UOL Notícias Internacional
 

08/06/2005

Coréia do Norte está voltando às negociações necleares, dizem EUA e China

The New York Times
David E. Sanger*

Em Washington
Autoridades dos EUA e da China afirmaram nesta terça-feira (7/6) que a Coréia do Norte se comprometeu a retornar às negociações multinacionais sobre seu programa nuclear, mas que ainda não deu datas.

O desdobramento deixou tanto as autoridades americanas quanto as asiáticas se perguntando se Pyongyang estava simplesmente tentando evitar que sanções sejam propostas à Organização das Nações Unidas.

Depois de um ano de suspensão nas negociações de seis nações, os representantes da Coréia do Norte junto à ONU fizeram as declarações em uma reunião na segunda-feira em Nova York com dois diplomatas americanos, Joseph DeTrani e Jim Foster.

Mas depois de um dia de sinais conflituosos em Washington sobre o que os norte-coreanos de fato disseram e uma previsão otimista de um representante chinês na ONU, de que as negociações seriam resumidas "nas próximas semanas", tanto as autoridades americanas quanto as asiáticas expressaram a necessidade de cuidado.

Elas observaram que o presidente Bush terá em breve, na sexta-feira, uma reunião com o presidente da Coréia do Sul, Roh Moo Yun, na qual Bush deve discutir quanto tempo os EUA e seus aliados devem continuar com o processo diplomático até agora infrutífero.

Roh opôs-se a qualquer movimento por sanções que pudessem cortar o comércio com o Norte e aconselhou maior engajamento com Pyongyang. Mesmo a perspectiva ambígua de volta às negociações poderá reforçar sua posição no almoço com o presidente Bush.

Uma autoridade asiática profundamente envolvida no processo foi cética em relação ao progresso em Nova York, dizendo que a declaração norte-coreana "pode ter sido feita para nos manter no ar".

A principal autoridade americana responsável pelas negociações, Christopher R. Hill, também foi cuidadosa. Saindo de uma audiência no Congresso sobre a China e a Coréia do Norte, Hill informou aos repórteres que os norte-coreanos tinham dito em Nova York que estavam "compromissados" com as negociações.

Ele disse que "a preocupação agora é conseguir uma data" e acrescentou: "Precisamos tomar cuidado com a forma como caracterizamos" as declarações norte-coreanas no encontro de Nova York.

Dentro do governo Bush, a questão de quanto tempo insistir nas negociações --que também envolvem Rússia, China, Japão e Coréia do Sul-- tem sido fonte de contínuo debate.

Algumas autoridades, tanto no Pentágono quanto na Casa Branca, argumentam que chegou a hora de impor sanções, observando que as negociações anteriores não tiveram resultados e que nenhum avanço foi feito desde que os EUA apresentaram uma oferta modesta ao Norte há um ano.

Uma alta autoridade do Departamento de Estado, viajando com o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld, sugeriu no final de semana que as sanções poderiam estar a semanas de distância.

Ela foi rapidamente corrigida pela secretária de Estado Condoleezza Rice, que disse aos repórteres que não havia prazos e que a probabilidade era baixa de uma decisão ser feita tão rapidamente. Rumsfeld, do outro lado do mundo, rapidamente disse aos repórteres a mesma coisa.

Em Washington, entretanto, várias agências vêm fazendo planos para possíveis sanções, inclusive o que pode ser uma quarentena do país, com navios e aviões de busca fiscalizando carregamentos ilícitos de mísseis, drogas e dinheiro falsificado.

Essas táticas, porém, provavelmente serão fadadas ao fracasso se os EUA não obtiverem a cooperação da China, maior parceira comercial da Coréia do Norte e sua principal fonte de alimento e combustível. Até agora, os chineses não mostraram nenhum interesse em adotar a ameaça.

Em vez disso, Pequim pediu paciência e otimismo. "Acho que (a retomada) será em breve, nas próximas semanas", disse o embaixador chinês Wang Guanya na ONU. "Já se passou um ano. Foi adiada tempo demais. Todos concordam que a negociação de seis partes é a melhor forma de resolver a questão nuclear na península coreana."

Perguntado sobre a possibilidade de levar a questão ao Conselho de Segurança, ele disse: "Para a China, levar essa questão ao Conselho de Segurança nesta altura seria prematuro."

Hill, que é o novo subsecretário de Estado de Assuntos da Ásia e do Pacífico, expressou frustração hoje por não ter havido maior pressão sobre a Coréia do Norte.

"Pedimos à China que fizesse mais" para convencer a Coréia do Norte a voltar à mesa, disse ao comitê de Relações Exteriores do Senado. "A Coréia do Norte depende da China todos os dias para ter combustível e alimento. Esperamos mais. A China precisa usar sua influência", disse ele, observando em certa altura que "claramente a China reluta em usar sanções econômicas".

Hill, negociador veterano, está argumentando internamente que o governo deve ser mais claro com a Coréia do Norte sobre o que ganharia desistindo das armas que alega ter, segundo seus colegas no Departamento de Estado. O subsecretário, porém, não sugeriu isso hoje, dizendo ao comitê: "Algumas vezes os americanos são famosos por sua impaciência. Mas eu acho que um ano é um longo tempo."

Apesar de prestar mais de uma hora de testemunho na audiência, Hill não fez menção às declarações norte-coreanas no encontro em Nova York de segunda-feira.

*Colaboraram Warren Hoge e Joel Brinkley. Autoridades estimam que norte-coreanos pretendem evitar sanções Deborah Weinberg

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