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05/06/2005

EUA descobrem vasto esconderijo dos rebeldes iraquianos

The New York Times
Edward Wong

Em Bagdá, Iraque
Os marines americanos descobriram uma série de elaborados bunkers subterrâneos usados recentemente pelos rebeldes na região central do Iraque, com armas pesadas, uma cozinha e comida fresca, quartos mobiliados, chuveiros e até mesmo ar-condicionado em funcionamento, disseram as forças armadas no sábado.

Os bunkers foram construídos em uma antiga pedreira ao norte da cidade de Karma, uma fortaleza rebelde na província de Anbar, que fica próxima da cidade de Fallujah. O sistema de bunkers mede 166 metros por 269 metros, o tornando o maior esconderijo subterrâneo rebelde descoberto no último ano, talvez até durante toda a guerra, disse o capitão Jeffrey S. Pool, um porta-voz da 2ª Divisão Marine, encarregada do controle do oeste do Iraque.

As forças armadas disseram que os bunkers foram descobertos na quinta-feira, por volta das 17 horas, como parte das operações antiinsurreição que estão sendo conduzidas em Anbar, um centro de resistência árabe sunita e uma província que se estende até a fronteira oeste do Iraque. Nos últimos três dias, soldados da 2ª Divisão Marine encontraram mais de 50 depósitos de armas e munições na província. Doze foram descobertos na área imediatamente ao redor da pedreira, disse Pool em uma entrevista por e-mail.

"Os marines estavam patrulhando e à procura de depósitos de armas, quando no meio do deserto eles viram um prédio isolado", disse ele. "Eles foram checá-lo. Em uma sala havia um grande freezer elétrico, estilo baú. Os marines o moveram e encontraram a entrada escondida para o sistema subterrâneo."

"Eu posso dizer que é o maior sistema subterrâneo descoberto pelo menos no último ano", acrescentou o capitão.

Perto do prédio, os marines também encontraram evidência de uma área de treinamento de tiro, incluindo cartuchos usados de munição de 7,62 milímetros, o tipo usado nos rifles Kalashnikov, os preferidos dos rebeldes.

Ninguém estava nos bunkers no momento da tomada, disse Pool. Mas alimentos frescos na cozinha indicavam que os rebeldes estiveram lá recentemente. O esconderijo subterrâneo foi usado por algum tempo, ele disse, e foi construído a partir de uma subseção da pedreira.

Em uma seção do esconderijo, os soldados descobriram metralhadoras, morteiros, foguetes, munição, uniformes pretos, máscaras de esqui, bússolas, diários, uma câmera de vídeo, óculos de visão noturna e telefones por satélite plenamente carregados, disseram as forças armadas em uma declaração por escrito.

Os rebeldes aparentemente instalaram os confortos do lar dentro do esconderijo. O complexo incluía quatro alojamentos plenamente mobiliados, dois chuveiros e um aparelho de ar condicionado, disseram as forças armadas. As temperaturas nos desertos da província de Anbar podem se aproximar de 55 graus no verão.

Décadas atrás, Saddam Hussein e seus assessores começaram a construir uma extensa série de bunkers subterrâneos espalhados pelo Iraque. Saddam contratou engenheiros alemães nos anos 80 para trabalhar nestes esconderijos, que incluíam túneis e câmaras sob os palácios em Bagdá e Mosul. Mas não se sabe se o bunker da pedreira faz parte desta rede.

Quando inspetores de armas da ONU reviraram o Iraque nos meses que antecederam a invasão americana, eles revistaram minuciosamente muitos destes bunkers, mas não descobriram nada.

Os ataques dos rebeldes em Anbar e outros lugares prosseguiram no sábado.

Uma bomba de estrada explodiu no centro de Fallujah às 9 horas da manhã, matando um soldado iraquiano, ferindo dois outros e danificando várias casas, disse um funcionário do Ministério do Interior. Mais ao norte, em Tikrit, a cidade natal de Saddam, um homem-bomba detonou seu veículo na entrada de uma base americana, matando pelo menos cinco soldados iraquianos e ferindo sete outros, disse o funcionário.

Os guerrilheiros também realizaram ataques na capital, onde o governo iraquiano tem tentado restaurar a ordem aumentando o número de barreiras por toda a cidade e dispondo dezenas de milhares de policiais e soldados nas ruas, em uma medida chamada Operação Raio. No oeste de Bagdá, três homens mataram um motorista perto da estrada para o aeroporto e encheram de explosivos o porta-mala de seu carro, disse o funcionário do Ministério do Interior. Quando a polícia chegou ao local, a bomba explodiu, ferindo dois policiais.

Na cidade de Mosul, no norte, forças americanas e iraquianas prenderam um importante líder guerrilheiro no sábado, disse o general-de-divisão Khalil Ahmed Al Obeidi do exército iraquiano. O líder, conhecido como mulá Mahdi, foi preso juntamente com seu irmão, três outros iraquianos e um árabe estrangeiro durante uma breve batalha, informou a agência de notícias "The Associated Press". Obeidi disse que o mulá Mahdi tem ligações com o Exército de Ansar Al Sunna, um dos grupos mais militantes que operam no Iraque, e com o serviço de inteligência sírio.

"Ele era procurado por quase todos os carros-bomba, assassinatos de autoridades, decapitações de policiais e soldados iraquianos e por lançar ataques contra as forças multinacionais", disse o general.

No extremo norte, o Parlamento do governo regional do Curdistão realizou sua primeira sessão desde sua nomeação oficial nas eleições nacionais de janeiro. Os membros do Parlamento foram escolhidos por meio de um acordo entre os dois principais partidos curdos, o Partido Democrático do Curdistão e a União Patriótica do Curdistão. Os líderes destes dois partidos, Massoud Barzani e Jalal Talabani, participaram da sessão no sábado.

Os líderes curdos estão se preparando para uma batalha política total com os árabes xiitas do governo em torno da definição dos poderes federais e da administração de Kirkuk, uma cidade rica em petróleo no norte que os curdos alegam ser deles. À medida que se aproxima o prazo de meados de agosto para a Constituição permanente, curdos e árabes terão que negociar quais poderes autônomo o Curdistão iraquiano manterá e se Kirkuk ficará sob seu domínio. Os partidos religiosos xiitas do governo estão resistindo à noção de uma ampla autonomia para os curdos.

Um problema igualmente difícil para ambos os grupos é como envolver no processo de elaboração da Constituição os árabes sunitas, que controlavam o país na época de Saddam. Um comitê constituinte de 55 membros da Assembléia Nacional deverá se reunir no domingo para discutir a questão. Os árabes sunitas, que correspondem a um quinto da população e estão liderando a insurreição, estão sub-representados na assembléia porque boicotaram as eleições de janeiro.

Em Fallujah, um bastião da ideologia sunita conservadora, líderes tribais e políticos se reuniram no sábado em uma conferência que chamaram de A Unidade do Iraque e sua Independência. O encontro ocorreu em uma fábrica de cimento nos arredores da cidade, e os líderes concordaram em uma lista de exigências que será apresentada às forças americanas e ao governo iraquiano. As exigências incluem um prazo para a retirada das tropas estrangeiras, a libertação de prisioneiros políticos e o fim dos expurgos de ex-membros do Partido Baath. George El Khouri Andolfato

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