UOL Notícias Internacional
 

14/06/2005

Diretor da Morgan Stanley afirma que renunciará

The New York Times
Landon Thomas Jr.

Em Nova York
O diretor da Morgan Stanley, Philip J. Purcell, disse nesta segunda-feira (13/06) que renunciaria assim que seu sucessor fosse nomeado. O tempo que esteve no leme da empresa foi marcado por rixas jurídicas e dissensão interna.

Sua decisão marca o fim de uma luta pelo poder extraordinariamente pública e amarga entre Purcell e um grupo de oito executivos dissidentes. A briga expôs feridas purulentas --que vinham desde a fusão de 1997 entre Dean Witter e Morgan Stanley-- que vêm afligindo o banco de investimentos nascido da antiga House of Morgan.

"Ficou claro para mim, diante dos ataques pessoais contínuos e da mídia negativa que nossa firma teve que agüentar, que esta é a melhor coisa que posso fazer para vocês, nossos clientes e acionistas", escreveu Purcell em carta para os funcionários da Morgan Stanley.

Ele acrescentou: "Acredito fortemente que os ataques não foram justificados, mas infelizmente não mostram sinais de que vão diminuir". Purcell, um líder teimoso e às vezes distante, que raramente era visto no salão de corretagem da Morgan Stanley, vinha lutando para manter o cargo nos últimos dois meses. No entanto, a debandada de executivos da firma tradicional blue-chip de securities deixou claro que a fusão de 1997, destinada a levar os corretores de Dean Witter a venderem ações sofisticadas da Morgan Stanley para sua clientela, fracassou.

O desempenho decadente da firma de investimento também dificultou as coisas para Purcell. No mês passado, ele advertiu que o ambiente de operações estava difícil. A firma anunciou na segunda-feira que sua receita no segundo trimestre ficaria entre 15 e 20% abaixo do mesmo período no ano passado, sugerindo que a confusão dos últimos meses, combinada com o clima difícil para os negócios, teve conseqüências para a firma.

Desde que os executivos dissidentes começaram a fazer campanha pela saída de Purcell, no início de março, as ações da Morgan Stanley caíram mais de 10%. Nesse meio tempo, mais de 50 executivos deixaram a companhia.

Na segunda-feira, depois do anúncio de Purcell, as ações da Morgan Stanley subiram US$ 1,20 (cerca de R$ 3), ou 2,4%, para US$ 51,08 (em torno de R$ 127,7) no New York Stock Exchange.

A decisão de um júri na Flórida de conceder US$ 1,45 bilhão (aproximadamente R$ 3,65 bilhões) ao financista Ronald O. Perelman, que alegou que a Morgan Stanley o tinha defraudado em um contrato de 1998, apenas reforçou uma noção crescente em Wall Street de que a tática dura de Purcell ao lidar com os fiscais estava tendo um efeito punitivo na empresa.

Em uma série de reuniões do conselho na semana passada, Purcell informou aos diretores da Morgan Stanley de sua decisão. O conselho, que tinha sido criticado por seus laços entre si e com Purcell, aceitou a demissão.

Purcell, nascido em Chicago, nunca de fato entrou para a comunidade fechada de executivos de Wall Street. Ele anunciou sua decisão a um grupo de diretores gerentes da Morgan Stanley no início da segunda-feira, em um discurso desafiador e comovido em que quase chorou, de acordo com as pessoas presentes.

Segundo o diretor, nenhum dos altos executivos demitidos em sua reforma no início de março voltaria à firma, de acordo com as pessoas presentes.

Charles F. Knight, ex-diretor executivo da Emerson Electric e diretor da Morgan Stanley será o responsável pela busca de um sucessor de Purcell.

Pessoas informadas sobre a tarefa disseram que os candidatos não poderão ser membros do grupo dos oito executivos demitidos, dos cinco membros do conselho administrativo que saíram nos últimos meses ou John Mack, ex-diretor executivo do Credit Suisse First Boston que, junto com Purcell, concebeu a fusão como presidente da Morgan Stanley.

Spencer Stuart vai ajudar na busca, que poderá levar meses, mas tem como prazo final a reunião anual de 2006. A Morgan Stanley também disse que Miles L. Marsh, ex-executivo da Philip Morris, tornar-se-ia presidente do conselho.

Como os sucessores escolhidos por Purcell -os co-presidentes da firma, Zoe Cruz e Stephen S. Crawford- não foram totalmente acatados pela firma, o conselho aparentemente terá que procurar um candidato de fora para substituir Purcell e calar a onda de revolta dentro da empresa.

Lutas de poder são comuns em Wall Street, mas é extremamente raro para uma firma, especialmente com o pedigree e cultura fechada da Morgan Stanley, procurar um candidato de fora para sua diretoria. Provavelmente, esse processo de contratação receberá grande atenção do meio.

Mesmo assim, com a nuvem de incertezas que paira sobre a firma, é possível que os executivos continuem partindo, enquanto rivais tentam contratar os principais executivos da Morgan Stanley, dizem os analistas.

As últimas partidas ocorreram na semana passada, quando uma equipe de nove executivos de vendas e corretagem da Morgan Stanley decidiu entrar para a Wachovia.

A debandada salientou como as mudanças na gerência impostas por Purcell irritaram a unidade de equities da empresa, que antes era considerada uma das melhores de Wall Street.

As perdas anteriores também perturbaram a empresa e seus investidores.

No dia 6 de junho, David J. Topper, diretor da unidade de capitais que estava na empresa há 22 anos, entrou para o J.P. Morgan Chase, competidor da empresa. Ele decidiu partir depois que Raymond J. McGuire, ex-diretor de fusões e aquisições, foi para o Citigroup.

No mês passado, Purcell admitiu que a saída de outro executivo, o ex-diretor de equities, John P. Havens, demitido pela reforma de Purcell, tinha criado um problema de pessoal interno. Banco de investimentos tem sido objeto de intensa e pública disputa Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h39

    -0,44
    3,130
    Outras moedas
  • Bovespa

    10h42

    -0,72
    75.058,09
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host