UOL Notícias Internacional
 

31/05/2005

Falta de privacidade na sua sala? Tente usar um silenciador eletrônico

The New York Times
John Markoff

Em Glendale, Califórnia
O "cone de silêncio" de Maxwell Smart, o atrapalhado "Agente 86", é finalmente uma realidade.

Duas pessoas em um escritório estão mantendo uma conversa pessoal, mas, para uma terceira pessoa que está na mesma sala é impossível entender o que falam. A conversa soa como uma cachoeira de vozes que são, ao mesmo tempo, impressionantemente familiares e totalmente incompreensíveis.

O cone do silêncio, chamado de Babble (murmúrio), é na verdade um dispositivo composto de um processador de som e de vários alto-falantes que multiplicam e misturam as vozes que estão na sua área de alcance.

Do tamanho aproximado de um rádio-relógio, o primeiro modelo foi projetado para uma pessoa que esteja utilizando um telefone, mas outros modelos são capazes de funcionar em todo o espaço de um escritório.

A tecnologia de mistura de vozes utilizado no Babble foi desenvolvida pela Applied Minds, uma firma de pesquisa e consultoria fundada por Danny Hillis, um renomado arquiteto de computadores, e Bran Ferren, designer industrial e gênio de efeitos especiais de filmes de Hollywood.

O Babble, que foi criado para funcionar como substituto de paredes e isolamentos acústicos, é um exemplo de uma nova classe de produtos que utilizam a tecnologia para modelar o som.

Já estão no mercado fones de ouvido que são capazes de neutralizar ruídos externos e sistemas de som que podem direcionar o som para um local específico.

O sistema será lançado em junho pela Sonare Technologies, uma nova subsidiária da Herman Miller, fabricante da cadeira Aeron, como parte de uma iniciativa para ir além dos móveis de escritório. A companhia pretende vender o dispositivo por menos de US$ 400 em lojas de eletrônica e de materiais de escritório.

"Nós complementamos bem um ao outro porque Danny é um cientista de verdade quando se trata de análise e física profundas", afirma Ferren, referindo-se à sua pareceria com Hillis. "Eu possuo um bom conhecimento geral de trabalho e posso fornecer-lhe idéias nas áreas de estética e design".

Os dois homens formaram a Applied Minds após saírem da Walt Disney Imagineering em 2000. Hillis foi um pioneiro dos projetos de computadores extremamente poderosos conhecidos como supercomputadores maciçamente paralelos, tendo criado a Thinking Machines, uma companhia com sede em Cambridge, Massachusetts, que faliu em 1982.

Ferren tem sido um líder dos efeitos especiais de cinema, trabalhando em filmes como "A Pequena Loja dos Horrores" e "Jornada nas Estrelas 5 - A Fronteira Final", e tendo recebido Oscars de realização técnica. Ele também criou óculos de sol espelhados para a Revo nos anos 80.

A Applied Minds, localizada aqui em Glendale, em um conjunto de cinco armazéns convertidos, é um laboratório tecnológico para um grupo de cem designers que trabalham em projetos diversos, como o desenho de edifícios para agências governamentais que buscam encontrar tratamentos para o câncer e pesquisas no campo emergente da proteômica, o estudo das proteínas.

"Conheço Danny há 25 anos, e Bran por um período quase igual", diz Nicholas Negroponte, diretor e fundador do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. "A parceira entre eles une duas das mentes mais interessantes do país".

Além do seu trabalho com a Herman Miller, a Applied Minds está desenvolvendo cerca de 40 novos conceitos e produtos para vários patrocinadores, como a General Motors, o Cedars-Sinai Health System, a Northrop Grumman e a fabricante de brinquedos Funrise.

O sistema de privacidade de voz Babble é o primeiro exemplo comercial da abordagem da Applied Minds em design colaborativo de produtos. A parceria com a Herman Miller teve início três anos atrás, após Hillis conhecer Gary S. Miller, diretor de desenvolvimento da Herman Miller, em uma conferência de tecnologia e design em Monterey, na Califórnia.

A tecnologia Babble de mistura de vozes não se constitui na primeira tentativa de utilizar a tecnologia para proporcionar privacidade no ambiente de trabalho.

Materiais de isolamento acústico costumam ser utilizados para abafar os sons, e geradores de ruídos de fundo são encontrados no comércio, mas os executivos da Herman Miller dizem que o novo sistema é mais eficiente.

Embora várias companhias resistam à colaboração externa em se tratando de design, a Herman Miller é diferente, já que tradicionalmente faz parcerias com designers industriais independentes no ramo de mobiliário, diz Miller.

"O nosso modelo de trabalho envolve a utilização de gente de fora", explica. "Precisamos fazer isso para penetrarmos em novos mercados".

A Herman Miller é conhecida há muito tempo por explorar o conhecimento de vanguarda nos campos de móveis de escritórios e tecnologia de computadores.

A companhia trabalhou com o cientista de computação Douglas C. Engelbart nos anos 60 para criar mobílias e sistemas de escritório que ajudariam os funcionários a colaborarem de forma mais efetiva.

De fato, uma caminhada pelas instalações da Applied Minds revela vários projetos que parecem adotar a abordagem de Engelbart de buscar maneiras de criar máquinas que aumentem a inteligência humana.

Com a Northrop Grumman, a firma de design está fazendo experiências na área de teleconferência, buscando formas de construir sistemas que sejam úteis para os funcionários que trabalhem distantes uns dos outros.

Ferren está especialmente interessado em descobrir novas soluções para problemas de design. Todas as prateleiras da companhia, por exemplo, ficam inclinadas para um lado em um ângulo de quinze graus, de forma a manter os livros bem arrumados.

Ao formar uma aliança com a Herman Miller, Hillis propôs uma experiência de um ano, que permitiria que as duas companhias trabalhassem juntas em projetos amplos. Depois disso, eles tanto poderiam atuar em conjunto no desenvolvimento de um determinado projeto, ou tomar rumos diferentes.

Após o primeiro ano, ficou claro que a colaboração funcionaria. Além de arcar com os custos de desenvolvimento da tecnologia Babble, a Sonare, a subsidiária da Herman Miller, pagará as taxas de licenciamento para a Applied Minds.

A expectativa é de que, além do seu uso em escritórios, o Babble seja também útil em espaços públicos nos quais a privacidade é importante, como por exemplo nas mesas de admissão de hospitais ou em restaurantes.

A Herman Miller e a Applied Minds estão partindo agora para a criação de uma linha de produtos para uma subsidiária da Herman, a Viaro.

Essa linha, que será lançada no final deste ano, é um sistema flexível de reorganização de paredes, conjuntos de iluminação e redes de energia e de computadores, para uso em lojas e escritórios. Baseado em trilhos paralelos montados no teto, o sistema da Viaro contará com componentes modulares que podem ser facilmente reconfigurados e encaixados nos trilhos.

Para Hillis, a Applied Minds aliviou uma frustração que sentia quando dirigia a Thinking Machines, nos anos 80. "O que eu realmente adorava era fazer o primeiro produto de uma determinada linha", afirma.

"Essa foi uma lição da Thinking Machines que ficou. A maior parte dos negócios diz respeito ao restante do processo de se trazer um produto ao mercado".

Hillis diz que a Applied Minds, que é financiada em parte pela Kleiner, Perkins, Caufield & Byers, a firma de investimentos do Vale do Silício, e pela Millenium Technology Ventures, de Nova York, já é lucrativa.

Ele diz não ter a intenção de se tornar uma companhia aberta ao capital público. Em vez disso, a empresa espera que alguns dos seus designs levem ao surgimento de companhias subsidiárias que serão lucrativas para os investidores.

Um dos protótipos que está mais próximo de se tornar a base de criação de uma subsidiária é um novo mapa digital de mesa, que tem o tamanho aproximado de uma grande tela de televisão.

O sistema conta com uma tela sensível ao toque, tornando possível manipular imagens digitais de alta resolução tão facilmente como se desliza um mapa sobre uma mesa.

O sistema é controlado por uma série de gestos manuais. Por exemplo, para se ampliar a imagem de uma região, o usuário encosta as duas mãos na tela e as afasta uma da outra.

Recentemente, Hillis fez uma demonstração do sistema, que foi desenvolvido para uma agência do governo (devido a uma cláusula do contrato, ele não pode revelar o nome da agência), para uma grande convenção de cartógrafos em San Diego.

"Pessoas vieram até a mim e disseram ter ficado comovidas até às lágrimas com a demonstração", conta Hillis.

Quando um dos participantes da convenção disse que a demonstração foi como algo saído de "Jornada nas Estrelas", Hillis ficou visivelmente entusiasmado.

"Foi isso o que eu sempre quis fazer", diz ele. "Estar à frente de 'Jornada nas Estrelas'". Batizado de "murmúrio", aparelho mistura vozes e evita indiscrições Danilo Fonseca

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