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19/06/2005

Eleição 2006 divide o Partido Republicano de NY

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
Enquanto o governador George E. Pataki se prepara para revelar seus planos políticos para 2006, o Partido Republicano de Nova York está rachado por conflitos na escolha de candidatos formidáveis para três disputas eleitorais fundamentais do próximo ano: para o governo do Estado, procurador geral do Estado e pela cadeira no Senado ocupada por Hillary Rodham Clinton.

Alguns candidatos republicanos potenciais têm acusado o diretório estadual do partido de adotar uma abordagem de escolha dos candidatos pelo alto escalão. Vários republicanos interessados e seus simpatizantes têm atacado rivais e tentado miná-los, com alguns até mesmo mantendo conversas com membros da Casa Branca para favorecer seus candidatos.

Enquanto isso, vários líderes locais republicanos se queixam de que o diretório estadual está favorecendo republicanos com bolsos mais fundos do que aqueles com boas mensagens.

Esta ansiedade incomumente precoce em relação a 2006 tem crescido após meses de silêncio de Pataki, cujas campanhas têm sido um centro de gravidade para o partido há uma dúzia de anos.

Ele sinalizou que decidirá se concorrerá ou não a um quarto mandato nas próximas semanas, e se não concorrer --como a maioria acredita na capital-- os republicanos temem que os democratas poderão conquistar novamente o controle de todos os principais cargos estaduais pela primeira vez em gerações, particularmente com o procurador-geral Eliot Spitzer concorrendo ao governo.

"Há muita preocupação aqui nas bases em relação a 2006, tanto que disse ao governador Pataki: 'Você precisa concorrer'", disse Robert Smith, o presidente do partido em Onondaga County, uma fortaleza republicana.

Com o silêncio de Pataki, as tensões internas do partido têm se concentrado na estratégia do presidente do diretório estadual escolhido a dedo e ainda não testado, Stephen J. Minarik III, um conservador ruidoso com queda em ferir egos.

Apesar de alguns membros do comando do partido dizerem que estão estimulados pelo estilo de Minarik, outros vêem ecos preocupantes de Howard Dean, o franco presidente nacional democrata, nos comentários de Minarik vinculando os democratas ao terrorismo e sugerindo que alguns republicanos são políticos de segunda linha.

Nas últimas semanas, dois republicanos que estão considerando concorrer em 2006, Edward Cox, um advogado que é genro de Richard M. Nixon, e Randy A. Daniels, o secretário de Estado, chegaram a acusar Minarik de abuso de poder ao tentar indicar seus candidatos favoritos.

Minarik está defendendo Jeanine F. Pirro, a promotora de Westchester County, para disputar com Hillary Clinton. Isto enfureceu Cox, cujos assessores também acreditam que Minarik está enganando os republicanos ao sugerir que a Casa Branca também apóia Pirro.

"Steve cruzou a linha de favorecimento", disse I. Lynn Mueller, o principal estrategista político de Cox, que apresentou sua queixa a Minarik em nome da campanha. "Eu acho que o diretório estadual está tão preocupado com a possibilidade de perder em 2006 que está agindo de forma injusta com alguns companheiros republicanos."

Daniels, que está se preparando para concorrer ao governo caso Pataki não queira, disse que ainda está irritado com sua conversa com Minarik. Ele disse que o presidente descartou o apoio à sua candidatura porque ele prefere apoiar um candidato capaz de financiar sua campanha com recursos próprios.

"Eu não medi palavras para lhe dizer o quanto discordava", disse Daniels. "Eu lhe disse para permanecer imparcial e permitir aos nova-iorquinos a chance de votar em quem escolherem. Eu não estou certo de que ele está fazendo isto."

Em uma entrevista, Minarik disse que é "franco" e disse que seu papel foi colocar os interesses do partido acima dos de seus membros, exceto Pataki. Ele disse que não descartou o apoio a Daniels mas se recusou a discutir a conversa privada que tiveram, apesar de ter dito estar "surpreso" por Daniels estar falando em candidatura apesar de Pataki ainda não ter anunciado suas intenções.

"Eu tenho que dizer a verdade, e acredito fortemente nisto", disse Minarik, acrescentando que as disputas de 2006 exigem um avaliação clara, às vezes brutal, dos melhores candidatos. "Eu tenho direito a uma opinião como qualquer pessoa."

"Alguns líderes locais republicanos, que têm um papel importante na seleção de candidatos, estão divididos em relação às posições e estratégias de Minarik para 2006. Alguns deles apóiam Daniels, que disse ter visitado todos os 62 condados no ano passado.

Alguns acham que os candidatos devem provar sua capacidade competindo pelas indicações republicanas até a convenção partidária de junho de 2006, enquanto Minarik quer que o partido decida por uma chapa "oficial" até o final deste ano.

"Muitas das cadeiras locais gostam da idéia de Randy para governador, e eu também", disse Thomas L. Morrone, o presidente republicano de Chenango County. "O pessoal do diretório estadual precisa olhar longamente e atentamente para os candidatos antes de declarar suas preferências."

"Não se trata de dinheiro, mas da mensagem, e é o trabalho do partido levantar o dinheiro", acrescentou Smith, o presidente de Onondaga. "Steve sabe o que sinto a respeito disto", ele acrescentou, enfatizando que é um fã de Minarik.

Privativamente, alguns diretores republicanos também expressaram preocupação com o entusiasmo de Minarik por Pirro, cuja posição em Westchester tem sido cada vez mais incerta. Eles disseram que ela pode perder votos cruciais dos conservadores pelo seu apoio aos direitos de aborto e direitos dos gays, sem contar a condenação prévia de seu marido, Al, por crime de evasão fiscal.

Uma das disputas mais intensas entre os republicanos que desejam concorrer ao Senado é o grau de interesse, ou a falta de, entre os agentes políticos na Casa Branca e no diretório nacional.

Alguns líderes locais disseram que foram informados por Minarik que membros da Casa Branca preferem Pirro em vez de Cox. Mas Cox e seus assessores disseram que a Casa Branca continua imparcial, mas que Minarik está inventando o envolvimento deles para promover Pirro.

Um republicano ligado a Cox chegou até mesmo a ler um e-mail, que o republicano disse ser de Karl Rove, o conselheiro político da Casa Branca, no qual Rove disse que Washington não se envolverá na eleição primária para o Senado. O republicano se recusou a fornecer uma cópia do e-mail, apesar do campo de Cox tê-lo confirmado.

Dois funcionários da Casa Branca disseram nesta semana que estão pessoalmente pendendo para Pirro como melhor adversária para Hillary Clinton, mas que não têm planos de apoiar qualquer candidato nas primárias.

"Pirro é uma forte candidata, uma candidata muito forte, e acho que Cox também é bom", disse um funcionário da Casa Branca, que falou sob a condição de anonimato, temendo influenciar a eleição primária.

Minarik se recusou a discutir suas conversas com membros da Casa Branca, mas disse que seu entendimento a partir de reportagens publicadas e outras fontes é de que "pessoas da Casa Branca procuraram Jeanine Pirro e querem que ela seja candidata".

Se Pataki não concorrer novamente, as autoridades estaduais do partido desejam um empresário rico, de fora do círculo, como candidato. Democratas têm chance de obter os três maiores cargos em disputa George El Khouri Andolfato

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