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14/06/2005

PT sabia sobre compra de votos, afirma deputado

The New York Times
LARRY ROHTER

No Rio de Janeiro
O que começou como um escândalo comum de propina agora se transformou em uma crise muito maior e potencialmente mais séria, depois das afirmações de um deputado de que o partido do governo do Brasil nos últimos dois anos pagou milhões de dólares em dinheiro para aliados como parte de um esquema de compra de votos.

Roberto Jefferson, um deputado federal e figura central no escândalo, disse em entrevistas para um jornal brasileiro na semana passada que ele alertou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do esquema de compra de votos e que Lula "derramou-se em lágrimas " com a notícia.

Mas ele acrescentou que o principal assessor de Lula "sempre soube de tudo", e que outras importantes autoridades no Partido dos Trabalhadores, de esquerda, participaram ativamente no esquema, que ele disse envolver um grande pagamento mensal em dinheiro em maletas.

A crise resultante é a pior a atingir o governo Lula desde que ele tomou posse em janeiro de 2003, prometendo o governo mais honesto e ético da história brasileira. A avalanche de acusações de corrupção enfraqueceram tanto a posição do presidente que políticos e comentaristas começaram a especular abertamente sobre impeachment.

Se as acusações forem provadas, "isto serve de base para impeachment", disse César Maia, o prefeito do Rio de Janeiro e líder do conservador Partido da Frente Liberal, em uma entrevista de rádio. Maia, um provável candidato na eleição presidencial do próximo ano, acrescentou que as alegações eram tão graves para Lula quanto Watergate foi para Richard Nixon.

"Nós cortaremos na própria carne se necessário", prometeu Lula em um discurso na semana passada, depois da primeira onda de acusações vir a público no jornal "Folha de S.Paulo". Ele acrescentou: "O que está em jogo é a respeitabilidade de nossas instituições, da qual sou o principal guardião".

Jefferson disse que não pode apresentar provas de suas alegações, que são veementemente negadas pelo Partido dos Trabalhadores. Mas ele prometeu no domingo "dizer tudo que vivenciei, falei a respeito e negociei" nesta terça-feira (14/06), quando está marcado seu depoimento perante as câmeras de televisão em uma recém-criada comissão parlamentar de inquérito.

Mas partes do relato de Jefferson já foram confirmados por outras figuras políticas. Um governador estadual que pertence ao principal partido de oposição, por exemplo, tem dito que ele também alertou Lula privativamente sobre o esquema de compra de votos, e uma deputada disse que um membro do Partido Liberal, um partido pró-negócios da coalizão de Lula, lhe ofereceu uma "mesada" caso trocasse para um partido aliado do governo. Ela disse que recusou.

O sistema político do Brasil torna quase impossível que um único partido tenha a maioria no Congresso. Como resultado, Lula tem tido que negociar coalizões com vários "partidos de aluguel" menores, cuja ideologia é nebulosa e cujo principal interesse parecem ser mamatas e favores políticos.

Jefferson, o líder no Congresso de um destes partidos, disse que recusou uma oferta de R$ 30 mil que seria paga mensalmente para cada membro da bancada do seu partido no Congresso. Mas ele diz que pelo menos dois outros partidos aliados do governo aceitaram a oferta, incluindo o Partido Liberal, cuja bancada no Congresso mais que dobrou em tamanho, de 26 para 53, desde que Lula foi eleito.

Segundo o relato de Jefferson, os pagamentos eram feitos pelo tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, um ex-professor de matemática chamado Delúbio Soares.

Em uma coletiva de imprensa em São Paulo, na semana passada, Soares falou de "chantagem" e proclamou: "O Partido dos Trabalhadores não compra voto e nem apoio de deputados". "Isto serve de base para impeachment", diz um prefeito da oposição George El Khouri Andolfato

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