UOL Notícias Internacional
 

25/06/2005

Bush mantém firme sua decisão de não estabelecer prazo para retirada do Iraque

The New York Times
David E. Sanger

Em Washington
O presidente norte-americano George W. Bush prometeu ao primeiro-ministro iraquiano na última sexta-feira (24) que não ia desistir da missão no Iraque, apesar da crescente pressão do Congresso e do público para que anuncie uma estratégia de retirada gradual norte-americana. Ele se mostrou indiferente a sugestões de que militares e membros de seu governo fundamentalmente discordam sobre a força da insurgência.

No Salão Leste, ao lado do primeiro-ministro Ibrahim Al Jaafari, Bush novamente prometeu que não ia estabelecer um programa para a retirada das tropas.

"Não haverá prazos", disse ele. "Para que dizer ao inimigo: 'Aqui está o programa; é só esperar sairmos'?" Al Jaafari, que falou quase sempre em árabe, iniciou seus comentários em inglês para enfatizar seu acordo com Bush. "Esta não é hora de dar para trás", disse ele.

Ele repetiu o que diz a Casa Branca, argumentando que as boas notícias no Iraque estão sendo superadas pelas constantes explosões, baixas e ataques nas estradas. "Vejo de perto o que está acontecendo no Iraque e sei que estamos fazendo progressos contínuos e substanciais", disse ele.

Com as pesquisas mostrando que o apoio americano à guerra no Iraque está caindo, a insistência de Bush de que vai manter seu curso cria uma tarefa política delicada para a noite da próxima terça-feira (27). O presidente pediu que, neste dia, os maiores canais de televisão transmitam um discurso ao vivo em horário nobre de Fort Bragg, em Fayetteville, Carolina do Norte. O discurso marcará o primeiro aniversário do fim da ocupação americana e a transferência de poder aos iraquianos. As redes de televisão disseram na sexta-feira que não tinham decidido se iam apresentar as observações de Bush ao vivo.

Em conversas na última sexta-feira (24), várias autoridades admitiram que o discurso do presidente teria que caminhar sobre corda bamba. "Temos que explicar, convincentemente, por que achamos que a situação vai virar para o nosso lado", disse uma autoridade, acrescentando que estava proibida de falar oficialmente e que o discurso ainda não estava pronto.

Essencialmente, a mensagem de Bush é a mesma há um ano, e seu porta-voz, Scott McClellan, indicou que o presidente oferecerá maiores detalhes de sua estratégia, mas não uma mudança de curso.

Na ausência de sinais de arrefecimento nas baixas americanas, Bush está tendo cada vez mais dificuldades em convencer até membros de seu próprio partido de que sua estratégia está funcionando.

A Casa Branca está tendo que lutar contra imagens de televisão diárias que reforçam uma noção de carnificina constante, além das observações públicas de líderes militares sobre o aumento na entrada de combatentes estrangeiros e nenhuma diminuição do ritmo dos ataques às forças americanas. Comandantes militares no Iraque admitiram que o treinamento das forças iraquianas está progredindo com uma lentidão dolorosa.

Bush pareceu antecipar um pouco do discurso na sexta-feira, quando disse que o desenvolvimento de instituições políticas no Iraque lhe havia deixado otimista sobre o futuro. Mas ele foi veemente na questão de não ceder aos insurgentes e, aparentemente, associou o aumento nos ataques às pesquisas mostrando uma vontade crescente norte-americana de buscar uma saída.

"Eles calcularam que, se conseguirem abalar nossa força de vontade e afetar a opinião pública, então os políticos vão desistir da missão", disse ele. "Não vou desistir da missão. Estamos fazendo a coisa certa, que é estabelecer a base para paz e a liberdade."

Ele se recusou a responder diretamente quando perguntado sobre aparentes divergências -ou ao menos notáveis diferenças de discurso- entre o vice-presidente Dick Cheney e o general John P. Abizaid, comandante das forças americanas no Oriente Médio. Cheney, na terça-feira, reiterou sua opinião de que a insurgência no Iraque estava em seus "últimos lances". Mas Abizaid disse ao comitê do Senado no mesmo dia que a força da insurgência "é quase a mesma" que há seis meses e que o número de combatentes estrangeiros chegando ao Iraque estava aumentando.

"Os mesmos comandantes que dizem que esses sujeitos são matadores terríveis estão nos lembrando que estamos progredindo", disse Bush, observando que tinha acabado de sair de uma reunião com Cheney, Abizaid e o secretário de defesa Donald H. Rumsfeld. O presidente não deu detalhes.

Bush admitiu a sensibilidade do momento quando foi perguntado por um repórter se estava passando por "uma depressão de segundo mandato". Ele
respondeu: "um pântano, talvez". Apesar de provocar risos, a noção de que o a situação no Iraque tinha se deteriorado e se aproximado a uma descrição da era do Vietnã é exatamente o que a Casa Branca está enfrentando, especialmente no Capitólio. Bush continuou e disse que não é movido pelas pesquisas, repetindo uma de suas frases prediletas: "Seguindo as pesquisas como um cão caça o próprio rabo."

"Não sei como se traduz isso", disse ele, olhando para Al Jaafari. "Mas meu papel é montar um programa e promover esse programa. E estamos estabelecendo a base para a paz no mundo."

Os comentários do principal assessor político de Bush, Karl Rove, não ajudaram sua posição no Capitolio. Ele disse ao Partido Conservador do Estado de Nova York nesta semana que, depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, os liberais quiseram "oferecer terapia e compreensão para nossos atacantes". Essa declaração gerou reclamações iradas de democratas. Bush não foi perguntado sobre o assunto na conferência com a imprensa, mas seus principais assessores defenderam o comentário de Rove.

"É intrigante que os líderes democratas estão tentando defender as opiniões de pessoas como Michael Moore e organizações como moveon.org, que assumiram uma posição muito diferente depois dos ataques de 11 de setembro, depois dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono aqui em Washington, DC.", disse McClellan. "Vocês podem voltar e ouvir alguns comentários que fizeram."

Mas Tim Roemer, ex-congressista democrata e membro da comissão de 11 de setembro, disse que "tanto liberais quanto conservadores morreram naquele dia. Devemos trabalhar para fechar os furos de segurança em nossas fronteiras e pegar Bin Laden, em vez de nos concentrarmos em fazer difamar democratas, republicanos, conservadores ou liberais."

Com o quente debate em torno da estratégia no Iraque, Al Jaafari pareceu surpreso com a pressão da imprensa em Washington, correndo da entrevista na televisão para discursos e visitas a soldados norte-americanos feridos, a quem agradeceu.

Na Casa Branca, Al Jaafari instou Bush a "refazer o plano Marshall", um referência à reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Ele sugeriu que o chamasse de "Plano Bush, para ajudar o Iraque, para ajudar o povo iraquiano". Bush, que invocou o plano Marshall há dois anos quando promoveu a reconstrução do Afeganistão, não respondeu e terminou a conferência com a imprensa. Deborah Weinberg

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