UOL Notícias Internacional
 

07/06/2005

Hillary ataca o "abuso de poder" dos republicanos

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
A senadora e ex-primeira dama dos EUA, Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, criticou nesta segunda-feira (6/6) o presidente Bush e republicanos do Congresso, dizendo que estavam enlouquecidos com o poder e se consideravam donos da verdade. Ela também reclamou que a mídia tem sido tímida em suas cobranças do governo e sugeriu que alguns republicanos em Washington consideravam-se deuses.

Clinton, que está concorrendo a um segundo mandato em 2006 e é considerada possível candidata democrata à Casa Branca em 2008, disse que seu partido tinha dificuldades em sua luta porque os republicanos não têm vergonha em caluniar e dissimular.

Apesar de Clinton recentemente ter expressado opiniões moderadas, suas observações de segunda-feira foram claramente partidárias e tinham a intenção de unir seus partidários.

A senadora está fazendo frente a pelo menos quatro republicanos de Nova York estão se preparando para concorrer contra ela. Ela fez suas observações em um hotel em Manhattan para cerca de 1.000 partidários em um café da manhã chamado "Mulheres por Hillary", seu primeiro grande evento para levantar fundos para a reeleição ao Senado. Foram arrecadados cerca de US$ 250.000 (em torno de R$ 625.000).

A senadora disse que, se não forem desafiados, os líderes republicanos podem forçar a aprovação de juizes extremistas, destruir a previdência social e fazer concessões inaceitáveis à China, Arábia Saudita e outras nações necessárias para financiar o déficit americano.

"Acredito que nunca houve um governo em nossa história tão determinado a consolidar e abusar do poder para impor sua política", disse Clinton à platéia.

"Sei que é frustrante para muitos vocês; é frustrante para mim."

Aplaudida, prosseguiu: "Por que os democratas não podem fazer mais para detê-los? Posso lhes dizer o seguinte: é muito difícil deter pessoas que não têm vergonha do que estão fazendo. É muito difícil dizer às pessoas que estão fazendo decisões que vão prejudicar nossas contas e nosso sistema de governo constitucional se elas não ligam. É muito difícil deter pessoas que nunca entraram em contato com a verdade."

A senadora disse algumas palavras gentis em relação aos presidentes republicanos do passado, observando o apoio de Richard M. Nixon à Agência de Proteção Ambiental, as tentativas de Ronald Reagan de reformar a previdência social e o trabalho de George H. W. Bush com a Lei de Ar Limpo. As gentilezas da senadora, porém, foram breves e com a intenção de atingir o atual presidente por comparação.

"Não podemos nunca, nunca aceitar a política republicana", disse ela. "Não é boa para Nova York e não é boa para os EUA."

Clinton disse que os líderes republicanos são messiânicos em suas crenças e estão dispostos a manipular os fatos e até "destruir" o Senado para conquistar vantagens políticas.

Ela se referia à batalha nesta primavera que quase tirou da minoria democrata o recurso do adiamento (filibuster), que vinha servindo para engavetar nomeações judiciais. A senadora também falou contra a Câmara dos Deputados, chamando-a de "ditadura da liderança republicana".

Referindo-se aos líderes do Congresso, ela disse: "Alguns acreditam serem motivados pela verdade; alguns acham que têm uma vocação superior; acho que têm uma ligação direta com os céus."

Então, a ex-primeira-dama usou de humor para aliviar o ambiente. Ela se referiu aos boatos, durante os dois mandatos de seu marido, que ela tentaria canalizar outra primeira-dama favorita.

"Eu converso sempre com Eleanor Roosevelt, e ela nunca me disse haver razão para ter apenas um ponto de vista", disse ela. "Mas aparentemente eles têm uma linha direta diferente."

Os republicanos fizeram pouco das observações da senadora, chamando-as de propaganda política para um público partidarista. Alguns disseram que suas críticas a Washington sugeriam suas ambições presidenciais.

"Talvez fosse melhor Hillary Clinton concentrar-se um pouco mais em seu mandato de senadora de Nova York e menos em concorrer à presidência", disse Stephen J. Minarik, diretor do Partido Republicano do Estado.

Em críticas duras, Clinton disse que, cooperando com republicanos, estava a imprensa de Washington, que se tornou uma pálida imitação dos repórteres da era do Watergate, que estão sendo celebrados depois da identificação da fonte anônima do jornal "The Washington Post", conhecida como Garganta Profunda.

"É chocante quando você vê como é fácil eles enrolarem a mídia hoje em dia", disse Clinton, novamente sob fortes aplausos. "Eles não sustentam suas posições. Se são criticados pela Casa Branca, se desmancham. Quero dizer, vamos lá rapazes, vamos endurecer; em jogo estão simplesmente nossa constituição e nosso país."

Clinton disse que queria "voltar a ter uma agenda mais progressiva, que levante as pessoas". O outro lado quer fazer de Washington uma "zona livre de provas", onde os legisladores votam cegamente nomeações como a de Janice Rogers Brown, uma juíza da Suprema Corte da Califórnia nomeada por Bush a uma corte de apelos federal que vem criticando as políticas democratas.

"Esta é uma mulher que de fato vê o mundo em termos do século 19", disse Clinton. "Vocês lembram, durante o governo Clinton, falávamos em construir uma ponte para o século 21. Este governo quer construir uma ponte para o século 19."

Em nota mais otimista, ela disse que os democratas parecem ter basicamente "detido" o "esquema" de Bush para reformar a previdência social.

Mas ela condenou suas políticas fiscais, particularmente os cortes de impostos, dizendo que estavam inflando o déficit e cedendo "soberania fiscal" para países como a China, que são mais difíceis de influenciar quando se tornam "seus banqueiros". Em um evento para arrecadar fundos, senadora critica governo Bush Deborah Weinberg

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