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19/05/2005

Prefeito de NY quer gastar bilhões com estádio

The New York Times
Bob Herbert

Em Nova York
NYT Image

Bob Herbert é colunista
Acreditem em mim. Isso será uma perda de tempo e de dinheiro de dimensões colossais.

Eis a primeira coisa que você precisa saber a respeito do insanamente caro estádio de futebol (US$ 2,2 bilhões, e o preço não pára de aumentar) que o prefeito Michael Bloomberg e o governador George Pataki desejam construir na região de West Side, em Manhattan, para Robert Wood Johnson IV, o bilionário dono dos New York Jets.

O pátio ferroviário no qual o estádio deve ser construído pertence à Autoridade de Transporte Metropolitano (MTA, na sigla em inglês), e os direitos de construção, segundo avaliação dos próprios especialistas da MTA, custam US$ 923 milhões.

Mas a MTA concordou em vender os direitos sobre essa propriedade pública a Johnson e aos Jets por apenas US$ 250 milhões. Isso é um subsídio de quase US$ 700 milhões para o amigo fabulosamente rico do prefeito.

Quando se acrescenta esse subsídio aos US$ 600 milhões em verbas públicas que o prefeito e o governador prometeram desde o início fornecer a Johnson, estamos falando de um presente de US$ 1,3 bilhão.

Os crápulas costumavam fazer esse tipo de armação em salas ocultas, enquanto se preocupavam com as manchetes dos jornais, os processos judiciais e as algemas. Agora eles descobriram como fazer tal coisa legalmente.

Gene Russianoff é um homem bem visto e de boas maneiras que passou duas décadas zelando pelos interesses dos nova-iorquinos que dependem dos meios de transporte de massa. A sua reação a essa dedada no olho da população foi de uma dureza incomum.

Em um depoimento na Justiça, Russianoff, advogado da Campanha pelos Passageiros do Grupo de Pesquisa dos Interesses do Povo de Nova York, disse:

"Essa proposta de venda de um imóvel de US$ 923.400.000 por uma autoridade pública estadual por um valor de US$ 210 milhões (mais tarde aumentado para US$ 250 milhões) é uma vergonha e uma violação do dever da MTA de agir de acordo dos os melhores interesses do povo do Estado de Nova York e do nosso sistema de transporte público".

O fato de a MTA, com o seu orçamento hemorrágico, estar disposta a doar centenas de milhões de dólares aos Jets vai além do absurdo. Nos últimos dois anos a empresa aumentou as passagens, reduziu os serviços no metrô e as linhas de ônibus, fechou dezenas de bilheterias nas estações de metrô, cortou gastos com manutenção e limpeza, e submeteu os seus passageiros a uma longa série de grandes incêndios, distúrbios e quebras.

Essa é a primeira coisa que você precisa saber.

A segunda é que dificilmente algum contribuinte comum ou passageiro que subsidia esse playground reluzente no rio Hudson será capaz de assistir aos Jets jogando no estádio. Este não é um Yankee Stadium, no qual é possível assistir de fato a um jogo.

A menos que já tenha adquirido previamente os ingressos para toda a temporada (ou a menos que seja rico para arcar com as despesas de um dos inacreditavelmente caros camarotes de luxo), você não deu sorte.

O Website dos Jets não poderia ser mais claro quanto a isso. Sob o título "Política de Lista de Espera", ele diz: "Os ingressos para os jogos do New York Jets são vendidos por temporada. NÃO há oferta de ingressos individuais. Se você não possui ingressos para toda a temporada, pode entrar na nossa lista de espera. Atualmente há 10 mil pessoas na nossa lista de espera".

O indivíduo precisa pagar US$ 50 anuais apenas para aguardar na lista de espera. A espera é de aproximadamente dez anos. E, após aguardar dez anos, você só pode adquirir, no máximo, quatro ingressos.

Será que isso parece ser um bom negócio em se tratando de um estádio pelo qual você está ajudando a pagar?

O que temos aqui é um proprietário multibilionário de uma franchise esportiva que faz tanto sucesso que todos os ingressos foram completamente vendidos por uma década.

E ele tem a cara de pau de vir até a cidade e o Estado de Nova York com a mão estendida. É como se Donald Trump pedisse à organização Parceria pelos Sem-Teto que o ajudasse a financiar a construção de uma das suas torres de luxo.

A terceira coisa que você precisa saber a respeito desse estádio é que ele faz parte de um esquema proposto para o desenvolvimento da área de Far West Side, que competirá diretamente com as grandes iniciativas para a reconstrução da área do centro da cidade devastada pelos ataques de 11 de setembro. As conseqüências disso ainda não foram integralmente analisadas pelos defensores do estádio.

Sheldon Silver, o presidente da Assembléia Estadual e uma das três principais autoridades estaduais que precisam aprovar o estádio, disse que o conflito potencial entre o projeto para West Side e a recuperação do "marco zero e adjacências" (que ele representa) é um dos vários motivos para que acredite que a proposta do estádio "não faz sentido".

No entanto, ele diz que gosta de Bloomberg, e que o prefeito fez do estádio "uma questão".

Isso certamente ocorreu. Woody Johnson quer o estádio, e Bloomberg deixou claro que está disposto a mover os céus e a terra para dá-lo ao amigo. Manobra beneficia amigo rico de Bloomberg e pune a população Danilo Fonseca

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