UOL Notícias Internacional
 

27/05/2005

Aumenta uso de cirurgias de estômago para perda de peso

The New York Times
Barnaby J. Feder

Em Nova York
Ben Zuckerman, um executivo de engarrafamento de 57 anos de King Of Prussia, no Estado da Pensilvânia, não ficou surpreso no final do ano passado ao descobrir que carregava mais de 130 quilos em seu corpo de 1,84 metro. Zuckerman disse que podia atribuir isto a décadas de excesso de comida e dietas fracassadas.

Mas ele ficou preocupado com a ocorrência dos problemas de saúde freqüentemente vinculados à obesidade, como interrupções noturnas de respiração, potencialmente letais, conhecidas com apnéia do sono. "Eu disse a mim mesmo que era loucura e que estava matando a mim mesmo", disse ele.

Ainda assim, ele não conseguia enfrentar os riscos, dor e lenta recuperação resultante daquele que geralmente é considerado o mais eficaz tratamento para obesidade que os médicos têm a oferecer --cirurgia bariátrica para reduzir a capacidade do estômago e encurtamento do intestino delgado.

Em vez disso, ele optou no mês passado em viajar para o Lenox Hill Hospital em Nova York para uma cirurgia mais simples, que implantou uma anel de silicone ajustável em volta de seu estômago.

O Lap-Band, como a prótese é chamada, apertou o estômago de Zuckerman em um formato de ampulheta, deixando uma bolsa superior do tamanho de uma noz. O enchimento da bolsa estimula os nervos que dão a sensação de plenitude. A pequena abertura para a bolsa inferior do estômago desacelera a digestão e atrasa uma nova sensação de fome.

Os pacientes de cirurgia bariátrica perdem em média mais peso, mas pesquisas têm mostrado que muitos pacientes com Lap-Band conseguem perder gradualmente 50% de seu excesso de peso. Os pacientes de Lap-Band podem sofrer efeitos colaterais incluindo rouquidão, vômito, refluxo ácido e náusea.

Um estudo publicado no ano passado concluiu que cerca de 6% dos pacientes não perdem peso ou apresentam complicações que os forçam a ter a prótese removida. Aqueles que falham freqüentemente minam a si mesmos ao consumir bebidas com altas calorias, que passam rapidamente pela bolsa superior do estômago.

"Assim que decidi me submeter a ela, eu teria seguido em frente mesmo se o plano de saúde não tivesse aprovado", disse Zuckerman.

Como os procedimentos laparoscópicos (Lap-Band) custam entre US$ 15 mil a US$ 40 mil em hospitais em várias partes do país --o de Zuckerman custou US$ 31.500-- este tipo de conversa impressiona os fabricantes do dispositivo.

Nos últimos anos, empresas de próteses médicas, de novas empresas até gigantes como a Medtronic e Johnson & Johnson, concluíram que o mercado de obesidade é muito atraente para deixá-lo apenas para os laboratórios farmacêuticos, especialistas em dieta e cirurgiões tradicionais.

O Lap-Band é atualmente o único dispositivo médico aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulador de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, para tratamento de obesidade.

Entretanto, procedimentos internos semelhantes já concorrem com ela no exterior. E uma série de outros dispositivos estão prestes a ser lançados, incluindo variações de marcapassos cardíacos que usam sinais elétricos para modificar o sistema digestivo.

"A obesidade é um mercado de multicentenas de bilhões de dólares pronto e aguardando para que os desenvolvedores de dispositivos atendam a enorme demanda existente", disse Mary Stuart, autora de um relatório de pesquisa de 2003 na "Start-Up", uma análise dos mercados emergentes publicada pela Windhover Information.

Mas é difícil depositar muita fé em tais projeções de mercado para dispositivos para obesidade. As empresas de próteses médicas desenvolveram-se priorizando órgãos como o coração e as principais juntas, nos quais a pesquisa e o amplo uso de cirurgia levaram a um profundo conhecimento das questões médicas.

"A ciência básica da digestão e do ciclo da gordura não é bem entendida", disse o dr. Thomas J. Fogarty, um professor da Escola de Medicina da Universidade de Stanford. Tal conhecimento limitado é uma grande barreira para qualquer um que tente projetar um marcapasso para o estômago ou para os principais nervos que o ligam ao cérebro.

"O sistema certo está disponível para se comunicar com o cérebro, mas nós ainda não sabemos a linguagem", disse o dr. Mitchell Roslin, o especialista em estômago do Lenox Hill que implantou o Lap-Band em Zuckerman e que também tem feito experiências com marcapassos.

Isto deixa os produtos que reduzem o estômago como a melhor aposta de curto prazo para a indústria. As vendas de Lap-Band estão aumentando apesar do número ainda limitado de médicos treinados para implantá-lo e a recusa da maioria dos planos de saúde de pagar por ele.

Seu fabricante, a Inamed, com sede em Santa Barbara, Califórnia, informou que as vendas mundiais de dispositivos para obesidade --quase todos Lap-Bands-- cresceu 40% no ano passado, para mais de US$ 88 milhões.

O Lap-Band é fabricado sob licença da Johnson & Johnson. Mas a divisão Ethicon Endo-Surgery desta gigante médica está buscando competir com uma banda diferente feita na Suécia. A Johnson adquiriu os direitos da banda sueca quando comprou a Obtech Medical, a empresa que a vende no exterior, por uma soma não revelada em 2002.

O Lap-Band foi usado em 11% das operações antiobesidade do ano passado, segundo a Sociedade Americana dos Cirurgiões Bariátricos. O índice é consideravelmente mais elevado na região de Nova York, onde mais de 100 cirurgiões foram treinados para implantá-los, segundo a Inmed. Um líder no campo, o dr. George A. Fielding, do Centro Médico da Universidade de Nova York, submeteu-se ao procedimento em 1999.

As vantagens da banda sobre a cirurgia de redução e encurtamento são a que os pacientes apresentam uma probabilidade 10 vezes menor de morrer ou sofrer complicações sérias, e que ela é facilmente ajustável e reversível. Isto a torna atrativa para mulheres que podem querer engravidar e aumentar sua ingestão de alimentos a certa altura.

A cirurgia menos invasiva também leva a recuperações mais rápidas na maioria dos casos. Zuckerman fez sua cirurgia na sexta-feira, 8 de abril, voltou para casa no dia seguinte e já estava em condições de voltar a trabalhar na segunda-feira. Agora, seis semanas depois e 12 quilos mais leve, ele voltou nesta semana ao Lenox Hill para ajustar o Lap-Band para estimular uma maior perda de peso. Pouco invasivo, procedimento do Lap-Band é escolhido por obesos George El Khouri Andolfato

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