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18/06/2005

Coréia do Norte diz estar pronta para retomar negociações sobre seu arsenal nuclear

The New York Times
Norimitsu Onishi*

Em Seul, Coréia do Sul
O líder da Coréia do Norte, Kim Jong Il, disse nesta sexta-feira (17/06) que o país está pronto para retomar as negociações em torno de seu programa de armas nucleares no próximo mês, desde que os Estados Unidos o tratem com respeito, segundo o governo sul-coreano.

Kim também disse que se a crise nuclear for resolvida, Pyongyang está pronta para voltar ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear e permitir a presença de inspetores nucleares internacionais no país, segundo Chung Dong-young, o ministro da Unificação da Coréia do Sul, que se encontrou com o líder norte-coreano.

"O líder da Coréia do Norte, Kim Jong Il, disse que se os Estados Unidos reconhecerem firmemente a Coréia do Norte como parceira e respeitá-la, a Coréia do Norte retornará às negociações envolvendo seis partes, já em julho", disse Chung em uma coletiva de imprensa após retornar a Seul vindo de Pyongyang, na noite de sexta-feira.

Em Washington, o governo Bush fez pouco dos comentários de Kim, repetindo sua insistência anterior de que a Coréia do Norte volte às negociações sem pré-condições.

Adam Ereli, um porta-voz do Departamento de Estado, disse que o governo não tem intenção de melhorar a oferta feita à Coréia do Norte há um ano e à qual Pyongyang ainda não respondeu.

"Nós apresentamos uma proposta", disse ele. "A proposta deve ser levada a sério" e será discutida, ele disse, apenas como parte das negociações envolvendo os seis países.

A oferta do governo envolve a possibilidade de uma maior ajuda por parte do Japão e da Coréia do Sul, assim como uma eventual normalização das relações com os Estados Unidos, em troca do pleno desmonte por parte da Coréia do Norte de seus programas de desenvolvimento de armas nucleares.

A proposta da Coréia do Norte não contêm nada de novo. Mas é significativa porque veio diretamente de Kim e não por intermédio das habituais declarações obscuras divulgadas pela agência de notícias oficial norte-coreana.

Ela representou o sinal mais positivo até o momento de que as negociações nucleares, boicotadas por Pyongyang desde junho passado, têm uma chance de serem retomadas.

Kim, que raramente se encontra com dignitários estrangeiros, fez a declaração em um encontro em Pyongyang com Chung, que estava liderando uma delegação em uma visita de quatro dias. Durante o encontro, Chung transmitiu uma mensagem do presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, pedindo por uma rápida solução para a crise nuclear, segundo relatos vindos de Pyongyang. Chung foi a primeira autoridade sul-coreana a se encontrar com Kim em três anos.



Na coletiva de imprensa em Seul, Chung disse que a Coréia do Norte também parece estar buscando garantias, como no passado, de que não será atacada primeiro pelos Estados Unidos. "Se a segurança do regime estiver garantida, não há motivo para possuir uma única arma nuclear", Chung citou Kim como tendo dito.



A Coréia do Norte se retirou do tratado no início de 2003, após ser acusada pelas autoridades americanas de estar realizando um programa secreto de enriquecimento de urânio, que deu início à crise atual. No início deste ano, a Coréia do Norte declarou ter armas nucleares.



As negociações, que também incluem a Coréia do Sul, China, Japão e Rússia, tiveram início no verão de 2003, mas fracassaram em obter progresso em parte pela desunião entre os participantes. Enquanto os Estados Unidos e o Japão ameaçavam com medidas punitivas para tentar coagir a Coréia do Norte a voltar à mesa de negociação, China e Coréia do Sul destacavam que incentivos mais claros eram necessários.



A Coréia do Norte, que tem citado as políticas "hostis" dos Estados Unidos como motivo para se recusar a retomar as negociações, "nunca desistiu" delas, Chung citou Kim como tendo dito.



A China -juntamente com a Coréia do Sul, em menor grau- também tem criticado a retórica americana aplicada à Coréia do Norte, dizendo que o uso de termos como "posto avançado da tirania" para descrever a Coréia do Norte representa uma negociação de má fé.



No encontro de sexta-feira, Kim disse que a Coréia do Norte "está tentando se opor aos Estados Unidos porque eles nos desprezam", segundo Chung.



Diferente dos termos freqüentemente inflamados usados por ambos os lados para descrever os líderes de cada país, Kim disse não ter motivos para pensar mal do presidente Bush, segundo Chung.



Na Coréia do Sul, onde as formas como as autoridades americanas tratam o líder norte-coreano são dissecadas, as autoridades notaram que Bush recentemente usou o respeitoso "sr." ao se referir a Kim.



Em abril, Bush chamou Kim, que criou um culto da personalidade em seu país, de um "tirano" e o acusou de manter "campos de concentração". A Coréia do Norte respondeu atacando Bush como sendo "um filisteu com o qual nunca negociaremos".



Cerca de 40 autoridades sul-coreanas estavam visitando Pyongyang nesta semana para comemorar o quinto aniversário do encontro de cúpula intercoreano de 2000 entre Kim e Kim Dae-jung, o então presidente sul-coreano. Kim ainda precisa cumprir a promessa feita durante o encontro de visitar a Coréia do Sul.



Os críticos da política sul-coreana de envolvimento da Coréia do Norte dizem que Pyongyang tem usado estes encontros para apelar para o nacionalismo coreano e obter várias concessões de Seul. Tais críticas provavelmente aumentarão se nada resultar do encontro de sexta-feira.



O encontro ocorreu uma semana após Roh e Bush, durante uma visita do presidente sul-coreano à Casa Branca, tentarem reduzir suas diferenças em torno da Coréia do Norte e apresentar uma frente unida. Segundo funcionários americanos, as autoridades norte-coreanas disseram que estão prontas para retomar as negociações, mas nenhuma data foi marcada.



Na quinta-feira, Chung se encontrou com Kim Yong Nam, o vice-líder norte-coreano, que teria se queixado do fato dos Estados Unidos não reconhecerem Pyongyang diplomaticamente.



"Se os Estados Unidos reconhecerem nosso sistema e instituição, nós também os trataremos como amigos", Chung citou Kim Yong Nam como tendo dito.



*Colaborou David E. Sanger de washington com reportagem. Disposição depende de contrapartidas de EUA e Coréia do Sul George El Khouri Andolfato

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