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22/05/2005

Com vinte e poucos anos e confuso? Bem-vindo à crise dos 25

The New York Times
Alyson Martin

Em Albany, Nova York
Erin Underwood tem evitado falar de formatura há várias semanas. Se o assunto vem à tona em uma conversa, elas e suas amigas mudam a conversa para futuras festas e viagens de última hora.

Underwood, como muitos estudantes universitários, está em uma encruzilhada. O último convite da festa de quatro anos. O grande salto para a idade adulta.

A jovem de 21 anos de Syracuse, Nova York, chegou ao College of Saint Rose sabendo que queria um diploma de espanhol. Mas empréstimos estudantis no valor de US$ 35 mil, um apartamento, um novo Saturn e contas de mercado, energia e outras a deixaram um tanto ansiosa sobre a formatura.

Há um nome para tal ansiedade: a crise dos 25 anos.

É o período de incerteza e medo enfrentado por aqueles com vinte e poucos anos. Sim, vinte e poucos.

Considere a dificuldade deles:

- 65% dos alunos do último ano dos cursos universitários em 2005 esperam morar com seus pais após a formatura, segundo a Twentysomething Inc., uma firma de pesquisa de mercado de Radnor, Pensilvânia.

- O número médio de empregos que uma pessoa tem entre as idades de 18 anos e 32 anos saltou para 8,6%, segundo o Birô de Estatísticas do Trabalho.

- 10,9% das pessoas com idades entre 20 e 24 anos estavam desempregadas em setembro de 2003 em comparação a 6,7% em setembro de 2000. O índice de desemprego para pessoas com idades entre 25 e 34 anos saltou para 6,3% em comparação a 3,7% durante o mesmo período.

- Mais de 40% dos estudantes universitários se formam devendo mais de US$ 20 mil em empréstimos estudantis. Entre os estudantes que se formam com diplomas de doutorado, mais de 60% têm mais de US$ 30 mil em dívidas de empréstimo estudantil, segundo o Projeto Ensino Superior do New York Public Interest Group.

Isto não é exatamente o que a maioria dos estudantes universitários previa que seria seus 20 e poucos anos, disse Alexandra Robbins, autora de "Conquering Your Quarterlife Crisis" ("vencendo a crise dos 25", Perigee Books; US$ 14,95; 234 páginas), publicado no outono passado. O livro é uma seqüência de "A Crise dos 25", que ela escreveu com Abby Wilner em 2001.

A crise dos 25 anos, disse Robbins, 28 anos, se trata de descobrir quem você é. Quando amigos de faculdade que moravam no quarto ao lado por quatro anos repentinamente cruzam o país, e vidas estruturadas ocupadas com provas e trabalhos deixam de existir, as pessoas com 20 e poucos anos se tornam temerosas, disse Robbins.

"Eu estou preocupada principalmente com a possibilidade das coisas não funcionarem. Eu estou preocupada financeiramente. Eu tive três empregos neste ano, e mal consegui me sustentar", disse Underwood.

E para alguns recém-formados, o que antes era um sonho de criança se torna atualmente um pouco mais nebuloso. Eles devem viajar agora, que são jovens e não têm nada que os prenda, ou devem procurar um emprego e começar a economizar dinheiro? Eles devem esperar pelo emprego dos seus sonhos, ou se estabelecer no primeiro que encontrarem e progredirem a partir daí? Como saber que a decisão que tomarem será a certa?

Tais tensões criam uma tensão que alimenta sentimentos de estresse e ansiedade. "É um tremendo choque cultural passar de 16 anos ou mais em um ambiente acadêmico para o 'mundo real'", disse Robbins. "Qualquer ansiedade ou temor que tiverem é completamente normal."

Underwood encontrou um emprego como secretária administrativa no College of Saint Rose. Sua meta é se tornar uma orientadora para estudos no exterior. Apesar de dizer que está empolgada por, diferente de muitas de suas amigas, já ter seu futuro imediato mapeado, uma percepção repentina tomou conta dela.

"Eu vou trabalhar pelo restante da minha vida. Eu vou trabalhar até me aposentar", disse Underwood.

Mary Ellen Schwarz é uma aluna do quinto ano do College of Saint Rose que deseja ser uma designer. "É a mudança que realmente me incomoda. Não saber para onde estou indo. É divertido e empolgante de certa forma, porque com alguns diplomas, você pode fazer qualquer coisa, ir praticamente para qualquer lugar. Mas ainda assim é muito assustador", disse Schwarz.

Mas uma crise?

"Eu não sei se é uma crise", disse Perry Jones, direto executivo e pastor da Missão da Cidade de Albany que orienta jovens. "Isto faz parte de crescer nesta sociedade. Gerações anteriores tomaram decisões muito rígidas e se ativeram a elas. Esta geração não vê seus 20 e poucos anos como um momento para tomar decisões firmes. É definitivamente uma diferença de geração."

Muitos leitores mais velhos do primeiro livro de Robbins questionaram chamar isto de uma "crise" de 25 anos. "Não era para ser levado tão a sério, era para ser um nome chamativo, eu acho, para fazer outras pessoas da minha idade se sentirem corroboradas", disse Robbins. "Eu acho que agora já há menos estigma associado a admitir que há um lado sombrio nos seus 20 e poucos anos, mas eu não acho que adultos mais velhos já a aceitaram como uma questão válida de transição."

Mas a boa notícia, promete Lisa Smith, 33 anos, é que as coisas melhoram.

"Eu definitivamente passei por uma crise de 25 anos", disse Smith, de Albany. "Eu fui para uma pequena faculdade liberal de artes que se concentrava bastante na questão 'Quem sou eu?' Foi difícil integrar aquele estilo de vida ao mundo real quando concluí o curso."

Smith entrou para um convento por três anos e também freqüentou um curso de massagem. Ela trabalhou como secretária mas recentemente deixou o emprego para voltar a estudar para se tornar uma assistente social. Ela disse que se cercar de pessoas que compartilham os mesmos ideais e fazer diariamente algo que ama a ajudou a lidar com as mudanças da vida.

"Não se desespere", acrescentou Smith. "Amigos sempre me disseram que a vida fica melhor aos 30. Eles estavam certos. Eu adoro meus 30."

Outra dica de Robbins: livre-se dos prazos de idade.

"Muitos de nós fixam metas importantes a idades", disse ela. "Eu acho que isto apenas adiciona pressão. Muitas destas metas envolvem pessoas ou questões que não controlamos." George El Khouri Andolfato

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