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21/05/2005

Darth Vader tem valores familiares contraditórios

The New York Times
John Tierney

Em Nova York
NYT Image

John Tierney é colunista
Onde quer que esteja, Adam Smith, ligue para seu agente. Darth Vader está roubando seu melhor material. O novo capítulo de "Star Wars" tem provocado o enfadonho bate-boca vermelho-azul, entre republicanos e democratas, com os liberais usando o filme para atacar os republicanos, e alguns conservadores pedindo o seu boicote.

Mas --e eu sei que é difícil acreditar para um filme com personagens chamados general Grievous e conde Dookan-- há realmente uma séria lição bipartidária sobre o lado negro da política.

Se você puder suportar os infindáveis duelos de sabre de luz e diálogos robóticos, você finalmente verá o que transformou Anakin Skywalker em Darth Vader.

Ele buscava se tornar um cavaleiro jedi que usaria a Força para o bem, mas ele é traumatizado, primeiro pelo assassinato de sua mãe, depois pela visão de que sua esposa morrerá no parto.

Seus temores são manipulados pelo chanceler Palpatine, o líder do Senado (que está sendo comparado ao senador Bill Frist nos comerciais da organização progressista Moveon.org).

Quando este político insinuante diz a Anakin que o lado negro da Força é mais poderoso, Anakin inicialmente protesta que aqueles que se voltam para ele costumam pensar "apenas em si mesmos", enquanto os jedi são "desprendidos" e "apenas se importam com os outros".

Ele diz que nunca poderia trair os jedi porque são sua família, mas então o chanceler coloca a questão da família em perspectiva: "Aprenda a conhecer o lado negro da Força, Anakin, e você será capaz de salvar sua esposa da morte certa". Anakin logo reconhece os limites do altruísmo, assim como Adam Smith fez no século 18.

Smith sabia que algumas pessoas professavam amor por toda a humanidade, mas ele percebeu que o amor de um homem pelos "membros de sua própria família" é "mais preciso e determinado do que para com a maior parte das outras pessoas".

Daí seu famoso alerta para não contar com a gentileza de estranhos fora de sua família: se você quiser pão, é melhor contar com o interesse próprio do padeiro do que com sua generosidade.

Este nunca foi um conselho popular porque o egoísmo não é admirado nas sociedades humanas assim como não é entre os cavaleiros jedi. Nós sabemos que ele existe, mas ele parece errado.

Nós nascemos com um instinto altruísta porque evoluímos em clãs de caçadores-coletores que não teriam sobrevivido se não ajudassem uns aos outros nos tempos difíceis.

O resultado é um duradouro paradoxo político: nós não mais vivemos em clãs pequenos o bastante para que o altruísmo seja prático, mas ainda respondemos a políticos que prometem tornar todos nós parte de uma grande comunidade desprendida.

Nós queremos que todos estejam unidos por um conjunto compartilhado de valores, um anseio que Daniel Klein, um economista, apelida de Romance Popular na edição de verão do "The Independent Review".

O Romance Popular é sua explicação para o motivo de tantos americanos terem passado a amar o grande governo ao longo do século passado. Seus objetivos específicos divergiam em Washington --os liberais destacavam caridade e programas sociais para todos, enquanto os conservadores promoviam o patriotismo e os gastos em segurança nacional-- mas ambos expandiam o governo em sua busca por um senso nacional de propósito compartilhado.

Mas o resultado não foi uma comunidade feliz, porque os Estados Unidos não são um clã com valores compartilhados. É um imenso grupo de estranhos com líderes que dificilmente são altruístas --eles têm suas próprias famílias e necessidades.

Tocqueville reconheceu o problema inerente com o Romance Popular quando descreveu os impulsos contraditórios dos cidadãos de serem livres e ao mesmo tempo desejarem um governo "unitário, protetor e todo-poderoso".

As pessoas tentam resolver esta contradição, escreveu Tocqueville, dizendo a si mesmas que a democracia as torna mestres dos políticos, mas logo descobrem que a Força não está com elas, especialmente se estiverem na minoria.

Os republicanos costumavam reclamar inutilmente contra os democratas por taxá-los para programas sociais destrutivos e por reprimir suas liberdades econômicas; agora os democratas se queixam do dinheiro gasto na guerra no Iraque e da ameaça da Lei Patriota às liberdades civis.

Para estes democratas, a frase-assinatura neste "Star Wars" é a falada depois que o chanceler, citando ameaças à segurança, consolida seu poder declarando que a república deve se tornar um império. A senadora Padme escuta seus colegas aplaudirem e diz: "Então é assim que a liberdade morre, com aplauso trovejante".

Ela está enojada deles, mas o entusiasmo deles é compreensível. O chanceler explorou o desejo primordial deles de estarem unidos em um grande clã com um propósito comum. Eles estão sofrendo do Romance Popular. Opção pelo totalitarismo imperial expõe nostalgia da grande aldeia George El Khouri Andolfato

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