UOL Notícias Internacional
 

10/06/2005

EUA e Reino Unido concordam com alívio para as dívidas de nações pobres

The New York Times
Elizabeth Becker e Richard W. Stevenson

Em Washington
Os EUA e o Reino Unido alcançaram um acordo sobre como suspender a dívida de bilhões de dólares que as nações mais pobres do mundo devem a credores internacionais.

As duas nações, dessa forma, removeram o último impedimento para que se chegue a um acordo final, há muito esperado, entre as nações mais ricas, disse uma autoridade envolvida nas negociações na quinta-feira (9/6).

O secretário do tesouro americano John W. Snow e seu colega britânico Gordon Brown vão apresentar sua proposta na sexta-feira, na reunião dos ministros das finanças do Grupo das Sete nações industriais em Londres, disse a autoridade.

O plano liberaria 18 nações, a maior parte na África, da obrigação de pagar US$ 16,7 bilhões (aproximadamente R$ 41 bilhões) que devem aos credores internacionais, disse a autoridade, que pediu anonimato porque o anúncio formal ainda não tinha sido feito.

As dívidas serão perdoadas para permitir que os países devedores comecem novamente, arrumem suas contas e eventualmente possam pegar emprestado novamente para projetos de desenvolvimento econômico, saúde, educação e programas sociais, em vez de simplesmente repagarem os empréstimos existentes.

O presidente Bush havia assinalado que aceitava a idéia em princípio, mas os EUA e o Reino Unido tinham idéias muito diferentes sobre como realizar o plano. O acordo que negociaram em Washington e Londres nos últimos dias deram à Casa Branca grande parte do que queria, mas também deram ao primeiro-ministro Tony Blair um impulso muito necessário quatro semanas antes da reunião de cúpula do G-8, a qual dirige.

"Sim, chegamos a um acordo explicando o que o presidente Bush e o primeiro-ministro descreveram outro dia em Washington", disse a autoridade.

É provável que o acerto sobre o perdão da dívida seja a única grande questão da reunião do G-8 na Escócia, na qual os EUA estão em pleno acordo com as outras grandes nações industriais, que além do Reino Unido, incluem a França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão. A Rússia é a oitava nação.

Os esforços de Blair para persuadir os EUA a se aproximarem da posição de outras nações industriais sobre o combate ao aquecimento global foram em vão.

Bush resistiu aos pedidos de Blair para dobrar sua ajuda direta à África, dizendo que os EUA já triplicaram sua assistência aos países africanos nos últimos anos e dariam mais quando essas nações mostrassem eficácia.

O governo rejeitou a proposta britânica de criação de um novo corpo internacional, que levantaria fundos para a África pegando emprestado contra promessas de ajuda futura.

As negociações para o perdão da dívida foram atravancadas durante meses por duas questões. Uma era se a as nações ricas deviam assumir a responsabilidade de pagar as dívidas, como propôs o Reino Unido, ou se os empréstimos deviam ser inteiramente perdoados pelos credores, abordagem favorecida pelos EUA.

No final, o Reino Unido concordou com a abordagem americana, junto com a promessa americana de dar mais dinheiro aos credores para compensar o perdão da dívida.

A segunda questão era se o Fundo Monetário Internacional deveria vender parte de suas reservas em ouro para ajudar a pagar os empréstimos devidos ao órgão.

Os EUA fizeram objeções, dizendo que a venda faria baixar o preço do ouro no mercado aberto, prejudicando os produtores de ouro americanos. A solução acordada foi a de tirar parte da renda obtida pelo fundo com as vendas de ouro nos anos 90, de acordo com a autoridade.

Em teoria, o acordo vai liberar 18 países de fazerem pagamentos de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2,5 bilhões) de juros por ano ao Banco Mundial, FMI e outros bancos internacionais, como o Banco de Desenvolvimento Africano.

Na prática, essas nações não vinham pagando as parcelas e ficavam mergulhadas em dívidas e incapazes de entrar plenamente na economia global.

Eventualmente, o programa poderá se estender a nove outros países que devem fazer pressão para receber tratamento similar. O cancelamento da dívida do Terceiro Mundo vem sendo pedido por ativistas em torno do mundo há anos, e o governo Blair vinha buscando um acordo.

Grupos ativistas saudaram o acordo. Imediatamente, porém, começaram a pedir mais ajuda às nações mais pobres.

"O presidente Bush e o primeiro-ministro Blair fizeram grande progresso. Gordon Brown e John Snow concordaram com uma excelente proposta para o cancelamento da dívida de muitos dos países mais pobres", disse Jamie Drummond, diretor executivo de uma organização de lobby chamada Data, fundada pelo músico irlandês Bono.

"A cooperação não substitui um plano geral de assistência e comércio na reunião de cúpula do G-8, mas deve criar um avanço histórico", disse Drummond.

Todos os países elegíveis para cancelamento da dívida tiveram que mostrar que tomaram medidas para melhorar seu governo, reduzir a corrupção e seguir o que as instituições internacionais de empréstimo consideram políticas econômicas sólidas.

Mesmo que a posição do governo americano sobre os detalhes de como ajudar as nações mais pobres seja diferente dos seus principais aliados, todos estão de acordo no objetivo principal.

Além de aumentar a ajuda direta à África, Bush estabeleceu o maior esforço dos EUA até hoje para o combate ao HIV/Aids nas nações mais pobres. Ele prometeu enviar mais ajuda às nações que mostrarem que estabeleceram governos estáveis e democráticos, com boas políticas econômicas.

Na próxima segunda-feira (13), o presidente vai se reunir na Casa Branca com os líderes de cinco países africanos que tiveram eleições no ano passado: os presidentes Festus Mogae de Botsuana, John Kufour de Gana, Armando Guebuza do Moçambique, Hifikepunye Pohamba da Namíbia e Mamadou Tandja, da Nigéria.

Bush procurou colocar seu selo conservador nas políticas de desenvolvimento, enfatizando que o comércio livre e o investimento privado são instrumentos mais poderosos de crescimento econômico do que a ajuda do governo.

Dois de seus principais assessores --Michael Gerson, um dos criadores do tema "conservador compassivo" na política interna, e Kristen Silverberg, vice de Karl Rove, subchefe de gabinete da Casa Branca- estão viajando pela África nesta semana, estudando programas de saúde e desenvolvimento econômico.

Paul Wolfowitz, novo presidente do Banco Mundial e ex-vice-secretário de defesa, disse na quinta-feira antes de partir para Londres que anunciará aos ministros de finanças que todas as peças estão no lugar para ajudar a África neste ano.

"Acho realmente importante encontrar mais fundos para dar à África para que possa agora virar a curva. Essa será minha mensagem", disse ele.

Os dezoito países elegíveis para o perdão da dívida são: Benin, Bolívia, Burkina Fasso, Etiópia, Gana, Guiana, Honduras, Madagascar, Mali, Mauritânia, Moçambique, Nicarágua, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda e Zâmbia. Objetivo é permitir que países invistam em suas carências sociais Deborah Weinberg

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