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16/06/2005

Uma câmera profissional por um preço amador

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia
A previsão do futuro a partir da extrapolação das tendências atuais pode ser um negócio arriscado. Um megabyte de memória em 1985, por exemplo, custava para você cerca de US$ 400. Em 1995, o mesmo megabyte custava cerca de US$ 35. Você poderia concluir que os fabricantes de memória eventualmente começariam a pagar para você.

The New York Times Image 
A Nikon D50 pode produzir as mesmas fotos espetaculares do modelo D70S --e custa no mínimo US$ 150 a menos
Ainda assim, assistir o despencar dos preços de tecnologias populares é sempre empolgante enquanto dura. Veja as altamente estimadas câmeras digitais single-lens reflex (SLR, monoreflex) da Nikon, por exemplo.

Ao longo dos anos, os preços das SLRs da Nikon variaram de US$ 5 mil (a D1 em 1999), US$ 4 mil (a D1H em 2001), US$ 2 mil (a D100 em 2002), US$ 1 mil (a D70 do ano passado) e US$ 900 (a D70S ligeiramente atualizada do mês passado).

O mais recente modelo da Nikon representa um acréscimo delicioso à linha: a D50, que será lançada na próxima semana. Ela tira as mesmas fotos espetaculares que a D70S campeã de vendas -por um preço de lista de US$ 750.

(Estes preços são apenas para o corpo --arrume suas próprias lentes. Com ótimas lentes iniciais, a D50 sai por US$ 900. Os preços online cairão ainda mais assim que a câmera estiver a venda por algumas semanas.)

Bem, US$ 900 ainda pode soar muito caro, mas estas são câmeras profissionais --ou eram, até fotógrafos amadores começarem a comprá-las. E o preço livra você dos incômodos irritantes das câmeras comuns.

Por exemplo, a D50 liga em dois décimos de segundo, de forma que você não perde fotos porque sua câmera não estava pronta. Você também não precisa se preocupar em ficar sem bateria até a hora do almoço no parque de diversões: a carga da bateria da D50 dura semanas.

(Ela tem capacidade para 2 mil fotos, em comparação a entre 200 e 400 na câmera comum de bolso.) E uma SLR digital reduz o atraso do obturador --o atraso de meio segundo após você pressionar o botão-- a zero.

Mas a vantagem mais importante da SLR digital é que ela tira fotos infinitamente melhores do que as pequenas câmeras de bolso. Estas são fotos grandes, brilhantes, bem definidas, de aspecto profissional, com temas com foco preciso e fundos ligeiramente desfocados.

Você pode congelar movimento, fazer um espirro de água parecer gelo cristalizado; você pode fotografar no escuro, deixar o obturador aberto para registrar as trilhas alaranjadas dos faróis traseiros dos carros; e você pode disparar várias fotos por segundo, melhorando as chances de registrar o taco batendo na bola, a rolha estourando na garrafa de champanhe ou a criança de 5 anos sentada quieta.

Mas o que você não pode fazer com a SLR digital é registrar filmes digitais, compor fotos usando tela traseira (você precisa olhar pelo visor) ou colocar a câmera no seu bolso; a SLR digital é grande. Escolhas difíceis, é verdade, mas isto faz parte do jogo.

Ainda assim, o sucesso explosivo da D70 da Nikon e da Digital Rebel da Canon prova que milhões de consumidores preferem ignorar os contras e ficar com os prós --e tirar fotos como profissionais. Assim a Nikon foi esperta ao desenvolver, na D50, uma câmera que oferece a mesma qualidade fotográfica impressionante da D70 em um pacote mais amistoso para a família. (Você pode ver alguns exemplos no endereço www.nytimes.com/circuits.)

E o que "amistoso para a família" significa? Seria fácil dizer que a D50 é uma versão despojada da D70, mas isto não seria preciso. A D50 é certamente uma D70 modificada, mas ela acrescenta praticamente tantas novas características quanto retira.

O preço mais baixo é chave. Mas também a redução de tamanho e peso, o que foi possibilitado em parte pela mudança no formato da memória (de Compact Flash para cartão SD).

Em conjunto com sua nova lente compacta de 18-55 milímetros (um zoom de 3X, o equivalente a uma lente de zoom de 28-80 mm em uma SLR de filme fotográfico), a D50 inteiramente montada exibe um pacote menos intimidador do que sua predecessora. (Ela tem 13,2 X 10,1 X 7,6 cm, contra 14 X 11,2 X 7,9 cm da D70.)

Se você puder comprar lentes adicionais, a nova lente telefoto da Nikon, igualmente compacta com 55-200 mm (equivalente a uma lente de 80-300 mm de uma câmera de filme fotográfico), é uma grande opção por US$ 250. Seu zoom passa a registrar a partir de onde a lente inicial pára, deixando você 11 vezes mais próximo dos gols de futebol, peças escolares e lançamentos de ônibus espaciais.

A D50 também exibe um sistema de foco automático aprimorado; no modelo esportes (um dos seis "presets"), por exemplo, ela pode rastrear um tema enquanto ele se move. A ocular de borracha da D50 é maior e mais confortável do que a da D70.

Os avisos foram revisados para melhor clareza; a mensagem de confirmação quando você apaga uma foto, por exemplo, agora diz a você não apenas qual botão apertar para proceder, mas também qual botão cancela a operação.

E o novo modo "criança" supostamente oferece a combinação de cores vívidas de roupas e tons naturais de pele, apesar das fotos geralmente serem indistinguíveis daquelas no modo automático.

Os botões de controle de setas esquerda e direita agora chamam a foto anterior e próxima. (Na D70, eram setas para cima e para baixo, o que sempre parece errado.)

O zoom em uma foto ainda é um procedimento desajeitado que exige duas mãos, o que deverá levar a Nikon de volta à prancheta de desenho --mas pelo menos na D50 você pode rolar pela foto no mesmo nível de ampliação, sem ter que realizar um novo zoom toda vez.

Mas a Nikon dá e também tira --neste caso, um conjunto de funções que ela acredita que não profissionais não sentirão falta. A velocidade mais rápida do obturador da D50 é 1/4000 de segundo (mais lento que o 1/8000 da D70). Você não pode escolher qualquer ISO (sensibilidade à luz) entre 800 e 1600.

A D50 não suporta flash sem fio, como a D70. E a D50 carece da opção de grade de composição para o visor presente na predecessora, protetor para tela e botão de prévia de profundidade de campo.

(O botão reduz a abertura da lente antes de fotografar para lhe dar uma visão precisa de quais elementos no primeiro plano e no fundo estarão com ou sem foco no ajuste selecionado.)

Na maioria dos casos a Nikon está certa; para os amadores, a maioria destas omissões faz parte de elementos avançados ou obscuros. Mas em dois casos, a Nikon escorregou no bisturi, cortando elementos que você pode sentir falta nas fotos diárias.

Primeiro, o modo disparo registra apenas 2,5 fotos por segundo, em vez de 3. Isto pode não parecer uma diferença radical. Mas quando você está tentando registrar o instante exato no vôo de um pára-quedista, o truque do cachorro ou o passeio da criança em um brinquedo de parque de diversão, cada foto conta.

Segundo, o mostrador de status LCD no topo da câmera não é mais iluminado, o que significa que você não consegue lê-lo com pouca luz. Para mudar o flash, ISO ou outros ajustes, por exemplo, você deve girar o botão --mas sem poder ver o mostrador de status, você não tem idéia se passou do ponto desejado.

(Nota para os compradores da D50: mantenham uma lanterna de chaveiro no estojo da câmera. Nota para a Nikon: devolva a iluminação de fundo e aumente o preço em 85 centavos.)

Já convencido em ter uma SLR digital mas ainda não sabe qual comprar? Se você já tem a lente para uma certa marca, sua decisão já está tomada.

(Nota técnica: lembre-se que o devido ao sensor da SLR digital ser menor do que uma foto de filme de 35 milímetros, as lentes tradicionais atuam como se ampliassem uma vez e meia a mais do que quando montadas em um corpo de câmera digital. Uma lente de 200 mm, por exemplo, lhe dará uma distância focal eficaz de 300 mm.)

Aqui estão resumos da D50 e das duas atuais líderes de mercado. (Pentax e Olympus também fabricam SLR digitais que custam menos de US$ 1 mil.)

Nikon D50

Menor, mais leve e mais fácil de usar do que a D70. A iluminação do painel de status é o elemento ausente mais sério. Preço, com lente: menos de US$ 900. (Os descontos online ainda não começaram.)

Nikon D70S

Maior flexibilidade fotográfica. Repleta de funções que são úteis, mesmo que apenas ocasionalmente. Melhor duração de bateria (2.500 fotos por carga). Opção de flash sem fio. Controles de visão de imagens desajeitados, lenta transferência USB. Preço online, com lente: US$ 1.120.

Canon Digital Rebel XT

Maior resolução de foto (8 megapixels contra 6.1 das Nikons), só que menos cara. Duração menor da bateria (600 fotos) e tela menor (1,8 polegada contra 2 polegadas das Nikons). Lente inicial inferior. Área para segurar a câmera pequena e desajeitada. Preço online, com lente: US$ 835. (A Rebel digital original mais velha, mais lenta e maior ainda está disponível por até US$ 660 online.)

Os preços das SLR digitais ainda não encerraram sua longa e lenta queda da estratosfera. Aquele que esperar mais pagará menos -mas perderá muitas oportunidades espetaculares de fotos. Enquanto isso, a Nikon D50 é uma grande câmera, uma opção de salivar para a família amadora que deseja tirar fotos profissionais. Pequenas diferenças nos aparelhos podem acarretar boa economia George El Khouri Andolfato

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