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13/06/2005

Mulheres querem carros mais potentes

The New York Times
Alex Williams
Diane Noel Dirienzo e sua amiga Sharon Fitzpatrick têm muito em comum. Elas moram na mesma rua em Milford, Connecticut. As duas mães e profissionais ocupadas viram-se inesperadamente solteiras depois de anos de casamento. (Dirienzo ficou viúva; Fitzpatrick divorciou-se). Poucas semanas atrás, as duas decidiram resolver um ataque repentino de tédio da meia idade da mesma forma.

"Eu disse: 'Vamos às compras'", conta Dirienzo, agente imobiliária. "Vamos realmente às compras." Então elas saíram para comprar duas Mercedes, uma para cada. As duas queriam um carro preto -sexy e elegante. No final do dia, Dirienzo, que tem 53 anos, fechou negócio com uma conversível CLK350. Fitzpatrick, 52 e enfermeira, optou por uma insinuante e ágil E320 sedã. Para elas, a compra não significava apenas um meio de transporte, mas era também uma declaração. Durante muitos anos, elas deixaram seus papéis de esposa e mãe definirem suas opções de carros: minivans e carros de família.

"Estou celebrando minha vida", disse Fitzpatrick, mãe de três filhos adultos. "Não sofro mais da doença de agradar", explicou Dirienzo, cuja filha terminou a graduação. "Estou agradando a mim."

As mulheres da geração do "baby boom" fizeram um grande esforço para usufruir das liberdades que eram reservadas aos homens. Assim, não surpreende que este vasto grupo de mulheres que ultrapassaram a fase dedicada exclusivamente aos filhos esteja adotando o que os homens tradicionalmente fazem na meia-idade: comprar um carro sexy e indulgente, mais para alardear sua liberdade do que para levar os filhos.

Nos últimos anos, houve um crescimento das vendas de carros "divertidos" e extravagantes entre mulheres de meia-idade, veículos que estão a quilômetros de distância dos modelos quadrados para a família. Analistas da indústria dizem que as vendas de carros de luxo aumentaram entre as mulheres de mais de 45 anos. Os revendedores dizem que elas estão buscando cada vez mais potência, em vez de espaço na mala.

"Tocamos no assunto em quase toda reunião de vendas", disse Lou Liodori, gerente de vendas da Mercedes-Benz de Greenwich, em Connecticut, onde Fitzpatrick e Dirienzo compraram seus carros. "Estamos em Greenwich, uma das cidades mais ricas do país, mas também estamos perto da I-95. Enfermeiras, professoras, não dá para dizer quantas estão comprando conversíveis."

Não há uma categoria única de "carro recompensa" para as mulheres, como chamam alguns da indústria. No entanto, foi observado um aumento no número de mulheres de meia-idade comprando todo tipo de carros esportivos.

Os registros de automóveis compilados por Mark A. Pauze, consultor da R.L. Polk, que acompanha a indústria, mostram que a quantidade de mulheres com mais de 45 anos que comprou carros no nicho conhecido como "esportivo médio", que inclui modelos de duas portas como o Mazda RX-8 e o Crossfire da Chrysler, subiu 277% desde 2000.

Entre as mulheres de 45 anos ou mais que ganham ao menos US$ 100.000 (aproximadamente R$ 250.000) por ano, a venda carros menores de luxo, como a série 3 da BMW e o Audi A4, subiu 93% desde 2000, disse Pauze. As vendas de camionetes saltaram 310%.

Suraya DaSante, porta-voz da DaimlerChrysler, disse que o fenômeno talvez explique porque os "carros voltaram" a ser preferidos, enquanto as vans estagnaram.

"Parece que passamos muitos anos com minivans e carros utilitários maiores", disse ela. "Estamos vendo muito mais carros (esportivos) agora."

Isso não quer dizer que as mulheres de meia-idade abandonaram os veículos práticos, como o Toyota Camry; essas vendas também subiram. Mas é notável como as mulheres nessa faixa etária estão comprando carros "egoístas", que eram marca registrada dos homens em crise de meia-idade.

Psicólogos vêm estudando como as mulheres estão passando por esses anos de abundância e desafios, de forma diferente de suas mães e, mais importante, dos homens. No livro recente "The Breaking Point: How Female Midlife Crisis Is Transforming Today's Women" (O ponto de decisão: como a crise de meia-idade feminina está transformando as mulheres de hoje), Sue Shellenbarger argumenta que para muitas mulheres a transição de meia-idade é mais um despertar do que uma crise, uma chance de ouvir a voz interior por muito tempo suprimida. Algumas, às vezes, tornam-se empreendedoras; outras resolvem fazer uma viagem de mochila pelas florestas de Honduras.

O carro esportivo vermelho ainda é um clichê masculino. Mas as mulheres também têm fantasias da estrada, especialmente a geração de "Easy Rider" e "Thelma e Louise".

Pamela Robinson, terapeuta em Valdosta, Geórgia, divorciou-se há seis anos. Desde então, como mãe solteira, vem "economizando os centavos", disse ela, para comprar um Nissan 350Z cor de laranja. Ela finalmente se desfez de seu sedã velho, depois que o transporte do filho e seus amigos deixou de ser uma preocupação diária. Ela até fez uma tatuagem: "Uma das coisas que as pessoas fazem na crise de meia-idade", disse ela. Fez na base do pescoço e é... um Z.

"Nem chamo de crise de meia-idade", disse Robinson. "Chamo de inspiração. Queria voltar a ser a pessoa que me lembrava ser. Somos uma pessoa antes de nos casarmos, antes de termos filhos. Decidi retomá-la."

Os vendedores e observadores da indústria dizem que as mulheres tornaram-se clientes mais informadas. "Antes, elas não se sentiam bem entrando em um lote de revendas", disse Tim Tauber, gerente da Newport Auto Center em Newport Beach, Califórnia, acrescentando: "Eu vendi um Porsche Carrera GT por US$ 450.000 (cerca de R$ 1,1 bilhão) para uma senhora ontem à noite."

Mas agora, as compradoras estão "claramente mais informadas e ganhando muito dinheiro", disse ele. De 20 a 25% de suas vendas mais caras são para mulheres.

Estima-se na indústria que as mulheres influenciam cerca de 75% de todas as compras de automóveis. Além de anos decidindo que carros comprar, as mulheres também ganharam conhecimento de sites na Internet sobre mulheres e carros.

"A Internet nunca chegou a ser um ponto de venda como se previa, mas se tornou uma enorme fonte de informações", disse Ken Gorin, presidente da revendedora Collection, em Coral Gables, Flórida. A explosão de informação, disse ele, carregou uma tendência de entusiasmo automotivo feminino.

Sandra Kinsler, editora do WomanMotorist.com em Ventura, Califórnia, disse que seu site reflete o desejo crescente de autonomia. "Em vez de o marido chegar dizendo: 'Minha mulher precisa realmente de tal e tal', a mulher está dizendo: 'Quero uma 150'", disse Kinsler, referindo-se à caminhonete F-150 da Ford.

"As mulheres adoram" caminhonetes, disse ela. No ano passado, ela testou uma F-150 em promoção. As mulheres se reuniam a sua volta onde quer que fosse. "Houve um grande debate, câmbio automático ou manual", disse ela.

As mulheres tendem a "voltar às raízes" quando vão às compras depois que as necessidades de seus filhos ou maridos deixam de ser tão importantes, disse ela.

"Se a mulher gostava de carros esportivos quando era jovem, vai buscar isso", disse Kinsler. "Se achava as caminhonetes sensuais e poderosas, é isso que vai querer. Não é voltar à infância e sim voltar à preferência."

Mas será que os impulsos dessas clientes são grandes e claros o suficiente para se tornarem um mercado alvo? Poucos anúncios da indústria reconhecem a tendência. DaSante, da DaimlerChrysler, disse que os fabricantes raramente acham uma estratégia sábia dar preferência ao consumidor feminino ou masculino, pois isso divide o público potencial.

A noção de carro de recompensa é discutida freqüentemente pelos executivos da indústria, disse Daniel Gorrell, vice-presidente da Strategic Vision, que acompanha dados dos consumidores sobre automóveis. No entanto, eles acham difícil construir modelos específicos, pois os gostos nesses grupos variam muito.

Gorrell acrescentou que entre as mulheres a tendência de compra de carros de luxo "está definitivamente aumentando". Algumas empresas, como a Lexus, agora vendem mais de 50% de seus carros para mulheres. No entanto, para muitas mulheres, a recompensa significa mudar da extrema praticidade para a praticidade sexy, o que provocou um pico na venda de utilitários mais esportivos e menores, como o Porsche Cayenne ou o Volvo XC90.

Talvez não faça sentido separar homens e mulheres. "Não há razão para ser diferente", disse Paula J. Caplan, psicóloga e acadêmica do Centro Penbroke para Ensino e Pesquisa sobre Mulheres da Universidade Brown, que tem um invejado Maserati há muitos anos. "Se você gosta de velocidade, graça, potência -todos esses são interesses de muitos seres humanos."

Janet Ziedrich, 46, de Healsburg, Califórnia, ainda leva seus dois filhos para a escola no espaçoso Lincoln Town Car, mas ela mantém um novo Mini Cooper azul na garagem para si, para quando precisa dirigir de verdade. "Levo ele quando quero realmente curtir", disse ela.

O cupê esportivo é um ótimo som ambulante para seus passeios pelos vinhedos de Napa. "Eu uso todo o volume, Heart, Peter Frampton", disse ela com prazer. Deborah Weinberg

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