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10/06/2005

Agressividade de Dean divide Partido Democrata

The New York Times
Anne E. Kornblut

Em Washington
Depois de apenas quatro meses à frente do Partido Democrata, Howard Dean viu-se em um território implacável, mas familiar. Quando visitou o Congresso nesta quinta-feira (9/6), ele se deparou com um número crescente de críticos e, reservadamente, foi censurado por lideranças do seu partido devido às declarações depreciativas que deu a respeito dos republicanos nas últimas semanas.

Jamie Rose/The New York Times 
Howard Dean em reunião democrata na 5ª
Os republicanos o atacaram com entusiasmo devido às declarações, que eles descreveram como "golpes abaixo da cintura". Enquanto isso, os democratas lutavam para defendê-lo, mas sem alarde reconheciam que Dean mostra ser tão polarizador quanto eles antigamente temiam.

"Sempre fui muito cauteloso ao lidar com os meus amigos democratas, os meus amigos independentes e os meus amigos republicanos conscientes, de modo que estou preocupado com tudo que possa ser desnecessariamente divisivo", afirma o senador Ben Nelson, de Nebraska, um democrata de um Estado predominantemente republicano, após almoço com Dean no Senado.

Nelson estava entre aqueles que admoestaram Dean reservadamente, advertindo o ex-governador de Vermont para que este não criasse o risco de afastar os republicanos ao recorrer a insultos pessoais do tipo que fez na semana passada, quando disse que "muitos deles não ganham a vida de forma honesta".

Nos últimos dias, Dean lançou várias outras farpas contra os republicanos, afirmando que o partido é composto apenas de conservadores cristãos brancos que não toleram a diversidade étnica e que detesta aquilo que eles representam.

"Os republicanos não são muito amáveis com diferentes tipos de pessoas", disse Dean durante uma discussão coletiva na Califórnia no início da semana. "Eles são um partido bastante monolítico. Todos se comportam da mesma forma, e têm a mesma aparência".

A crítica ficou mais áspera no último final de semana, quando vários líderes democratas --especialmente o ex-senador John Edwards, da Carolina do Norte, e o senador Joe Biden, de Delaware, ambos possíveis candidatos presidenciais-- manifestaram abertamente reprovação aos comentários de Dean.

Os republicanos também atacaram os seus comentários. O senador Gordon Smith, republicano do Estado de Washington, denunciou as declarações de Dean no plenário do Senado na última quarta-feira. "Esse tipo de fala carregada de ódio realmente não tem um lugar produtivo no nosso discurso político", disse Smith.

Na quinta-feira, Dean tentou desviar as atenções que estavam voltadas para os seus impropérios e culpou os republicanos pela atenção contínua dispensada aos comentários que fez.

Acuado por um grupo de repórteres que se amontoavam na pequena sala com Harry Reid, de Nevada, o líder da minoria democrata no Senado, Dean minimizou a consternação. "Vocês sabem, achou que muito disso é exatamente o que os republicanos querem. Trata-se de uma evasiva", disse Dean.

"Nós não tivemos nenhuma discussão sobre o que está ocorrendo no circo da mídia nas duas últimas semanas", afirmou. "Estamos nos concentrando em como criar um sistema de previdência social decente, implementar uma defesa nacional forte, fazer com que os Estados Unidos voltem a fornecer empregos, lidar com preços incrivelmente altos da gasolina e conseguir uma lei para o setor de energia que realmente tenha um efeito sobre esses preços".

No passado, ex-dirigentes de ambos os partidos fizeram comentários ferinos a respeito dos seus oponentes: o ex-líder democrata Terry McAuliffe, em especial, era conhecido pelas críticas cáusticas aos parlamentares republicanos.

E embora Ken Mehlman, o atual líder republicano, seja bem mais cauteloso do que Dean, ele também conta com a vantagem de ter um Congresso e uma Casa Branca controlados por republicanos, o que reduz a necessidade de criar notícias baseadas em críticas ferozes.

O senador Chris Dodd, de Connecticut, ex-presidente do Partido Democrata, disse que muitas vezes fez comentários dos quais se arrependeu, mas que isso não tinha tanta importância, já que ocupava o cargo quando havia um democrata na Casa Branca.

O problema do temperamento de Dean o acompanha desde do início da sua fracassada tentativa de ser o candidato democrata à presidência, encarnada no famoso "grito de Dean" [I have a scream], o discurso feito por ele após perder as primárias em Iowa, e que foi utilizado pelos republicanos para pintá-lo como um extremista liberal.

Durante a sua disputa pela presidência do partido, Dean se esforçou para provar às preocupadas lideranças partidárias que ele estava mais para um ex-governador com comando sobre a situação do que para um incendiário apaixonado, e enfatizou as suas habilidades organizacionais e executivas. No final, ele intensificou a sua competitividade, tirando esses líderes da disputa a fim de concorrer sem adversários.

Alguns líderes democratas dizem que estão bem mais preocupados com a falta de habilidade de Dean para levantar verbas, citando a abundância de dinheiro dos republicanos.

Membros do Partido Republicano disseram que em maio deste ano tinham mais de US$ 30 milhões, e que desde então esse fundo subiu para US$ 44 milhões, ultrapassando em muito os democratas. O porta-voz Brian Jones disse que os republicanos contam com um número de doadores de verbas três vezes maior que os democratas.

Mas Karen Finney, porta-voz do Comitê Nacional Democrata, diz que tem arrecadado US$ 1 milhão por semana. Segundo ela, neste ano, até o momento, o comitê já arrecadou US$ 18,6 milhões.

Nos seus primeiros meses como presidente do comitê, Dean atuou de forma relativamente discreta, tendo aparecido poucas vezes na televisão. Segundo consultores próximos à organização, ele se espelhou na senadora Hillary Clinton, democrata por Nova York, que trabalhou no sentido de suavizar a sua imagem polarizadora quando ocupou a sua vaga no Senado, ouvindo mais do que falando, e evitando a atenção excessiva da mídia.

Hillary estava entre aqueles que participaram do almoço, mas ela logo deixou o local. Enquanto isso, os republicanos fizeram questão de registrar a visita de Dean --algo para o qual, em ocasiões normais, não teriam dado a menor bola.

"Howard Dean continua a aplicar alguns dos golpes políticos abaixo da cintura mais sujos da história", criticou, em uma entrevista coletiva à imprensa, o deputado Roy Blunt, de Missouri, uma das vozes mais críticas da maioria republicana na Câmara.

Mas outros democratas disseram não estar preocupados com Dean. "Quando determinadas questões não lhes são favoráveis --seja a previdência social, o preço da gasolina ou a nomeação de juízes--, os republicanos tentam criar uma cortina de fumaça", criticou o senador Charles E. Schumer, de Nova York.

No que diz respeito às declarações de Dean ou de outros atritos entre os dois partido, Schumer afirma: "O norte-americano comum não está ligando para isso". Os democratas defendem seu líder, mas reservadamente o criticam Danilo Fonseca

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