UOL Notícias Internacional
 

31/05/2005

A Amazônia em risco

The New York Times
Editorial
Até mesmo o governo do Brasil pareceu chocado com a notícia de que apesar dos esforços para coibir o desmatamento --incluindo um pacote de US$ 140 milhões de medidas de preservação anunciado no ano passado-- a destruição da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, prossegue a passo acelerado.

No período de 12 meses encerrado em agosto passado, a agricultura e a extração de madeira, em grande parte ilegais, destruíram 26 mil quilômetros quadrados da floresta, uma área quase do tamanho do Estado de Massachusetts. Esta foi a maior perda em um ano desde 1995, quando a Amazônia encolheu em cerca de 28.500 quilômetros quadrados.

Grande parte da Amazônia fica no Brasil, mas sua destruição tem sido motivo de preocupação global desde os anos 80, quando apareceram pela primeira vez fotos por satélite documentando as amplas queimadas na floresta.

Como as florestas tropicais de toda parte, a Amazônia é um depósito de biodiversidade, uma fonte de medicamentos e um importante antídoto para o aquecimento global. Florestas saudáveis absorvem os gases responsáveis pelo efeito estufa. Florestas em chamas os aumentam.

A luta para salvar a Amazônia já resultou em várias vítimas, notadamente Chico Mendes, um ambientalista que foi morto a tiros por dois fazendeiros em 1988, e Dorothy Stang, uma freira nascida nos Estados Unidos que defendia a floresta e os sem-terra e que foi morta a tiros neste ano.

As autoridades brasileiras têm respondido de forma intermitente, criando reservas florestais, encerrando subsídios aos pecuaristas e aprovando leis exigindo que os donos de terras deixem grande parte de suas propriedades na floresta intactas.

Mas a Amazônia parece altamente imune à lei, especialmente em um país onde não há policiais suficientes para assegurar seu cumprimento, onde o crescimento econômico parece estar acima de tudo e onde os poderosos políticos locais tendem a ter mais influência do que o governo federal.

No momento, por exemplo, a maior ameaça individual à Amazônia é o crescimento explosivo do cultivo da soja no Estado do Mato Grosso, na divisa sul da floresta, alimentada principalmente pela demanda crescente na China e na Europa.

O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, também é o rei da soja e foi citado como tendo dito que um aumento de 40% no desmatamento no Mato Grosso "não significa nada, e não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo aqui".

Há pessoas no governo brasileiro, em particular sua ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que acreditam que há formas melhores de ajudar a economia brasileira do que transformar uma valiosa floresta tropical em pasto para gado, que é basicamente o que Maggi está fazendo.

Mas elas precisam de ajuda --por parte de corporações e agências de empréstimos multilaterais, que deveriam transformar práticas ambientais seguras em uma condição para futuros investimentos, e por parte de organizações ambientais, que devem manter a pressão pública.

Acima de tudo elas precisam ajudar o carismático presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que deve persuadir a si mesmo e a oligarquia agrícola do seu país de que a floresta tropical não é um bem a ser explorado para ganho privado. Floresta tropical não é um bem a ser explorado para ganho privado George El Khouri Andolfato

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