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25/05/2005

O que as mulheres querem?

The New York Times
John Tierney

Em Nova York
NYT Image

John Tierney é colunista
Suponha que você possa eliminar os fatores muitas vezes responsabilizados pela ausência de mulheres em cargos bem pagos. Suponha que as promoções e aumentos não dependessem de agradar chefes machistas ou trabalhar noite adentro e finais de semana fora de casa.

As mulheres ganhariam tanto quanto os homens?

Economistas tentaram recentemente descobrir a resposta, em um experimento em Pittsburgh, pagando a homens e mulheres para somarem cinco números de cabeça.

Em princípio, eles trabalharam individualmente, fazendo o máximo de contas possível em cinco minutos e recebendo US$ 0,50 (em torno de R$ 1,20) por cada resposta correta. Depois, competiram em torneios de quatro pessoas, com o vencedor ganhando US$ 2 (cerca de R$ 4,50) por resposta correta.

Na média, as mulheres ganharam tanto quanto os homens nos dois sistemas. Mas quando puderam escolher se a próxima rodada seria individual ou uma competição, a maior parte das mulheres preferiu não competir, mesmo as que tinham se saído melhor anteriormente. A maior parte dos homens escolheu o torneio, mesmo os que tinham se saído pior.

A vontade dos homens em parte partiu de um excesso de confiança, já que, na média, os homens se julgaram muito bons e as mulheres foram mais modestas.

Mas as entrevistas e experimentos posteriores convenceram as pesquisadoras, Muriel Niederle, de Satanford, e Lise Vesterlund, da Universidade de Pittsburgh, que a diferença de gênero não se devia à insegurança da mulher sobre sua capacidade. Devia-se à diferença no apetite por competição.

"Mesmo nas tarefas em que se saem bem, as mulheres parecem evitar a competição, enquanto os homens parecem adorá-la", disse Niederle. "Os homens que não se saíram bem na tarefa perderam dinheiro na competição, e as mulheres realmente boas deixaram de ganhar muito dinheiro por não entrarem nos torneios que teriam vencido."

Pode-se argumentar que essa diferença se deve a influências sociais, apesar de eu suspeitar que seja em grande parte inata, um subproduto da evolução e da testosterona. Qualquer que seja a causa, isso ajuda a explicar por que os homens vêem a hierarquia corporativa tradicional como uma competição sem fim, e por que essa estrutura não faz mais sentido.

Atualmente, tantos funcionários (e mais da metade dos jovens recém-formados) são mulheres, que dirigir uma empresa como se fosse um grande torneio aliena alguns dos funcionários mais talentosos e potenciais executivos. Também induz a competição em situações onde a cooperação faz mais sentido.

O resultado não é bom, como demonstrado por um estudo da organização de pesquisa Catalyst, mostrando que grandes firmas dão maiores retornos aos acionistas se tiverem mais mulheres na chefia. Um amigo meu, homem de negócios que compra empresas, me disse que uma das primeiras coisas que avalia é o sexo do chefe.

"As empresas dirigidas por mulheres têm chance muito maior de sobrevivência", disse ele. "Em geral, quando um homem monta uma empresa é um líder competitivo e carismático --é sempre o principal vendedor da empresa. Se ele sai, porém, leva seus seguidores, e a empresa acaba. As mulheres diretoras sabem como contratar bons vendedores e criar uma cultura saudável dentro da empresa. Além disso, não gastam 20% do seu tempo em bares."

Mesmo assim, apesar de todos os talentos executivos das mulheres, apesar de todas as mudanças que estão ocorrendo no mundo corporativo, sempre haverá alguns empregos que as mulheres, em geral, não desejam tanto quanto os homens.

Alguns dos que melhor remuneram requerem uma competição ensandecida e a disposição para grandes perdas --falência, nunca ver sua família e amigos, morrer jovem.

As mulheres no experimento que não quiseram participar nos torneios de cinco minutos provavelmente também não vão querer passar 16 horas por dia em um pregão em Wall Street. Não é justo negar às mulheres a chance de ocupar esses cargos, mas não é realista esperar que elas os procurem com a mesma freqüência que os homens.

Durante duas décadas, acadêmicos que defendiam a igualdade no local de trabalho ficaram espantados com as pesquisas mostrando que as mulheres estavam tão satisfeitas com seus empregos e seus salários quanto os homens. Isso é chamado de "paradoxo da funcionária contente".

Mas talvez não seja tamanho paradoxo.

Talvez as mulheres, como as que evitaram as competições experimentais, saibam que poderiam ganhar mais em alguns empregos, mas que não gostariam de competir por eles tanto quanto seus rivais homens. Elas entendem, melhor que os homens, que na vida há muito mais em jogo do que dinheiro. Elas ganham menos que os homens porque não gostam de competir Deborah Weinberg

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