UOL Notícias Internacional
 

02/06/2005

O futuro da TV está aqui, mas precisa de trabalho

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia
Anos atrás, nossas fantasias futuristas envolviam robôs mordomos, TVs de pulso e carros voadores. Atualmente, nós ficaríamos felizes em ter um celular sem áreas sem sinal, e-mail sem spam e a capacidade de assistir a qualquer programa de TV na hora que quiséssemos.

The New York Times Image 
Akimbo pode transformar os programas de TV em arquivos que o espectador acessa quando quiser
Na verdade, eles estão fazendo progressos neste último item. Uma empresa chamada Akimbo tem uma idéia tentadora. E se você tivesse um aparelho como o TiVo, completo com um disco rígido capaz de armazenar 200 horas de vídeo --mas em vez de gravar transmissões ao vivo, você pudesse acessar uma enorme videoteca de programas, armazenada na Internet, e assisti-los na hora que quisesse?

É um grande conceito. Os executivos de TV se beneficiariam, porque poderiam ganhar uma sobrevida significativa para todos os programas nos quais gastaram milhões para produzir --e que exibiram apenas uma vez.

Você também poderia se beneficiar, porque se perdesse algum episódio de "Desperate Housewives" ou "The Amazing Race", você poderia usar seu aparelho para fazer o download do que perdeu. Seria como uma troca de vídeo possibilitada pelo software BitTorrent, mas o serviço seria legal.

Infelizmente, a Akimbo só pode oferecer o que as redes e canais estão dispostos a contribuir. E atualmente, apenas ouvir a frase "download pela Internet" geralmente faz os executivos de televisão terem crises paranóicas. Como resultado, a videoteca da Akimbo é tão minúscula e cara que o empreendimento só interessa como um estudo de "o que não fazer".

O aparelho Akimbo (US$ 200, mas a venda na Akimbo.com sai por US$ 100 até 30 de junho) é do tamanho de um aparelho de videocassete com um disco rígido de 80 gigabyte. Ele exige conexão de Internet de banda larga, com fio (Ethernet) ou sem (com o adaptador USB Linksys específico).

Você conecta o Akimbo à sua TV, usando os cabos RCA padrão vermelho-branco-amarelo ou, para um colorido ligeiramente melhor, um cabo S-Video, que não está incluído.

A ativação de sua conta envolve alguns poucos minutos diante da TV, outros poucos em um site na Internet e então mais alguns diante da TV. O serviço de download da Akimbo, sem o qual o aparelho é inútil, custa US$ 10 por mês ou uma taxa única de US$ 170.

E agora o momento da verdade: usando o controle remoto, você navega pela videoteca de 2 mil programas disponíveis para download.

E então a realidade se torna dolorosa: a videoteca da Akimbo é risível. Como o site da Akimbo coloca, a lista inclui a AdvenTV, "a primeira emissora turca por demanda nos Estados Unidos"; a Veg TV, "receitas de culinária vegetariana"; e Skyworks, "vôos de helicóptero sobre as paisagens mais espetaculares da Grã-Bretanha".

Aqui está a lista inteira de categorias de esporte: bilhar, esportes radicais, golfe, artes marciais, documentários e iatismo.

Você não encontrará "Desperate Housewives", "The Amazing Race" ou qualquer programa das redes. O catálogo consiste em grande parte de canais desconhecidos, produções de emissoras estrangeiras e até mesmo videoclipes curtos que já são vistos gratuitamente na Internet.

Alguns canais de cabo contribuíram com material, incluindo Turner Classic Movies, CNN, A&E, Cartoon Network, Food Network, BBC e National Geographic. A seleção é limitada a poucas séries por canal, mas pelo menos não são sitcoms turcas.

Mas isto não é o pior. Se você avançar o suficiente nos menus até chegar à página de descrição de um certo programa, você freqüentemente encontrará as palavras assustadoras: "US$ 2,99 (período de 30 dias para assistir)."

Isto mesmo: você não apenas paga pelo aparelho Akimbo e sua mensalidade de US$ 10 para ter programas desconhecidos, como também paga por programa. E mesmo assim, o programa que você comprou será apagado após um mês!

Isto é paranóia descontrolada de pirataria. É absolutamente insano achar que alguém pagará tanto por reprises ridículas de cabo e excentricidades como vídeos de três minutos de orientações para novas mães.

Para piorar ainda mais, os termos de aluguel são diferentes para cada programa. Alguns são gratuitos. (A Akimbo diz que 40% são gratuitos, mas tal contagem inclui trailers de filmes, video blogs, resumos de dois minutos da CNN e outros materiais gratuitos encontrados na Internet.)

O restante custa entre 50 centavos até US$ 5; filmes pornográficos custam US$ 10 (controles para os pais estão disponíveis). Alguns programas permanecem no seu disco rígido para sempre, alguns se autodestróem após sete ou 30 dias, e alguns lhe dão apenas uma janela de dois dias para assistir.

Alguns canais cobram por mês em vez de por programa. Por exemplo, você pode pagar US$ 2 por mês por um canal dedicado a cultura latina, US$ 10 por um canal de boxe ou US$ 13 por mês por um canal de ciência para crianças.

Parte disto não é culpa da Akimbo. Ela necessita desesperadamente de material para seu catálogo, de forma que tem que atender às exigências dos canais.

(Este estado de confusão, é claro, era exatamente como se encontrava o mercado de download de músicas antes da Apple intervir no caos e estabelecer um padrão de preços para o mercado de 99 centavos de dólar a canção, com um sistema de proteção de cópia. Onde está o Steve Jobs quando se precisa dele?)

Mas algumas das falhas da Akimbo são dela própria.

O download pelo aparelho Akimbo geralmente leva tanto tempo quanto a duração do próprio programa, e você não pode assistir até que o download do programa esteja concluído, então não é exatamente vídeo por demanda. (A velocidade de sua conexão de Internet cai durante o download, de forma que é melhor se limitar a tarefas leves de Internet como leitura e envio de e-mails.)

O aparelho armazena vídeo em formato Windows Media Player, que de vez em quando fica congelado e perde sincronia de áudio. O aparelho leva entre 8 a 12 segundos para começar a passar qualquer programa. Nada acontece até vários segundos depois de você apertar os comandos para avanço ou recuo, e só há uma velocidade: excruciantemente lenta.

Avançar 30 minutos de um programa leva 2 minutos e meio. Mas isto é velocidade de dobra espacial em comparação ao recuo, que não é nem a metade tão rápido -e às vezes dá pau na máquina, a travando completamente. Você anseia pelos dias em que podia rebobinar uma fita à mão.

A Akimbo também é culpada de algumas táticas sutis para fisgar as pessoas. Por exemplo, você precisa percorrer seis telas até descobrir que um programa necessita de taxa ou assinatura mensal, ou que tem a duração de apenas dois minutos.

E apesar da alegação da Akimbo de ser "o primeiro serviço de vídeo por demanda com qualidade digital pela Internet", a qualidade do vídeo é errática. Nenhum deles é de alta definição, nenhum deles apresenta qualidade de DVD e alguns apresentam defeitos de blocos e pixels de uma câmera de Internet.

Uma série infantil é tão obviamente transferida de uma fita de vídeo VHS que você pode ver as faixas brancas das cabeças sujas do aparelho de videocassete.

E finalmente há as más decisões de design, como um controle remoto sem iluminação e telas de listagem tão pequenas que não conseguem mostrar o nome inteiro dos programas e suas descrições.

Resumindo, o Akimbo é um desastre. Mas há alguns pontos de luz.

O aparelho é silencioso. Você não consegue transferir qualquer um de seus programas para o computador, mas pode copiá-los usando a entrada analógica do videocassete ou do gravador de DVD. E há algumas pérolas de programas que podem ser encontradas em meio ao refugo.

A outra boa notícia é que a Akimbo está ciente dos problemas. "Nós não estamos dizendo a ninguém para comprar", disse Steve Shannon, o fundador da empresa.

"Nós estamos dizendo, experimente; nós oferecemos uma garantia de devolução de dinheiro de 30 dias. Ele busca ter apelo junto a pessoas interessadas em um canal específico. Se você realmente curte bilhar, você poderá querer este aparelho."

Ainda neste ano, a empresa pretende substituir o atual sistema operacional do aparelho por um que oferecerá recuo e avanço mais rápidos (e múltiplas velocidades).

A Akimbo também disse que está conversando com vários estúdios de cinema para oferta de filmes razoavelmente atuais. (Eles estariam disponíveis 30 dias após seu lançamento em locadoras e lojas de vídeo.)

A empresa também espera acrescentar eventualmente programas com um ano de idade, mas não espere os sucessos atuais. "As grandes redes não querem experimentar", disse Shannon.

Se a Akimbo conseguir consertar os problemas e, mais importante, colocar juízo na cabeça de seus parceiros quanto a preços e prazos, talvez haja esperança.

Mas em sua encarnação atual, o Akimbo não ganhará nenhum prêmio por valor ou seleção: ele poderá apenas ganhar o troféu de fiasco do ano. George El Khouri Andolfato

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