UOL Notícias Internacional
 

16/06/2005

Irã admite ter realizado experiências com plutônio

The New York Times
Richard Bernstein*

Em Viena, Áustria
O Irã admitiu ter conduzido experiências de pequena escala para criação de plutônio, um dos caminhos para a produção de armas nucleares, por cinco anos além da data que declarou previamente que tinha encerrado tal trabalho, um alto membro da Agência Internacional de Energia Atômica relatará nesta quinta-feira (16/06).

Em uma declaração oral que será feita em uma reunião da junta da agência de vigilância nuclear, o vice-diretor da agência, Pierre Goldschmidt, dirá que o Irã fez a confissão após ser confrontado com o resultado de testes de laboratório realizados em amostras coletadas em uma instalação nuclear iraniana.

A declaração de três páginas de Goldschmidt foi fornecida para o jornal The New York Times na quarta-feira, após ter vazado na "Agence France Presse" e outras agências de notícias.

Os Estados Unidos provavelmente usarão a declaração para reforçar seus argumentos de que o Irã continua retendo informações importantes sobre seu progresso na pesquisa nuclear.

Desde 2003, quando o Irã começou a admitir que tinha escondido da agência nuclear 17 anos de trabalho, ele assegurava que o relato de suas atividades era completo. Mas o país tem revisado constantemente o relato, freqüentemente diante de evidências obtidas pelas análises científicas da agência.

A declaração da agência ocorre enquanto Europa e Irã negociam o futuro do programa nuclear iraniano.

De olho nas eleições iranianas de sexta-feira, Teerã tem insistido que nunca abrirá mão de seu direito de produzir combustível nuclear. Mas ele argumenta que sua pesquisa nuclear visa apenas gerar energia elétrica, e que foi forçado a esconder suas experiências devido aos embargos internacionais.

Os Estados Unidos dizem estar convencidos de que o Irã está secretamente tentando desenvolver armas nucleares.

"Pelo que entendi do relatório, que não vi, ele não diz muito sobre nova capacidade ou intenção mas sim sobre a falta de sinceridade por parte do Irã até o momento", disse Corey Hinderstein, vice-diretor do Instituto para Ciência e Segurança Internacional, uma organização de pesquisa de Washington que tem criticado o Irã, em uma entrevista por telefone.

"Ela mostra que o Irã ainda não abriu o jogo sobre seu programa nuclear", disse Hinderstein. "Cada nova revelação de que não disseram a verdade, especialmente a esta altura, aumenta a dúvida sobre o que mais estão escondendo."

Mas um negociador iraniano entrevistado em Viena, Cyrus Nasseri, negou que as revelações sobre as experiência com plutônio indicam qualquer esforço do Irã para ocultar as atividades.

"Que diferença faria dizer que estes testes foram realizados 13 anos atrás ou 10 anos atrás?" disse ele. "Não faria diferença nenhuma, de forma que isto não pode servir como alegação de encobrimento." Ele disse que a revelação de novas datas refletiu o tempo necessário para examinar os registros do que um encobrimento.

"Eu entendo que alguns possam querer transformar isto em uma grande história", ele continuou, "mas sinto muito, não é uma grande história".

O texto escrito da declaração que Goldschmidt deverá fazer na quinta-feira se refere a experiências de separação de plutônio e diz: "O Irã disse que as experiências foram concluídas em 1993 e que nenhum plutônio foi separado desde então".

Mas, prossegue a declaração, as investigações da agência dos discos de plutônio trazidos selados para Viena em outubro de 2003 indicaram que uma amostra foi processada em 1995 e outra em 1998. Tais conclusões foram insinuadas no relatório da agência publicado em novembro.

"Em uma carta datada de 26 de maio de 2005", diz a declaração, "o Irã confirmou a conclusão da agência de tal cronologia".

A nova informação sugere que o Irã trabalhou no reprocessamento de plutônio por muito mais anos do que reconheceu publicamente. Até agora, grande parte da atenção internacional sobre o Irã tem se voltado para sua busca de outra tecnologia nuclear, o enriquecimento de urânio utilizando centrífugas de gás.

Assim como o reprocessamento de plutônio, o enriquecimento de urânio pode fazer parte de um programa nuclear pacífico. Mas urânio e plutônio submetidos a um processamento ainda maior podem ser usados como combustível para uma bomba nuclear.

Acredita-se que a Coréia do Norte também tenha tentado ambas as abordagens, segundo autoridades da inteligência americana. A Coréia do Norte tem se gabado de que criou armas a partir do plutônio -uma alegação que as agências de inteligência americanas dizem que não podem verificar- mas tem negado o enriquecimento de urânio.

Mas no caso do Irã, a agência nuclear não acusou o país de produzir armas, e analistas também alertaram que as experiências de separação de plutônio em pequena escala não são necessariamente relacionadas ao desenvolvimento de armas. Muitos países já tentaram reciclar combustível nuclear, da Europa aos Estados Unidos e Japão.

*Colaborou David E. Sanger, com reportagem em Washington, e Elaine Sciolino, em Paris. Informação será revelada na quinta em reunião da agência nuclear George El Khouri Andolfato

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