UOL Notícias Internacional
 

17/06/2005

Cresce rejeição às políticas de Bush, diz pesquisa

The New York Times
Robin Toner e Marjorie Connelly*

Em Nova York
Cada vez mais pessimistas em relação ao Iraque e céticos quanto ao plano do presidente Bush para a Previdência Social, os americanos estão em um momento de descontentamento político, dando a Bush um dos índices de aprovação mais baixos de sua presidência e notas ainda mais baixas para o Congresso, segundo a pesquisa The New York Times/CBS News.

42% das pessoas entrevistadas na pesquisa disseram que aprovam a forma como Bush está realizando seu trabalho, um declínio acentuado em comparação ao índice de 51% após a eleição de novembro, quando ele deu início a uma ambiciosa agenda para o segundo mandato liderada pela reforma do Seguro Social.

Restando dezesseis meses para as eleições de meio de mandato, o Congresso se saiu ainda pior na pesquisa, com uma aprovação de apenas 33% dos entrevistados, e com quase três quartos dizendo que suas prioridades não são compartilhadas pelo Congresso.

Apesar de meses de esforço presidencial, a pesquisa nacional revelou que a população não apóia a visão de Bush de um nova Previdência Social que permitiria a trabalhadores mais jovens destinar parte de suas deduções em folha para contas de investimento privadas.

Dois terços disseram que se sentem apreensivos com a capacidade de Bush de tomar as decisões certas sobre a Previdência. Apenas 25% disseram aprovar a forma como Bush está lidando com a Previdência Social, um ligeira queda em comparação ao resultado da pesquisa realizada em março.

Além disso, 45% disseram que quanto mais ouvem sobre o plano de Bush, menos eles gostam. A pesquisa também revelou que a maioria compartilha do crescente ceticismo em Washington sobre as perspectivas de sucesso de Bush na Previdência Social.

O índice de aprovação de Bush está abaixo do padrão histórico para junho do primeiro ano do segundo mandato: o do presidente Clinton foi de 60% e o do presidente Reagan foi de 59%. Mas isto pode refletir, em parte, a polarização partidária muito maior na política moderna, ressaltada pela diferença de 71 pontos percentuais entre o índice de aprovação de Bush entre os democratas e republicanos na recente pesquisa.

Nicolle Devenish, diretora de comunicações da Casa Branca, não deu importância à pesquisa, dizendo que Bush acredita que seguir pesquisas é equivalente a um cachorro seguindo o próprio rabo. "Nós temos promovido uma agenda ampla, e continuaremos a defender as prioridades da população", disse ela.

No Iraque, meses de turbulência contínua, ataques rebeldes e baixas parecem estar afetando a posição da opinião pública. Olhando para trás, 51% disseram achar que os Estados Unidos deviam ter permanecido fora do Iraque, enquanto 45% disseram que a ação militar foi a coisa certa a se fazer.

Isto reflete apenas uma leve queda em comparação aos resultados obtidos pela "CBS News" na primavera, mas uma reviravolta em comparação a 2004, quando a maioria ainda achava que tinha sido a coisa certa a se fazer.

Além disso, apenas 37% disseram aprovar a forma como Bush está lidando com a situação no Iraque, uma queda em comparação a 45% em fevereiro. E uma forte maioria dos americanos agora diz que o esforço dos Estados Unidos em levar estabilidade e ordem ao Iraque está indo mal --60%, em comparação a 47% em fevereiro.

Ainda assim, Bush continua contando com apoio da maioria pela forma como está lidando com a guerra contra o terrorismo, um de seus pontos fortes ao longo de toda sua campanha de reeleição de 2004.

A mais recente pesquisa foi realizada por telefone entre 10 e 15 de junho com 1.111 adultos e apresenta margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Em geral, a pesquisa encontrou os americanos mais pessimistas. Em uma medida chave, apenas 33% disseram que acham que o país está no caminho certo, enquanto 61% disseram que está na direção errada.

Resultados semelhantes foram encontrados pela "CBS News" em abril e maio, mas tal medida do otimismo nacional era acentuadamente melhor em novembro passado.

Houve pouca mudança na forma como os americanos avaliam a atual condição da economia americana --54% disseram que ela está muito bem ou razoavelmente bem. Mas o número de americanos que dizem que a economia está piorando está crescendo, de 30% em fevereiro para 36%.

Ao serem questionados sobre quais são os problemas mais importantes diante da nação, os americanos citaram economia e emprego, guerra e terrorismo no tipo da lista.

A Previdência Social, que tem consumido uma quantidade enorme de energia política nesta primavera, não apareceu na lista dos seis mais, sugerindo que os eleitores têm um ponto de vista diferente das prioridades políticas do que o Congresso controlado pelos republicanos e a Casa Branca.

A queda mais acentuada da aprovação do Congresso nos últimos meses ocorreu entre os republicanos. Em fevereiro, 54% dos republicanos disseram que aprovavam a forma como o Congresso estava realizando seu trabalho; na mais recente pesquisa, o índice caiu para 40%.

Alguns analistas sugerem que o Congresso está pagando o preço pelos meses de intensa luta partidária em torno das indicações ao Judiciário e pela decisão de intervir no caso de direito de morrer de Terri Schiavo.

Christine Weisman, uma dona de casa republicana de 54 anos de Reading, Pensilvânia, disse em uma entrevista posterior: "Eles não estão fazendo nada. Eles não parecem capazes de chegar a um acordo em nada". Ela acrescentou: "Tudo se resume a política e estão esquecendo das necessidades básicas da população".

O deputado Rahm Emanuel, democrata de Illinois que chefia o Comitê de Campanha Democrata ao Congresso, disse: "O povo americano sabe instintivamente que temos grandes problemas e que temos um Congresso que não está tratando ou cuidando deles".

Como o partido no comando, os republicanos devem ser responsabilizados, disse Emanuel, apesar de ter acrescentado que as eleições de 2006 ainda estão distantes demais para previsões.

O deputado Tom Reynolds, que chefia o Comitê Nacional Republicano para o Congresso, disse que o velho truísmo ainda vale: "As pessoas podem não estar enamoradas pela instituição do Congresso, mas elas amam seu congressista".

Ele acrescentou: "Meu conselho aos autores de políticas no Congresso é para que continuem fazendo seu trabalho e assegurem para que, à medida que o fizerem, informem as pessoas a respeito".

Bush enfrenta uma opinião pública bastante resistente quando se trata de suas propostas para a Previdência Social. Ele abraçou recentemente um plano de solvência que protegeria os trabalhadores com rendas mais baixas de qualquer redução de benefícios, mas a maioria na pesquisa disse ainda acreditar que o plano geral de Bush beneficiará mais as pessoas de renda mais elevada.

Ele tem gasto meses tentando explicar as virtudes das contas de investimento privadas, mas a opinião pública sobre elas continua altamente dividida. 45% disseram que tais contas são uma boa idéia, 50% disseram que é uma má idéia, o mesmo resultado obtido na pesquisa de janeiro.

As pessoas gostam da idéia de que as contas poderiam ser herdadas e que poderiam resultar em mais dinheiro para a aposentadoria; ambos os argumentos aumentam o apoio às contas.

Mas a idéia de que estas contas poderão levar a um maior endividamento do governo --para financiar os custos de transição-- resultou em uma resposta altamente negativa, assim como a idéia de que as contas seriam acompanhadas por uma redução do benefício garantido pelo governo.

Os americanos também reconheceram que Bush tem um plano para a Previdência Social e que os democratas no Congresso não têm. A maioria disse que gostaria de ver os democratas apresentarem um plano em vez de simplesmente criticarem o de Bush. Além disso, a maioria disse acreditar que o sistema da Previdência não tem problemas reais.

Mas a maioria disse não achar que o plano de Bush de contas privadas ajudará na solvência do sistema a longo prazo.

*Colaborou Fred Backus com reportagem. Só 42% aprovam o presidente e 33% apóiam o Congresso americano George El Khouri Andolfato

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