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20/05/2005

Porto-riquenho espera repetir sucesso latino em LA e ser eleito prefeito de NY

The New York Times
Diane Cardwell* e Jonathan P. Hicks

Em Nova York
Usando a eleição de Antonio Villaraigosa como novo prefeito de Los Angeles, Fernando Ferrer, que está concorrendo à prefeitura de Nova York, saudou a vitória de seu colega latino como "uma prova do esforço dele para construir uma coalizão de ampla base" que "unirá as pessoas" naquela cidade multiétnica.

Se Ferrer quiser ser eleito o primeiro prefeito latino de Nova York, uma coisa que ele não pode se dar ao luxo de fazer é perder terreno junto aos eleitores latinos.

E apesar de ainda ser cedo na disputa, estrategistas políticos e seus oponentes acreditam que ele pode ser vulnerável entre os latinos com os quais está contando para formar uma coalizão multiétnica.

A população latina de Nova York já foi dominada por porto-riquenhos como Ferrer, mas está crescendo em diversidade, e outros candidatos à prefeitura já estão buscando conquistar sua base latina.

Na última segunda-feira (16/05), o prefeito Michael R. Bloomberg iniciou uma bateria de propagandas que o exibem falando espanhol.

Os mexicanos se queixaram de terem sido ignorados por Ferrer. Um dos oponentes de Ferrer na primária democrata, C. Virginia Fields, a presidente do distrito de Manhattan, está trabalhando para obter o apoio do considerável eleitorado dominicano da Alta Manhattan, e ela até mesmo conta com um grupo de nova-iorquinos latinos trabalhando para levantar fundos para sua campanha.

As pesquisas mostram que Ferrer ainda está liderando por pequena margem o campo democrata de quatro candidatos à prefeitura, e em 2001, as pesquisas de boca-de-urna mostraram que ele recebeu 72% do voto latino nas primárias e 84% no segundo turno democrata contra Mark Green.

Desta vez, ele tem buscado dar à sua campanha o senso de importância histórica nacional que ajudou a alimentar a campanha vitoriosa de Villaraigosa.

Mas seus esforços para atrair a atenção nacional para sua candidatura e os dólares de simpatizantes latinos de todo o país não parecem estar surtindo efeito.

Segundo os mais recentes dados fornecidos à Junta de Financiamento de Campanha da cidade, Ferrer lidera o grupo na arrecadação de fundos oriundos de fora da cidade de Nova York, mas está atrás do deputado Anthony D. Weiner no percentual de contribuições de fora da área de Nova York, Nova Jersey e Connecticut.

Isso sugere que grande parte das doações para Ferrer vindas de fora da cidade vem dos subúrbios e não refletem uma base de arrecadação de fundos realmente nacional.

Analistas políticos e autoridades eleitas alertam que ainda é cedo e que, no final, os latinos provavelmente votarão no candidato com um sobrenome semelhante ao deles.

E, argumentam seus estrategistas, quatro anos atrás o apoio a Ferrer entre os latinos também parecia morno nos meses que antecederam as primárias, quando um enorme crescimento dos votos latinos --basicamente o dobro do visto em primárias anteriores-- ajudou a levá-lo ao primeiro lugar, apesar de eventualmente ter perdido o segundo turno democrata.

Ainda assim, já que a eleição provavelmente será apertada, analistas dizem que qualquer margem, por menor que seja, contará, e que a menos que Ferrer possa recriar o entusiasmo entre os latinos, será difícil prevalecer.

"A competição se concentrará no comparecimento do eleitor", disse Rodolfo O. De La Garza, um professor da Universidade de Colúmbia que tem estudado os padrões de votação étnicos na cidade.

"Sua mais recente campanha foi como a campanha de David Dinkins, e havia um impulso e uma energia onde ele não precisava concorrer como porto-riquenho, mas todos sabiam que era disto que se tratava", ele continuou. "Eu acho que o momento porto-riquenho acabou, de forma que agora é uma disputa muito mais aberta."

Apesar da população latina ter crescido constantemente em Nova York, os porto-riquenhos não mais representam uma porção tão grande deste grupo.

Em 1990, segundo dados de censo fornecidos pelo Queens College, os porto-riquenhos representavam quase 50% do total da população latina da cidade. Em 2000, tal proporção encolheu para quase 38%, enquanto os dominicanos subiram de 19% para quase 25% e os mexicanos e muitos centro e sul-americanos também aumentaram sua parcela. Tais tendências parecem continuar.

"Meu palpite é de que Ferrer obterá grande parte do voto porto-riquenho, mas como ele se sairá entre os dominicanos, equatorianos, colombianos e outros grupos, eu não sei", disse o dr. Andrew A. Beveridge, um demógrafo do Queens College, apontando que, em Los Angeles, a população latina é predominantemente mexicana, e o prefeito eleito também é mexicano.

Mas, acrescentou Beveridge, os porto-riquenhos são cidadãos e aqueles que vivem aqui têm o direito de votar, diferente de outros grupos latinos com altas concentrações de novos imigrantes. "É uma coisa muito complicada."

E as disputas em Nova York e Los Angeles são enormemente diferentes. O prefeito em exercício de Los Angeles, James K. Hahn, era visto como um líder sem brilho que afastou alguns eleitorados chaves, particularmente os eleitores negros.

Bloomberg, por outro lado, tem cortejado assiduamente diferentes segmentos do eleitorado em busca de apoio, gastando milhões de dólares de sua fortuna para citar a recuperação da cidade dos ataques de 11 de setembro, a continuidade do declínio da criminalidade e seus esforços para melhorar as escolas públicas.

Os estrategistas de Ferrer apontam que em 2001, quando parecia existir um desencanto semelhante com sua candidatura até poucos dias antes da primária, latinos de todos os tipos o apoiaram em proporções quase idênticas, um padrão que persiste até hoje, segundo seu analista de pesquisa, Jefrey Pollock.

"Em 2001, a campanha foi tomada por informações que diziam como os não porto-riquenhos estavam menos empolgados com Freddy", disse Pollock. "Mas aquilo nunca foi apoiado por dados."

Todavia, muitos líderes políticos e analistas questionam se desta vez a campanha de Ferrer poderá gerar apoio e empolgação forte o suficiente para atrair o tipo de comparecimento recorde que poderá lhe assegurar uma vitória.

"Ele não tem conseguido consolidar o apoio da comunidade latina", disse Ydanis A. Rodriguez, o diretor do programa preparatório para a universidade em Washington Heights e um organizador de um recente evento para arrecadar fundos para Fields.

"Eu acredito que muito disto tem a ver com os comentários que ele fez sobre Diallo", ele acrescentou, se referindo à declaração de Ferrer de que os disparos fatais feitos pela polícia contra o desarmado imigrante africano Amadou Diallo não constituíam um crime.

Rodriguez acrescentou que na área altamente dominicana de Washington Heights, muitos dos líderes políticos que apoiaram Ferrer quatro anos atrás não o estão apoiando desta vez.

Guillermo Linares, o primeiro dominicano eleito para um cargo em Nova York, agora trabalha para Bloomberg, disse ele, e um clube político democrata em Washington Heights endossou Gifford Miller.

Ainda assim, os simpatizantes ferrenhos de Ferrer prevêem que ele eventualmente obterá o apoio quase total dos eleitores latinos democratas.

"Eu acho que ele está se saindo muito melhor, e todos nas comunidade latina estão ficando cada vez mais empolgados com sua candidatura", disse o vereador Ruben Diaz Jr., um democrata do Bronx.

Diaz disse que os eleitores latinos provavelmente apoiarão Ferrer em resultado das críticas. "Muitos latino acreditam que tais ataques são injustos, e estão começando a olhar para Freddy como um membro da família que tem sido maltratado."

*Colaborou Mike McIntire com reportagem. Fernando Ferrer disputa primárias para ser o candidato democrata George El Khouri Andolfato

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