UOL Notícias Internacional
 

19/05/2005

Leitura política amplia expectativa de 'Star Wars'

The New York Times
David M. Halbfinger

Em Los Angeles
Por simples falta de sutileza, as forças empunhadores de espada laser do bem e do mal dos filmes "Star Wars" de George Lucas não conseguem chegar aos pés das forças de "blogging", propaganda e boicote da direita e esquerda. (Ou esquerda e direita.)

Mais uma medida da guerra política aparentemente permanente do país do que da intenção do cineasta, os heróis e anti-heróis do capítulo final de Lucas, "Episódio 3 -A Vingança dos Sith", estavam se transformando em personagens do debate partidário nesta quarta-feira (18/05), horas antes da estréia do filme, após a meia-noite:

  • O grupo de defesa liberal Moveon.org estava se preparando para gastar US$ 150 mil para a exibição de propagandas na CNN ao longo dos próximos dias --e distribuir panfletos entre o público nas filas dos cinemas-- comparando o senador Bill Frist, republicano do Tennessee, o líder da maioria, ao maligno chanceler Palpatine do filme, pelo papel de Frist na disputa no Senado em torno da confirmação de juízes federais.

  • Os blogs conservadores estavam atacando Lucas pelos supostos ataques do filme contra o presidente Bush --como quando Anakin Skywalker, a caminho de se tornar o maligno Darth Vader, alerta: "Se você não está comigo, você é meu inimigo", em um eco do ultimato pós-11 de setembro de Bush --"Ou vocês estão conosco, ou estão com os terroristas".

  • Um site conservador pouco visitado sobre cinema, Pabaah.com --"Americanos Patriotas Boicotando a Hollywood Antiamericana"-- acrescentou Lucas à sua lista de artistas boicotados, juntamente com mais de 200 outros, incluindo Jane Fonda, Susan Sarandon, Sean Penn e as Dixie Chicks.

  • Mesmo o site Drudge Report entrou em cena: sob um foto de Darth Vader, ele comparou o corpo de imprensa da Casa Branca aos vingativos Sith, após os repórteres terem fuzilado de perguntas um secretário de imprensa pela pressão sobre a revista "Newsweek" para "reparar os danos" no mundo muçulmano, causados por uma reportagem sobre a profanação do Alcorão da qual se retratou.

    Não há nada de novo ou criativo, é claro, em políticos fazerem uso de filmes populares para marcar pontos; lembre de Ronald Reagan usando a metáfora do "império do mal" contra o bloco soviético, ou seus críticos satirizando suas idéias de defesa antimísseis como algo saído de "Guerra nas Estrelas".

    E o senador John McCain do Arizona, uma espécie de republicano rebelde, comparando sua campanha nas primárias de 2000 à luta de Luke Skywalker na Estrela da Morte.

    Mas é altamente incomum um filme popular de Hollywood mergulhar na política antes mesmo de sua estréia --apesar de isto ter ocorrido com "O Dia Depois de Amanhã" da 20th Century Fox, com sua visão apocalíptica das conseqüências do aquecimento global, que defensores incluindo o Moveon.org e Al Gore usaram para protestar contra a política ambiental do governo Bush.

    Como regra, os estúdios de Hollywood não medem esforços para garantir que seus projetos --tanto em estágio de desenvolvimento e especialmente quando estão posicionados no mercado-- estejam livres de mensagens que possam ser ofensivas a qualquer grande fatia do público freqüentador de cinema. Como, digamos, pessoas que votam em um partido político ou outro.

    Tudo isto coloca em questão a decisão de Lucas de estrear o final de "Star Wars" no festival de cinema de Cannes. Afinal, a França às vezes é chamada de o maior de todos os Estados azuis (democratas).

    E o que Lucas estava pensando --que não pôde ser contatado para comentários na quarta-feira-- quando disse para uma platéia em Cannes que não tinha como saber ao conceber a trama do filme anos atrás que os fatos poderiam estar tão próximos de sua ficção?

    Referindo-se aos comentários de Michael Moore sobre "Fahrenheit 11 de Setembro" em Cannes no ano passado, Lucas brincou: "Quem sabe o filme sirva para despertar as pessoas para a situação".

    Aparentemente de forma séria, ele disse em seguida que concebeu a história de "Star Wars" durante a Guerra do Vietnã. "Os paralelos entre o que fizemos no Vietnã e o que estamos fazendo atualmente no Iraque são inacreditáveis", ele disse para apreço da platéia.

    Peter Sealey, um ex-chefe de marketing da Columbia Pictures, disse que o cabo de guerra partidário em torno do novo episódio de "Star Wars" parece absurdo, comparando as interpretações políticas a um teste de Rorschach.

    Mas ele disse que Lucas provavelmente foi esperto ao adicionar controvérsia e relevância a um filme que, caso contrário, poderia obter publicidade apenas por sua eficácia como entretenimento.

    "Ele poderia ter dito: 'Isto é ridículo --estes são os chapéus brancos e os chapéus pretos dos anos 50 no espaço' e encerrado o assunto", disse Sealey, que leciona marketing de entretenimento na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

    "Ele fez isso? Não, e provavelmente foi esperto. Se ele conseguir inserir 'Star Wars' no debate em torno do unilateralismo e da guerra no Iraque, isto lhe dá um caráter atual. E eu não acho que isto afastará o público."

    De fato, é extremamente improvável que toda a ladainha online e pedidos organizados de boicote afetarão significativamente os resultados de bilheteria do filme. Pessoas de dentro de Hollywood estimam que "Episódio 3" terá uma bilheteria de US$ 120 milhões ou mais em seus primeiros quatro dias de exibição.

    Mas Sealey disse que outros cineastas e pessoal de marketing podem fazer bem em inspecionar seus filmes em busca de mensagens políticas latentes antes que o público o faça por eles.

    Ele notou que um executivo de marketing da Universal Pictures deu uma palestra em sua aula de marketing sobre "King Kong", que será lançado no final deste ano.

    "Há algum tom político nele?" disse Sealey. "Eu suspeito que ele está pensando nisto agora. As sensibilidades políticas são tão grandes que você precisa levar isto em consideração. Alguém vai fazer uma leitura de que 'King Kong' é pró-Iraque, ou será que vai irritar o Peta?" disse ele, referindo-se à organização de direitos dos animais, Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais. "A Vingança dos Sith" seria uma crítica velada aos republicanos? George El Khouri Andolfato
  • Siga UOL Notícias

    Tempo

    No Brasil
    No exterior

    Trânsito

    Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,28
    3,182
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,29
    64.676,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host