Aérea disseram na terça-feira que a diretriz, que ainda está em formato de esboço, não pede por uma militarização do espaço.

"O foco do processo não é colocar armas no espaço", disse a major Karen Finn, uma porta-voz da Força Aérea, que disse que a Casa Branca, e não a Força Aérea, elabora a política nacional. "O foco é ter livre acesso ao espaço."

Com pouco debate público, o Pentágono já gastou bilhões de dólares desenvolvendo armas espaciais e preparando planos para implementá-las.

"Nós não chegamos ao ponto de disparar ou bombardear do espaço", disse Pete Teets, que renunciou no mês passado como secretário da Força Aérea, em um simpósio de guerra espacial no ano passado. "Todavia, nós estamos pensando nesta possibilidade."

Em janeiro de 2001, uma comissão liderada por Donald H. Rumsfeld, na época o recém-nomeado secretário de Defesa, recomendou que as forças armadas deviam "assegurar que o presidente tenha a opção de dispor armas no espaço".

Ela disse que "uma diretriz de segurança nacional explícita e uma política de defesa são necessárias para guiar o desenvolvimento da doutrina, conceitos de operações e capacidades para o espaço, incluindo sistemas de armas que operem no espaço".

O esforço para desenvolver uma nova diretriz política reflete três anos de trabalho movido pelo relatório. A Casa Branca não disse se todas as recomendações do relatório seriam adotadas.

Em 2002, após considerar o relatório da comissão espacial de Rumsfeld, Bush se retirou do Tratado de Mísseis Antibalísticos de 30 anos, que proibia armas baseadas no espaço.

De lá para cá, a Força Aérea tem buscado uma nova política presidencial que ratifique oficialmente o conceito de busca pela superioridade americana no espaço.

A Força Aérea acredita que "nós devemos estabelecer e manter a superioridade espacial", disse recentemente o general Lance Lord, que lidera o Comando Espacial da Força Aérea, ao Congresso. "Colocando de forma simples, é a forma americana de lutar." A doutrina da Força Aérea define a superioridade espacial como "livre para atacar assim como livre de ser atacado" no espaço.

A missão exigirá novas armas, novos satélites espaciais, novas formas de realizar batalhas e, segundo algumas estimativas, centenas de bilhões de dólares. Ela enfrenta enormes obstáculos tecnológicos. E muitos dos aliados do país são contra a idéia de que o espaço seja uma fronteira americana.

Mas "parece haver pouca dúvida de que basear armas no espaço é um aspecto aceito pela Força Aérea" e que faz parte de seus planos para o futuro, disse o capitão David C. Hardesty, do corpo docente da Escola de Guerra Naval, em um novo estudo.

Uma nova estratégia da Força Aérea, o Ataque Global, pede por um avião espacial militar carregando armas com mira de precisão armadas com meia tonelada de munição. Lord disse ao Congresso no mês passado que o Ataque Global seria "uma capacidade incrível" para destruir centros de comando ou bases de mísseis "em qualquer parte do mundo".

Os documentos do Pentágono dizem que a arma, chamada de veículo aéreo comum, poderia atacar qualquer ponto do mundo a partir de um ponto eqüidistante em 45 minutos. "Este é o tipo de pronto Ataque Global que identifiquei como uma alta prioridade para nossa força espacial e de mísseis", disse Lorde.

O avanço da Força Aérea no espaço foi acelerado pelo fracasso do Pentágono em construir uma defesa antimísseis nucleares em terra. Após gastar 22 anos e quase US$ 100 bilhões, as autoridades do Pentágono disseram que atualmente não podem detectar e destruir uma ameaça de forma confiável.

"Nós já saímos da floresta? Não", disse o general de exército Trey Obering, que dirige a Agência de Defesa de Mísseis, em uma entrevista. "Nós ainda temos muito o que fazer, muitos testes a realizar."

Enquanto a Agência de Defesa de Mísseis luta com novas tecnologias para um laser baseado no espaço, a Força Aérea já tem uma arma potencial no espaço.

Em abril, a Força Aérea lançou o XSS-11, um microssatélite experimental com capacidade técnica para desativar satélites de comunicações e reconhecimento militar de outros países.

Outro programa espacial da Força Aérea, apelidado de Bastões de Deus, visa arremessar cilindros de tungstênio, titânio e urânio dos limites do espaço para destruir alvos em terra, atingindo velocidades de cerca de 11.500 quilômetros por hora e com a força de uma pequena arma nuclear.

Um terceiro programa refletiria raios laser em espelhos pendurados em satélites espaciais ou em imensos balões de altitude elevada, redirecionando raios letais contra alvos ao redor do mundo.

Um quarto busca transformar ondas de rádio em armas cuja potência poderia variar de "um tapa no ombro até torrar", nas palavras do plano da Força Aérea.

Hardesty, na nova edição do "Naval War College Review", pede por "uma análise militar abrangente" destes planos, seguida por um "debate público ainda maior".

"Prosseguir com armas baseadas no espaço tendo qualquer outra coisa como base seria o auge da insensatez", ele conclui, alertando que outros países --não necessariamente aliados-- seguiriam os americanos no espaço.

Apesar das objeções de membros do Congresso, que acham que "o espaço deve ser protegido e nenhuma arma jamais colocada no espaço", Teets, na época subsecretário da Força Aérea, disse no simpósio de guerra espacial, em junho passado, que "tal política deve ser promovida".

No mês passado, o general James E. Cartwright, que lidera o Comando Estratégico dos Estados Unidos, disse ao subcomitê de forças nucleares do Comitê de Serviços Armados do Senado que a meta de desenvolvimento de armas espaciais visa permitir que o país desfira um ataque "muito rapidamente, com prazos curtos de planejamento e disposição, em qualquer lugar na face da Terra".

O senador Jeff Sessions, republicano de Alabama, que é presidente do subcomitê, temeu que o veículo aéreo comum baseado no espaço poderia ser usado de uma forma que "poderia ser confundido como algum tipo de ataque contra, por exemplo, a Rússia".

"Eles poderiam pensar que se trata de um lançamento contra eles de talvez uma ogiva nuclear", disse Sessions. "Nós queremos nos certificar de que não haverá mal-entendido nisto antes de autorizarmos o prosseguimento com este veículo."

Cartwright disse que as forças armadas "forneceriam todas as oportunidades para assegurar que não se trata de um mal-entendido", e que o Ataque Global simplesmente visaria "expandir as escolhas oferecidas ao presidente em uma crise".

Altos oficiais militares e autoridades espaciais da União Européia, Canadá, China e Rússia já fizeram objeções públicas à idéia de superioridade espacial americana.

Eles acham que "os Estados Unidos não são donos do espaço --ninguém é dono do espaço", disse Teresa Hitchens, vice-presidente do Centro para Informação de Defesa, um grupo de análise de política em Washington que tende a ser crítico do Pentágono. "O espaço é uma região global comum segundo o tratado internacional e lei internacional."

Nenhuma nação "aceitará os Estados Unidos desenvolvendo algo que considerem como sendo uma estrela da morte", disse Hitchens em um encontro do Conselho de Relações Exteriores no mês passado.

"Eu não acho que os Estados Unidos considerariam muito reconfortante caso a China desenvolvesse uma estrela da morte, uma arma orbital que pudesse atacar alvos em solo em qualquer parte do mundo em 90 minutos."

Objeções internacionais à parte, Randy Correll, um veterano da força aérea e um consultor militar, disse ao conselho: "O grande problema agora é que é muito caro".

A Força Aérea não colocou um preço na superioridade espacial. Estudos publicados por importantes cientistas de armas, físicos e engenheiros colocaram o custo de um sistema baseado no espaço, capaz de defender a nação contra um ataque de um punhado de mísseis em qualquer lugar, entre US$ 220 bilhões e US$ 1 trilhão.

Richard Garwin, amplamente considerado como um dos decanos da ciência de armas americana, juntamente com três colegas, escreveram na edição de março da "IEEE Spectrum", uma revista profissional de engenharia elétrica, que "um laser baseado no espaço custaria US$ 100 milhões por alvo, em comparação a US$ 600 mil para um míssil Tomahawk".

"O impacto psicológico de tal golpe poderia rivalizar o de ataques devastadores como o de Hiroshima", eles escreveram. "Mas assim como o desencadeamento de armas nucleares teve conseqüências imprevisíveis, da mesma forma ocorrerá com a militarização do espaço. Além disso, cada um dos sistemas de armas espaciais propostos apresenta limitações físicas significativas, o que torna as alternativas mais eficazes e bancáveis."

Satélites de vigilância e reconhecimento são um componente crucial da superioridade espacial. Mas o maior novo programa de satélite espião, a Arquitetura Futura de Imagens, triplicou em preço, para cerca de US$ 25 bilhões, ao mesmo tempo produzindo menos do que o prometido, disseram empreiteiros militares.

Uma nova tecnologia espacial para detectar lançamentos inimigos já subiu para mais de US$ 10 bilhões em comparação aos prometidos US$ 4 bilhões, disse Teets ao Congresso no mês passado.

Mas Lord disse que tais problemas não devem ficar no caminho dos planos da Força Aérea de avançar no espaço.

"A superioridade espacial não é nosso direito de nascença, mas é nosso destino", ele disse em uma conferência da Força Aérea em setembro. "A superioridade espacial é nossa missão diária. A supremacia espacial é nossa visão para o futuro." Para críticos, projeto é caro e pode causar corrida armamentista George El Khouri Andolfato

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