UOL Notícias Internacional
 

25/06/2005

China dá início a exportações de carros em grande escala para o Ocidente

The New York Times
Keith Bradsher

Em Xinsha (China)
A Honda Motor começou a carregar um navio com carros aqui na última sexta-feira (24/06), a fim de exportá-los para a Europa, na estréia da China como exportador em grande escala de automóveis para o mundo industrializado.

A remessa se segue ao anúncio feito pela DaimlerChrysler há dois meses no Show Automobilístico de Xangai de que a empresa estava negociando a
construção de uma fábrica próxima a Pequim para a fabricação de carros de pequeno porte para exportação para a América do Norte.

Isso ocorre ao fim de uma semana na qual a oferta feita pelo Grupo Haier para a compra da Maytag e a da China National Offshore Oil Corporation para a aquisição da Unocal alimentaram as preocupações ocidentais quanto ao rápido crescimento econômico da China.

Fabricantes de automóveis de todo o mundo, incluindo a General Motors, a
Ford Motors e a Toyota Motor, estão se apressando em construir fábricas na China, anda que o restante do mundo enfrente um intenso excesso de
capacidade na produção de carros, o que faz aumentarem as possibilidades de que algum dia mais fábricas tenham que ser fechadas nos países ocidentais à medida que aumentem as exportações chinesas.

O rápido desenvolvimento já alarmou líderes da United Automobile Workers e outros sindicatos ocidentais, que dizem que os seus membros não são capazes de concorrer com trabalhadores que ganham US$ 100 por mês nas províncias costeiras chinesas, e que receberão a metade desse salário em montadoras construídas nas províncias do interior.

Seguindo um caminho já trilhado por Coréia e Japão, a China construiu uma grande indústria automobilística cuja qualidade internacional aumentou no decorrer da última década, ao mesmo tempo em que protegeu o seu mercado interno com duras barreiras comerciais. A China ainda impõe tarifas próximas a 30% sobre veículos familiares importados, comparadas à tarifa norte-americana de 2,5% sobre carros, minivans e veículos utilitários esportivos importados, e de 25% sobre caminhonetes e caminhões.

No entanto, o que diferencia a China dos seus rivais asiáticos é o fato de o país ter decidido em uma fase bem mais preliminar do seu desenvolvimento automotivo que receberia de braços abertos às companhias multinacionais -embora somente na forma de joint ventures com fábricas chinesas, que estão aprendendo rapidamente as mais recentes técnicas de manufatura e engenharia com os seus parceiros.

Segundo os analistas do ramo, é particularmente impressionante a rápida
melhoria da qualidade dos carros produzidos na China. Hironori Kanayama,
presidente da subsidiária da Honda que produz automóveis aqui, exortou os funcionários presentes em uma cerimônia local de carregamento de um navio a melhorarem ainda mais a qualidade dos veículos.

"O nosso mercado está no exterior. Os nossos concorrentes são fortes
fabricantes internacionais. Temos que superá-los", afirmou. "A nossa única saída é fazer produtos iguais ou superiores àqueles fabricados no Japão".

Durante uma breve entrevista, Kanayama admitiu que a qualidade dos
automóveis montados aqui é ligeiramente inferior à dos modelos idênticos
fabricados no Japão, mas afirmou que a diferença é muito pequena e está
diminuindo.

A Honda tentou anunciar o embarque de automóveis para o público chinês sem alimentar os temores internacionais quanto ao poder econômico da China. A empresa pagou para trazer de avião diversos jornalistas chineses para a cerimônia, mas pouco fez para alertar os jornalistas ocidentais, e somente três destes estiveram presentes no evento.

Os funcionários da Honda começaram a dirigir 150 utilitários Jazz até o
compartimento de carga do navio de bandeira panamenha Liberty Ace, na
sexta-feira, em um porto nas proximidades de Guangzhou, 130 quilômetros a noroeste de Hong Kong. O navio já estava carregado com 5.000 carros de
fabricantes do Japão, e transportará os veículos até Ghent, na Bélgica.

A primeira remessa de automóveis Jazz feitos na China será depois enviada para exposições alemãs. Os Jazz feitos na China e no Japão serão vendidos intercaladamente e pelo mesmo preço nas concessionárias Honda, primeiro na Alemanha, depois na Itália, e finalmente em toda a Europa, à medida que a Honda for avaliando a reação dos consumidores.

Um pouco menor que um Civic, o Jazz é vendido na Ásia e na Europa, mas não nos Estados Unidos, onde o mercado para os subcompactos é limitado. Os executivos da Honda dizem que não têm planos imediatos para começar a
fabricar quaisquer modelos maiores para exportação.

Os carros exportados foram montados em uma nova fábrica da Honda aqui, que foi construída apenas para abastecer o mercado europeu. Ao concordar em exportar todos os carros, a Honda conquistou o direito de ser a proprietária de 65% da fábrica.

A China estabelece um limite de 50% sobre os investimentos estrangeiros em fábricas de automóveis que abastecem o mercado doméstico.

Durante uma curta turnê pela fábrica na sexta-feira, ficou evidente que a Honda investiu em robôs nos locais em que estes são necessários por questões de qualidade e segurança, na soldagem das partes dos carros. Mas em outros setores a fábrica depende fortemente do trabalho manual, que é muito barato. Os trabalhadores empurram vagões com chassis parcialmente montados e peças, em locais onde, em um país ocidental, provavelmente se usariam esteiras transportadoras.

Na grande fábrica da Honda em Marysville, Ohio, fornecedores próximos enviam assentos e outras peças para as unidades de montagem em intervalos de alguns minutos, minimizando a necessidade de manutenção de um dispendioso estoque. Mas durante a visita da imprensa pôde ser visto rapidamente um grande salão cheio de pilhas de peças sobressalentes e umas duas centenas de assentos cinzas envolvidos em plástico.

A Honda ainda está importando várias das peças usadas aqui, conforme ficou evidenciado pelas pilhas de caixas de madeira com o carimbo "Made in Japan" que estavam próximas à unidade de soldagem.

Atsuyoshi Yogo, presidente da subsidiária local da Honda, disse que a
companhia está aumentando rapidamente a sua dependência das autopeças
fabricadas no mercado local. As maiores fabricantes de autopeças do mundo construíram fábricas na China, e pretendem construir mais, inicialmente para suprir o mercado local, mas cada vez mais para abastecer também as montadoras nos países industrializadas.

A jornada da fábrica ao porto revela a rápida e contínua industrialização da China. Próxima à fábrica, a estrada atravessa quilômetros de uma plantação de bananas, assim como filas de casas de concreto de um andar com telhados de metal, feitas para os trabalhadores. Mais à frente, há uma série de grandes fábricas produtoras de concreto e de outros materiais industriais, nas quais os trabalhadores com capacetes se empoleiram em estruturas de metal de mais fábricas em construção.

O Liberty Ace está ancorado em um porto muito moderno, dotado de guindastes enormes e modernos que utilizam garras de aço para colocarem contêineres de 12 metros em barcaças. Há guindastes equipados com recipientes de aço para o descarregamento de carvão.

As fabricantes de automóveis da China, tanto chinesas quanto multinacionais, já exportam, mas até o momento esses embarques têm ocorrido em escala extremamente modesta. Uma joint venture da Ford na China exporta mil vans por ano para as Filipinas. Uma outra, da GM, vende 2.000 automóveis pequenos no sudeste da Ásia.

E os fabricantes de carros totalmente chineses estão começando a exportar. A Brilliance Automotive anunciou planos para exportar até 2,000 sedãs Zhonghua para a Alemanha no final deste ano, e a Chery está planejando dar início à venda de carros nos Estados Unidos em 2007 ou 2008. Mas a iniciativa da Honda é bem ambiciosa: a sua fábrica aqui deve exportar 10 mil carros durante o restante deste ano, chegando a 50 mil carros por ano nos próximos cinco anos.

Robert A. Lutz, vice-presidente da GM, previu no Show Automobilístico de
Xangai que os fabricantes chineses aprenderão a exportar em grande
quantidade por conta própria.

"Estamos nos aproximando rapidamente daquele estágio no qual uma ou mais
marcas chinesas exportarão para outras regiões do globo e venderão com
sucesso dentro dos próximos cinco anos", afirmou. Danilo Fonseca

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