UOL Notícias Internacional
 

09/06/2005

EUA mantêm oposição à presença da Alemanha no Conselho de Segurança da ONU

The New York Times
Steven R. Weisman

Em Washington
O governo Bush, em uma medida que está estremecendo as relações com o governo do chanceler Gerhard Schröder, novamente foi contrário à candidatura alemã a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, disseram autoridades americanas e européias na quarta-feira (8/6).

As autoridades disseram que a secretária de Estado Condoleezza Rice transmitiu a posição americana em particular ao ministro de relações exteriores alemão, Joschka Fischer, na quarta-feira.

Ela teria sugerido que a expansão do Conselho de Segurança era secundária a outras mudanças na ONU, como a simplificação da administração. Há semanas que os EUA se recusavam a endossar o esforço alemão, mas sua posição tornou-se mais enfática nos últimos dias.

"Há muitas reformas na mesa", disse Condoleezza aos repórteres, com Fischer ao seu lado, depois do encontro no Departamento de Estado. "Em um contexto de ampla reforma, também achamos que as propostas para o Conselho de Segurança precisam ser examinadas". Ela disse que "várias idéias" receberiam "uma discussão sóbria e reflexiva" para se chegar a um consenso.

Segundo autoridades alemãs, Condoleezza disse a Fischer que os EUA não se opunham ao esforço alemão per se, mas que questionavam a expansão do Conselho de Segurança de 15 para 25 membros, como proposto pela Alemanha, Japão, Índia e Brasil, que se uniram para defender sua inclusão permanente.

"Os EUA deixaram entender que suas preocupações sobre esse procedimento não são motivadas por considerações anti-germânicas. Ela (Condoleezza) deixou isso claro", disse Wolfgang Ischinger, embaixador alemão nos EUA, que participou do encontro com Fischer.

No entanto, vários outros diplomatas europeus e asiáticos envolvidos na promoção da expansão no Conselho de Segurança ficaram com a impressão de que o governo Bush se opõe à inclusão da Alemanha, mesmo que venha a aceitar a inclusão de outros países.

Alguns diplomatas acreditam que um dos fatores que explicam a posição americana é sua desconfiança de Schröder, que irritou o presidente Bush quando foi contra a guerra no Iraque em 2002, enquanto fazia campanha pela reeleição, e depois se opôs à guerra na ONU, em 2003. Schroeder enfrentará outra disputa pela reeleição neste ano.

A expansão do Conselho de Segurança precisa do apoio de 128 nações, ou dois terços dos 191 membros da ONU. Haverá uma votação em setembro, mas os diplomatas envolvidos no esforço dizem que é necessário se chegar a um consenso até julho para que haja alguma mudança.

A Alemanha e outros países admitem que não têm os votos necessários, mas alegam que estão fazendo progresso. O apoio americano é considerado essencial para que haja consenso.

Oficialmente, o governo Bush apenas endossou a inclusão do Japão, apesar deste ter se unido à Alemanha, Índia e Brasil em seu movimento pela expansão do conselho. Alguns especulam que as diferentes nações talvez tenham que separar suas candidaturas da Alemanha para ganharem o apoio americano.

"A candidatura alemã não foi recebida com entusiasmo por Washington. E estou usando um eufemismo diplomático", disse um diplomata europeu.

O governo Bush diz que considera a "reforma" da ONU uma prioridade e que por isso nomeou John R. Bolton para ser embaixador junto à organização. A chamada oposição americana crescente à inclusão permanente da Alemanha no Conselho de Segurança estarreceu e confundiu muitos diplomatas, que disseram que só podiam falar sobre isso se não fossem citados por nome ou país.

Um alto diplomata europeu envolvido em uma série de negociações disse que a oposição americana estava irritando a Alemanha em um momento delicado e poderia dificultar os trabalhos com este país em questões como a negociação com o Irã para que desista de obter armas nucleares.

Falando aos repórteres antes de se reunir com Condoleezza, Fischer disse que compreendia que a Alemanha enfrentava dificuldades em convencer os EUA dos méritos de sua candidatura, mas a expansão do Conselho de Segurança era necessária para fortalecer sua legitimidade pelo mundo.

A Alemanha, disse ele, merece ser um membro permanente. O país paga uma grande soma das finanças da ONU, enviou forças de seguranças do Afeganistão e aos Bálcãs, está na frente do combate à proliferação de armas nucleares e promove a paz e desenvolvimento econômico no Oriente Médio e no mundo árabe.

Perguntado sobre as chances de convencer os EUA, ele disse: "Estamos fazendo o melhor possível."

Vários diplomatas ficaram estarrecidos com o fato de os EUA não formularem uma proposta alternativa à do Japão, Alemanha, Índia e Brasil.

Em vez disso, os americanos se concentraram em melhorar o funcionamento do escritório do secretário-geral e estabelecer mecanismos para reconstruir países destruídos por conflitos, um novo tratado para combater o terrorismo e um fundo voluntário para promover a democracia.

Outra de suas prioridades é reformar a Comissão de Direitos Humanos para impedir que países como o Sudão participem da comissão e impeçam sua ação. Proposta alemã prevê assento permanente também para o Brasil Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host