UOL Notícias Internacional
 

03/06/2005

Americanos investigam epidemia de obesidade no Estado de Virgínia Ocidental

The New York Times
Gina Kolata

Em Nova York
Pela primeira vez os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) enviaram uma equipe de especialistas para um Estado americano, a Virgínia Ocidental, para estudar um surto de obesidade, da mesma maneira que estudam um surto de doença infecciosa.

Kerri Kennedy, diretora do Programa de Atividade Física e Nutrição da Virgínia Ocidental, disse que o Estado pediu a investigação do CDC. "Estávamos examinando nossos dados e descobrimos que enfrentamos uma grave crise de saúde", disse Kennedy.

O Estado se classificou em terceiro lugar em obesidade nos Estados Unidos --27,6% de seus adultos são obesos, comparados com 20,4% no restante do país. E, segundo Kennedy, "nosso índice de obesidade parece estar aumentando mais depressa que nos demais Estados".

Juntamente com a obesidade havia uma alta incidência de diabetes e de pressão sanguínea alta, que são associados ao excesso de peso. A Virgínia Ocidental está em quarto lugar no país em diabetes, com 10,2% da população afetados, comparados com 6,4% em todo o país. E é o número 1 em ocorrências de pressão alta, com 33,1% apresentando a condição em comparação com 25,8% da população do restante dos Estados Unidos.

Por isso o Estado pediu aos detetives de doenças do órgão para atacar seu problema de obesidade, e uma investigação de três semanas foi iniciada em 25 de abril. Segundo Kennedy, ela se concentrou em dois lugares que representavam cidades e pequenas cidades do Estado --o condado de Gilmer, com 7.160 habitantes, e Clarksburg, com 16.743 residentes.

As equipes de investigação passaram uma semana em cada lugar, indo às escolas e perguntando sobre programas de educação física e que tipo de alimentação era oferecida.

Eles perguntaram, por exemplo, se os estudantes "recebiam pelo menos uma ou duas frutas e legumes atraentes todos os dias". E "vocês substituem o creme de leite comum por creme desnatado?"

Eles visitaram locais de trabalho perguntando se havia políticas para incentivar a atividade física. Por exemplo: "Se você quiser caminhar, poderia ter 15 ou 20 minutos extras no horário do almoço?" E havia itens como sucos de fruta naturais e água mineral nas máquinas de venda?

Eles foram a mercearias e restaurantes escolhidos ao acaso, perguntando se ofereciam frutas e legumes e leite desnatado ou magro. E perguntaram se era seguro caminhar pelas estradas, se havia calçadas, se tinham boa manutenção e se havia boa iluminação para caminhar à noite.

"O CDC veio nos fazer perguntas", disse Kennedy. Mas ela notou que muitas das perguntas, como aquelas sobre as calçadas, tinham sido criadas para áreas urbanas. Ela disse que não tinha certeza como funcionariam na Virgínia Ocidental rural, e alguns estatísticos disseram que não pensavam que o estudo fosse funcionar.

A diretora dos centros, doutora Julie L. Gerberding, disse em uma entrevista coletiva na quinta-feira que essa investigação foi a primeira desse tipo feita pelo órgão. "Isso nunca aconteceu na história do CDC", ela disse.

Os centros realizaram a entrevista para esclarecer sua posição sobre excesso de peso e obesidade. Cientistas do órgão recentemente publicaram um estudo concluindo que pessoas com excesso de peso tinham um risco menor de morte do que as pessoas de peso normal, e que mesmo as pessoas obesas não tinham tanto risco de morte prematura, a menos que fossem extremamente obesas.

Um ano antes, outros pesquisadores do mesmo órgão haviam publicado um estudo dizendo que a obesidade e o excesso de peso estavam aumentando acentuadamente os índices de mortalidade no país.

Gerberding disse que ainda havia dúvidas sobre a melhor maneira de estimar os riscos de morte causados pelo excesso de peso, mas que não havia dúvidas sobre o impacto para a saúde de ser obeso e ter excesso de peso, que pode aumentar o risco de doenças como diabetes, pressão alta, artrite e alguns cânceres.

Ser obeso ou ter excesso de peso, enfatizou Gerberding, são "ameaças de saúde criticamente importantes" e os centros estão aumentando os esforços para compreender as causas da epidemia de obesidade e como ajudar as pessoas a perder peso e mantê-lo.

Agora os dados da Virgínia Ocidental estão sendo analisados nos CDC. Algumas informações preliminares poderão estar disponíveis em agosto, disse Kennedy.

Rudy Philips, um assistente de enfermagem de 27 anos que mora em Clarksburg, disse que não estava ciente do estudo, mas que conhecia alguns dos problemas alimentares do Estado.

Ele mesmo tem uma boa dieta, na sua opinião, mas "embora pudesse perder 3 ou 5 quilos, não sou obeso". Mas a obesidade é um problema no Estado, ele afirma.

"Tendemos a comer muitas frituras, carne com batatas fritas, por exemplo", disse Philips. "A maioria dos restaurantes não tem opções saudáveis."

Mas alguns estatísticos disseram que era difícil ver o que se poderia aprender com as pesquisas do CDC. O doutor Daniel McGee, professor de estatística na Universidade Estadual da Flórida que já analisou dados de obesidade, caiu na gargalhada quando ouviu falar nisso. "Meu Deus, que coisa estranha de se fazer", ele disse.

"Eles vão descobrir o que todos já sabemos --que o país não está mais apto a fazer exercícios físicos", disse McGee. E que os escolares "não recebem uma dieta nutritiva". E que "há muitos alimentos de alto teor de gordura em todos os supermercados".

Mas ele disse que "isso não revela muita coisa. Tenho certeza de que as pessoas magras vão aos mesmos restaurantes. As crianças magras vão às mesmas escolas", disse McGee.

O doutor David DeMets, professor de bioestatística na Universidade de Wisconsin, sempre foi extremamente cético. "Recebemos muitos falsos positivos desse tipo de pesquisa", disse.

"Deixamos as pessoas preocupadas", mas não há como saber se o que se descobriu --a falta de frutas e legumes nas escolas, por exemplo -- tem algo a ver com a epidemia de obesidade. "Talvez seja verdade, talvez não", disse DeMets. Obesos serão tratados como portadores de doenças infecciosas Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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