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28/05/2005

Podcasting anima guias de áudio

The New York Times
Randy Knnedy
Se você estuda as telas de Jackson Pollock no Museu de Arte Moderna ouvindo o guia de áudio oficial do museu, ouve citações do artista informativas, mas um pouco secas e comentários de um famoso curador. ("A grande escala e abordagem aparentemente descuidada parecem inteiramente americanas").

Outro dia, porém, a estudante Malena Negrao, estava diante do "Echo Número 25" de Pollock. Seu guia de áudio, porém, fazia uma apresentação mais alegre: "Vamos falar sobre esse quadro sexualmente", dizia uma voz grave masculina. "O que você vê?"

Uma mulher, rindo, respondeu no áudio: "Meu Deus! Você é um pervertido. Nem posso dizer o que isso parece -posso dizer o que isso parece?"

Parecia mais MTV do que uma lição de arte moderna, mas Negrao recomenda a gravação, por alguns motivos: é de graça, não precisa usar o estranho aparelho de áudio do museu e, melhor de tudo, é ligeiramente subversiva: um guia não oficial, feito em casa e totalmente irreverente, baixado para seu iPod.

Os criadores do guia, um professor da Marymount Manhattan College e um grupo de alunos, descrevem-no como uma visita pirata ao museu, na qual eles fazem uma mistura distintamente acadêmica de ironia, música popular e respirações pesadas. É uma das mais novas adaptações no mundo do podcasting - ou seja, baixar programas de rádio para um tocador de MP3.

Esses guias de museu são especificamente conseqüência de uma recente tendência de podcasting chamada "viajando pelo som", na qual as pessoas gravam narrações de suas experiências -andar pela praia, passear pelo bairro francês- e as colocam na Internet. Nesse espírito, os criadores do guia não autorizado ao Museu de Arte Moderna também convidaram os interessados a ingressarem sua própria visita no site do projeto: www.mod.blogs.com/art_mobs.

Nos museus, a popularidade das visitas guiadas por áudio cresceu tremendamente na última década, e o uso de tocadores de MP3 comerciais parece estar pegando. Autoridades do Centro de Arte Walker de Minneapolis estão pensando em colocar seu novo guia de áudio na Web, para ser baixado para tocadores portáteis. No ano passado, o Museu de Arte Mori, em Tóquio, emprestou iPods aos visitantes contendo os guias para a mostra. A Apple Computer ajudou o Castelo Chenonceau, no Vale do Loire, na França, a fazer o mesmo, usando a voz sonora do ator Michael Lonsdale.

No entanto, o crescimento do podcasting está permitindo que os visitantes dos museus não apenas ouçam guias de áudio em aparelhos mais elegantes, mas também façam suas próprias narrativas. Um site de arte de nova York, woostercollective.com, recentemente fez um guia da retrospectiva de Jean-Michel Basquiat no Museu do Brooklyn. A narração foi feita em voz baixa enquanto os autores passeavam pela mostra, algumas vezes citando o guia oficial de áudio, que eles ouviam enquanto conversavam.

Em Marymount, no lado leste superior de Manhattan, David Gilbert, professor de comunicação, disse que tinha sido inspirado a criar os guias não oficiais depois de ouvir as narrações de áudio do museu para crianças, que ele achou muito mais interessantes e estimulantes do que os guias recentemente introduzidos para adultos.

No entanto, Gilbert disse que seu principal objetivo era tentar ensinar seus alunos a parar de serem consumidores de informação passivos -seja pela televisão, rádio ou pelo guia oficial de áudio- e assumir mais controle, usando como seu modelo o guru da chamada cultura do remix, Lawrence Lessig, professor da Faculdade de Direito de Stanford.

"Não somos obrigados a elogiar a arte", disse Gilbert recentemente no museu, vestindo óculos escuros verdes fosforescentes e levando um grupo de alunos para uma excursão revolucionária. "Faz parte da brincadeira e diversão desse projeto. Se quisermos dizer algo irreverente ou algo crítico da arte, podemos." (Em nome da educação, o site da Web do projeto elogia o Modern: "Apologia: Amamos o MoMA. Piratas invadem uma plataforma por respeito a ela."). Informadas do projeto na semana passada, as autoridades do museu recusaram-se a dar suas opiniões.

Até agora, os guias não oficiais cobrem apenas alguns dos trabalhos do museu -por artistas como Pollock, Cindy Sherman, Francis Bacon, Picasso, Max Beckmann e Marc Chagall, cujo famoso trabalho "Eu e a aldeia" é criticado por Jason Rosenfeld, professor de história da arte de Marymount, que o chama de "pior tipo de arte redutiva" e culpa Chagall por todas as "feias menorás" e vitrais cafonas das sinagogas modernas.

"É o pior estilo que jamais desenvolvemos na história da arte", declara. Uma pintura visceral de Bacon, chamada "Painting" (1946), tem um tratamento mais neutro, com música que às vezes parece Metallica. Beckmann recebe trilha de hip-hop. ("Se alguém se importa/estarei no porão cortando minha garganta/feliz ano novo"). A narrativa para Pollock, apesar de ser em grande parte obcecada com sexo, inclui o proprietário da voz profunda, John Benton, outro professor de Marymount, falando sobre a técnica de caligrafia e suas referências à arte romana.

Para que não fique chato, a discussão também é salpicada de acordes de violão de uma música dos anos 70, "Peaches" dos Stranglers, junto com efeitos de eco e o som de uma mulher gemendo de prazer.

"Não sou eu", estressou Negrão, que estuda no Marymount e é uma das vozes de mulheres no guia de Pollock. "É efeito especial."

Na semana passada, enquanto ela e suas colegas Liza Pastore, Cheryl Stoever and Aubrey Strickland reuniam-se em um semicírculo em frente de Pollock, outros freqüentadores talvez se espantassem, perguntando-se porque elas estavam rindo e o que estariam ouvindo por aqueles fones de ouvido brancos do iPod.

Mais tarde, na frente do "Sem Título 92" de Sherman, o grupo agarrou um estranho, Ashckan Sahihi, e persuadiu-o a ouvir em um dos seus iPods os diálogos engraçados e às vezes bobos gravados entre alunos e professores sobre a fotografia, com a trilha do filme "Kill Bill".

Sahihi sorriu e balançou a cabeça ao ritmo da música e disse que a produção estudantil era muito melhor do que o último guia de áudio que ouvira (um guia oficial narrado por David Bowie.)

"Qualquer um que ouça esses guias nos museus fica cansado. Em geral são explicações muito longas de porque o museu resolveu pagar tanto pelo quadro."

"Este não é uma pessoa famosa falando sobre arte cara", disse ele. "É engraçado." Deborah Weinberg

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