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08/06/2005

Força de trabalho da GM continua encolhendo

The New York Times
Jeremy W. Peters*

Em Flint, Michigan
Jayne Atwell descreve a si mesma como uma "cigana da GM", o nome dado pelos trabalhadores da General Motors às pessoas que têm sido transferidas de uma fábrica para outra ao longo dos anos, à medida que a empresa tem fechado fábricas e reduzido sua força de trabalho.

"Eu passei por cinco fábricas nos últimos 10 anos e ainda estou me segurando lá", disse Atwell, 42 anos, que agora monta painéis na linha de montagem da caminhões da GM aqui em Flint.

Para Atwell e muitos outros trabalhadores da GM em Flint, a perspectiva de cortes mais profundos na força de trabalho da empresa não era uma questão de se, mas quando.

Assim, nesta terça-feira (7/6), quando a notícia se espalhou de que a GM planeja demitir mais de 20% de seus operários nos Estados Unidos, isto não causou muita surpresa ou estardalhaço.

"A gente nada conforme a maré", acrescentou Atwell enquanto entrava em sua Chevrolet Trailblazer após seu turno. "Eu vivo com minha fé, e Deus cuidará disto de um jeito ou de outro."

Barney Morgan, que trabalha na GM há 28 anos, disse estar acostumado a assistir o número de operários ao redor dele encolher. No Flint Metal Center da GM, onde Morgan é um operador de guindaste, o número de vagas de trabalho foi reduzido em um terço desde 1998, quando a fábrica tinha perto de 3.400 funcionários.

"Estamos encolhendo em toda parte", acrescentou Morgan. "O que costumava necessitar de 15 pessoas para operar agora necessita de seis ou sete."

A notícia de que a GM demitirá ainda mais funcionários não foi uma surpresa, ele disse. "Nós sabíamos que ia acontecer."

Os trabalhadores do Flint Metal Center, que faz partes a partir de chapas de metal para carros e caminhões, sabem um pouco sobre lutar com a direção da GM pelos empregos.

No verão de 1998, uma greve nesta fábrica e em outra do outro lado da cidade suspendeu as operações da GM na América do Norte. Por quase oito semanas, 9.200 trabalhadores em greve aqui mantiveram inativa a produção de veículos da GM, forçando a empresa a fechar quase todas as suas fábricas na América do Norte por grande parte do verão e dispensar temporariamente cerca de 200 mil trabalhadores.

A GM não disse onde sua mais recente rodada de demissões atingirá mais duramente ou que fábricas fecharão. Mas em Flint, muitos trabalhadores disseram que passaram relutantemente a aceitar o fato de que insegurança no emprego agora faz parte do trabalho na indústria automobilística.

"Não é como costumava ser", disse Bridget Campbell, 49 anos, uma soldadora da Flint Metal que trabalha na GM há 27 anos. "Quando fui contratada, quase todo mundo podia conseguir um emprego.

Atualmente você precisa conhecer alguém para entrar." Restando três anos para se aposentar, Campbell disse que espera conseguir manter seu emprego por este tempo. "Eu só espero conseguir concluir meus últimos três anos."

Nas fábricas da GM por todo o país na terça-feira, trabalhadores davam de ombros diante da notícia de demissões. Para muitos, não é a primeira vez que escutam que a empresa está reduzindo sua força de trabalho.

"Eu estou aqui há 29 anos; eles estavam prestes a fechar esta fábrica quando comecei; a gente lida com o que aparece", disse Ron Pohlman, 49 anos, um operário da linha de montagem da GM em Janesville, Wisconsin, cujos 3.900 funcionários fabricam alguns dos veículos utilitários esporte mais lucrativos da empresa, como o GMC Yukon e o Chevrolet Tahoe.

C.E. Williams, 55 anos, um supervisor da fábrica de utilitários esporte da GM em Arlington, Texas, que tem um total de 2.800 funcionários, disse simplesmente: "Não há nenhuma garantia neste ramo".

Williams, que trabalha para a GM desde 1976, disse que vê as demissões como parte normal dos negócios. "A maioria das grandes empresas assume uma postura de crise quando as coisas vão mal --acontece a cada cinco ou seis anos. Elas falam em downsizing, corte de benefícios."

Como muitos funcionários da GM que desfrutam de décadas de senioridade, Jim Palso, 61 anos, um funcionário de manutenção na Flint Metal, disse estar confiante de que seu emprego está seguro. "Eu não sinto nenhum desconforto", disse ele. "Eu já tenho 38 anos, então não tentariam me demitir."

Manny Salazar, 47 anos, um coordenador de comunicação do sindicato United Automobile Workers na fábrica de Arlington, expressou otimismo de que a fábrica continuará aberta, mas alertou sobre a demanda por veículos utilitários esporte.

"Eles já estão no mercado há cinco, seis anos agora", disse ele. "As pessoas querem uma mudança. As pessoas gostam de mudança. E olhe o preço da gasolina! E independente de quanto você ganhe, você nota o quão cara está a gasolina, não é?"

Alguns poucos trabalhadores da GM expressaram preocupação com a perda do emprego, mas a possibilidade já passou pela mente de muitos.

Chuck Peters, um pintor na Flint Metal que também é dono de um salão de bronzeamento na vizinha Grand Blanc, disse que como proprietário de um negócio, ele sabe quão ruim está a economia. Ele tem visto os negócios diminuírem recentemente, ele disse, porque as pessoas na região têm menos dinheiro para luxos como bronzeamento artificial.

"Todo mundo está demitindo, todo mundo está se reorganizando", disse Peters, 45 anos. "É cíclico e algo pelo qual todos passam."

Peters descreveu como inevitável ou uma redução de salário ou um corte nos benefícios, se não ambos. "O que mais você vai fazer?" disse ele. "Eu preferiria não precisar, mas eu não tenho escolha."

Pohlman, o trabalhador de Janesville, disse estar preocupado com os trabalhadores mais jovens da GM, que não podem contar com a senioridade e podem ser obrigados a deixar Janesville caso sejam demitidos. "Ninguém quer deixar a família, amigos e os pontos de caça e pesca favoritos", disse ele.

Williams, o supervisor em Arlington, disse saber que nenhuma fábrica, incluindo a sua, é imune. "Eu não acho que seja possível ficar totalmente à vontade", disse ele.

Outros trabalhadores estão se preparando para transferência para outra fábrica, uma possibilidade para os trabalhadores de fábricas que a GM vai fechar.

"Se me disserem que terei que ir para Illinois ou algo assim, então vou ficar irritada", disse Atwell, que se descreveu como a cigana da GM. "Prefiro não pensar a respeito."

*Colaboraram Eric O'Keefe, em Arlington, Texas, e Aaron Nathans, em Janesville, Wisconsin, com reportagem. Crise da maior montadora de carros do mundo cria "ciganos da GM" George El Khouri Andolfato

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