UOL Notícias Internacional
 

07/06/2005

Polêmico projeto de estádio em NY é rejeitado

The New York Times
Charles V. Bagli e Michael Cooper

Em Nova York
A tentativa de quase quatro anos do prefeito Michael R. Bloomberg de construir um estádio de futebol americano em Manhattan, capaz de incentivar a recuperação de West Side e atrair os Jogos Olímpicos para Nova York, foi derrotada nesta segunda-feira (6/6), quando dois líderes de Albany se recusaram a aprovar o projeto de US$ 2,2 bilhões.

Kohn, Pedersen, Fox/The New York Times 
Desenho do estádio de futebol no oeste de Manhattan, em NY, cujo projeto foi rejeitado nesta segunda-feira, dia 6
A decisão colocou em dúvida o potencial da cidade para vencer a disputa para sediar as Olimpíadas de 2012.

De longe o projeto mais polêmico proposto para NY em anos, o estádio se tornou vítima das brigas entre o Estado e a cidade sobre a reconstrução após os ataques de 11 de setembro de 2001.

O presidente da Assembléia, Sheldon Silver, que detém poder de veto quanto ao projeto do estádio, disse na segunda-feira que não podia apoiar as obras em West Side, e tampouco o grande plano de retomada de desenvolvimento comercial proposto pelo prefeito, porque isso minaria a recuperação de Lower Manhattan, o seu distrito.

"Será que eu deveria dar as costas para Lower Manhattan no momento que o bairro luta para se recuperar?", perguntou Silver em uma entrevista coletiva à imprensa em Albany. "Em troca de quê? Um estádio? Pela esperança de trazer as Olimpíadas para Nova York?".

Joseph L. Bruno, líder da maioria no Senado, também não apoiou o projeto, afirmando que não recebeu informações suficientes sobre o empreendimento. Ele tentou, mas não conseguiu, obter apoio para um plano de autorização do estádio com a condição de que a cidade vencesse a disputa pelas Olimpíadas.

Mas a decisão da segunda-feira, tomada pela Comissão de Controle de Autoridades Públicas do Estado, torna bem mais difícil, se não impossível, que a cidade garanta a construção de um estádio olímpico, um pré-requisito para sediar os Jogos.

Apenas algumas horas antes, o Comitê Olímpico Internacional divulgou um relatório afirmando que a incerteza quanto ao estádio era o único ponto fraco na proposta de Nova York. O comitê elogiou a proposta de Paris. Em menos de quatro semanas, o comitê olímpico planeja escolher uma das seguintes cidades como sede das Olimpíadas: Paris, Londres, Madri, Moscou ou Nova York.

"Não fui capaz de persuadi-lo", disse Bloomberg após o anúncio feito por Silver. "Quanto à nossa proposta olímpica, a rejeição do estádio prejudicará seriamente as nossas chances de sediar os jogos de 2012".

"Aqueles que se opuseram ao estádio terão que explicar por que são contra o crescimento econômico e o aumento do número de empregos", disse ele. Assessores do prefeito acrescentaram que ele ficou furioso com Silver, acreditando que o presidente da casa legislativa não negociou de boa-fé.

A votação também gerou dúvidas quanto aos ambiciosos planos de Bloomberg de recuperar a área semi-industrial de West Side e de expandir o Centro de Convenções Jacob K. Javits a fim de atrair mais convenções para Nova York.

O prefeito planejou o estádio como a peça central de um grande projeto de desenvolvimento comercial e residencial no antigo distrito marítimo ao longo do rio, que contaria com uma linha de metrô e novas e espaçosas avenidas.

Bloomberg, juntamente com os New York Jets, os sindicatos municipais de construção e alguns grupos empresariais, disse que o estádio seria o catalisador de milhares de novos empregos, de novas rendas fiscais e de um novo distrito comercial.

"Sem ele, não contamos com o catalisador para o crescimento dessa área, e teremos que revisar os nossos planos para compensar essa perda", lamentou Bloomberg. "Esse atraso será medido em anos, e não em meses".

Segundo ele, a votação também significará a perda de milhões de dólares para a Autoridade de Transporte Metropolitano, que planejava vender o local onde seria construído o estádio para os Jets.

Mas o prefeito não contava com o poder da pouco conhecida comissão estadual, que é controlada por três líderes de Albany: Silver, Bruno e o governador George E. Pataki.

Sem uma decisão unânime da comissão, a Autoridade de Transporte Metropolitano não pode transferir o terreno, e o Estado não tem permissão de contribuir com a sua metade do subsídio público de US$ 600 milhões.

Pataki apoiou o estádio, mas devido ao fato de Silver e Bruno terem ordenado aos legisladores de seus grupos parlamentares que se abstivessem de votar, o projeto não pôde seguir em frente.

Bloomberg não foi também capaz de conter a determinação de Silver de lutar pelo seu distrito urbano, que jamais recuperou a vitalidade econômica que possuía antes dos ataques terroristas.

Assessores do prefeito, afirmando que ficaram desconcertados com o voto de Silver, disseram que ofereceram a ele vários incentivos elaborados para manter os negócios no centro da cidade, incluindo isenções fiscais sobre aluguéis comerciais e penalidades para quem se mudasse do centro para West Side.

As propostas, apresentadas em negociações de última hora no final de semana, foram recebidas por Silver com um silêncio sepulcral, disseram os assessores.

Silver se opõe ao projeto de 2,2 milhões de metros quadrados que a prefeitura apresentou para West Side, alegando que tal projeto inevitavelmente prejudicaria o crescimento do centro.

"As Olimpíadas de 2012 estão sendo utilizadas como escudo para ocultar um outro objetivo: deslocar a capital financeira e empresarial do mundo de Lower Manhattan para West Side", acusou Silver.

Para contar com a sua aprovação, ele disse que o estádio teria que ser construído em um outro local que não fosse West Side --de preferência próximo ao Shea Stadium, no Queens [região periférica da cidade de Nova York]-- e o grande projeto de desenvolvimento para a área teria que ser cancelado.

Vários dos maiores grupos de defesa dos direitos civis, assim como muitos economistas e grupos de bairro de West Side concordaram com a oposição de Silver ao projeto, embora às vezes por motivos diferentes.

Eles disseram que o estádio afugentaria o desenvolvimento ao desencorajar os donos de escritórios e residências que não gostariam de trabalhar e morar próximos ao complexo esportivo.

"Esse nunca foi um projeto de desenvolvimento econômico", acusa Robert D. Yaro, presidente da Associação de Plano Regional, que se opôs ao estádio, embora apóie a recuperação de West Side.

"Praticamente todos os observadores independentes concluíram que o empecilho à recuperação de West Side era o estádio".

Muitos profissionais do setor imobiliário advertiram Bloomberg, e o vice-prefeito, Daniel L. Doctoroff, ex-banqueiro e arquiteto da proposta municipal para as Olimpíadas, disse que o estádio seria o calcanhar de Aquiles da proposta olímpica.

Em uma reunião da Hudson Yards Coalition, instituição favorável à construção do estádio, ocorrida quatro anos atrás, um dos donos dos Yankees alertou que a construção na área ferroviária em West Side seria uma tolice, devido à oposição da comunidade, às potenciais ações judiciais e às regulamentações ambientais. E ele não foi o único.

"Todos na cidade deram esse conselho aos organizadores olímpicos", disse Yaro.

Porém, àquela época, ninguém teria previsto que James Dolan, cuja família controla a Cablevision e o Madison Square Garden, veria no estádio um concorrente e lançaria um esforço concentrado para dinamitar o projeto, contratando lobistas e gastando milhões de dólares em propagandas de televisão.

Os Jets propuseram a construção de um estádio de US$ 2,2 bilhões, quase quatro vezes mais do que os US$ 630 milhões gastos na construção do estádio mais caro dos Estados Unidos, o novo Soldier Field, em Chicago.

Os próprios Jets prometeram investir US$ 1,4 bilhão, mais do que qualquer outro time profissional, enquanto a cidade e o Estado, juntos, investiriam US$ 600 milhões.

O time projetou o estádio de forma que dobrasse de tamanho como área de exibição, para funcionar em conjunto com o Centro de Convenções Javits. Mas essa característica gerou críticas contundentes ao projeto.

A reunião da Comissão de Controle de Autoridades Públicas atraiu centenas de sindicalistas furiosos, que pediram ruidosamente que o estádio fosse construído e zombaram dos que se opõe ao projeto.

As tensões atingiram o ápice quando o senador estadual Thomas K. Duane, um democrata que representa a região de West Side em Manhattan, se preparou para falar aos oponentes do estádio.

De repente ele se viu cercado por defensores do projeto, que gritavam furiosos contra os oponentes. A confusão terminou quando vários policiais entraram no salão, a alguns dos sindicalistas mais calmos pediram aos colegas que se sentassem.

Após a votação, a multidão ficou cada vez mais barulhenta. Os membros da comissão foram escoltados para fora do salão.

Um manifestante berrou: "Veremos Silver de manhã". À medida que os membros da comissão deixavam o local, os manifestantes gritavam: "Silver tem que ir embora! Agora!". Decisão pode minar chances de a cidade sediar Olimpíada de 2012 Danilo Fonseca

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