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28/06/2005

Jovens obesos perdem peso em acampamentos

The New York Times
Abby Ellin

Em Nova York
Dois verões atrás, Alexis Werth Mason tinha 12 anos e pesava 60 quilos. Não era demais, mas com 1,50 metro, ela era mais pesada do que queria ser. Fazer compras era doloroso. Os colegas de classe zombavam dela. Um vizinho disse que ela era gorda demais para empurrá-la no trenó. Após tentar dietas desesperadamente --e fracassar-- sua mãe, Bonnie Werth, perguntou se ela queria ir para um acampamento de perda de peso.

Ed Betz/The New York Times 
Alexi Werth Mason mostra foto de como ela era antes de freqüentar o acampamento
"Ela disse: 'Eu não posso ir para um acampamento de gordos, mãe, todas as crianças vão rir de mim", lembrou Werth, presidente da Team Services, uma firma de marketing em Woodbury, Nova York. "Mas eu a convenci a ir."

"Não se tratava tanto da perda de peso", disse Werth, "mas eu queria que ela estivesse cercada de outras crianças com os mesmos problemas. Ela se sentia muito isolada e sozinha em seus problemas."

Alexis, que é conhecida como Lexi, passou oito semanas no Camp Shane, em Ferndale, Nova York, e perdeu 11 quilos. Ela tem mantido o peso desde então.

Isto é algo importante.

Afinal, é fácil perder peso em um ambiente controlado, mas é uma história diferente quando você volta para casa e se vê diante de tentações como pizza, sorvete e pouco exercício. Assim, não surpreende o fato de muitas crianças que freqüentam acampamentos de perda de peso geralmente o recuperarem.

"Voltar do acampamento para casa foi difícil", disse Lexi, atualmente com 14 anos. "Eu sabia o que tinha que fazer, mas eu via todos comendo na escola. Quando você vê todos os seus amigos comendo feito loucos, assistindo a filmes antigos, chorando e coisas assim, você quer participar. É uma pressão. Então passei a comer com moderação."

Milhares de jovens passarão o verão em acampamentos de perda de peso, uma opção popular para pais que não têm nenhuma idéia de como inspirar seus filhos a perderem peso. É uma indústria que está crescendo lentamente. Em todo país, há cerca de uma dúzia de acampamentos dedicados estritamente à perda de peso, quatro deles abertos no ano passado. Mas ainda não se sabe se funcionam.

As estatísticas sobre acampamentos de perda de peso são difíceis de obter. Os freqüentadores geralmente não mantêm contato com os diretores dos acampamentos e nem sempre respondem honestamente aos questionários.

Mas dos 1.000 jovens que freqüentarão neste verão os três acampamentos New Image de Tony Sparber, na Flórida, Califórnia e nas Montanhas Pocono na Pensilvânia, mais da metade são clientes que estão voltando. O número é mais ou menos o mesmo para os 800 jovens que estão seguindo para Camp Shane, nos Catskills em Nova York.

"Talvez eles não estejam perdendo peso especificamente, mas em vez disse estejam aprendendo algo que possam usar nos próximos 20 anos e colocar em prática quando estiverem prontos", disse Marla Coleman, ex-presidente da Associação Americana de Acampamentos.

Coleman acrescentou: "É educação. Conhecimento. Ele remete a tudo o que o acampamento faz, que é um aprendizado experimental".

Talvez mais importante, disse Coleman, o acampamento dá para as crianças um alívio no ganho de peso e no tormento que geralmente vivenciam no mundo real. Muitos praticam esporte pela primeira vez e têm uma vida social.

Mas este não é sempre o caso. Danielle Rothman, atualmente com 17 anos, passou três verões no Camp Shane. "Todos em Shane estavam obesos, mas as pessoas ainda eram ridicularizadas pelo seu peso", disse Rothman, que vive em Dix Hills, Nova York.

"As crianças mais obesas ainda eram ridicularizadas. Eu era uma das mais magras, então as pessoas diziam: 'Por que você está aqui?' Isto fez com que me sentisse bem, mas depois de um tempo eu queria bater nelas."

Acampamentos de perda de peso geralmente apresentam sessões de três, seis ou oito semanas, e custam cerca de US$ 7.500 por todo o verão --cerca de US$ 1.500 a mais do que os acampamentos não especializados.

Os freqüentadores geralmente recebem cerca de 1.500 calorias por dia e geralmente passam três a quatro horas por dia fazendo alguma atividade física, assim como outras atividades como teatro, artes e trabalhos manuais. Há pesagens semanais e aulas regulares de nutrição e culinária.

A maioria dos campos oferece sessões terapêuticas para que os freqüentadores explorem seus sentimentos sobre alimento e peso. Mas os críticos temem que os acampamentos não sejam administrados por pessoas com as credenciais necessárias para lidar com crianças com bagagem emocional séria, e que tais sessões são curtas demais para mudar uma vida inteira de maus hábitos.

Teresa Guerrero trabalhou em um acampamento no Sul da Califórnia em 2003 e 2004, onde foi orientadora.

"Havia muitas crianças muito problemáticas", disse Guerrero, 26 anos, que é estudante de doutorado em psicologia clínica e escolar em Hofstra. "A maioria delas era comedora compulsiva."

"Muitas tomavam medicamentos, ou comiam por tédio, ou cortavam a si mesmas", disse ela. "Muitas tinham vivenciado um divórcio ou a morte de um dos pais. Elas podiam rastrear o ganho de peso até tal momento. Era uma grande responsabilidade para os orientadores, nenhum deles realmente equipado para lidar com isto."

Um dos programas mais promissores é oferecido pelos Wellspring Camps, que existem há dois anos e que operam o Camp Wellspring, perto de Lake Placid, Nova York, para garotas de 14 a 22 anos; o Wellspring Adventure Camp perto de Asheville, Carolina do Norte, para garotos e garotas de 11 a 16 anos de idade; e o Western Wellspring Adventure Camp na Califórnia, para meninos e meninas de 13 a 18 anos.

Diferente dos acampamentos de perda de peso tradicionais, o Wellspring usa abordagem comportamental cognitiva. Os freqüentadores estabelecem metas e monitoram a si mesmos, técnicas que são componentes da modificação comportamental, uma das abordagens mais amplamente aceitas para sucesso na perda de peso há longo prazo.

Cada freqüentador é responsável pelos seus próprios hábitos alimentares e de exercício. Nas refeições, por exemplo, os jovens recebem alimentos "controlados", como entradas e sobremesas medidas, e alimentos "não controlados": frutas e sopas sem gordura.

Eles podem comer quanto quiserem dos alimentos não controlados, mas precisam anotar as calorias e gramas de gordura em um diário, com a meta de permanecerem abaixo de 20 gramas de gordura e cerca de 1.200 calorias por dia.

Eles usam pedômetros e são orientados a buscarem um mínimo de 10 mil passos por dia. A meta geral é mudar os hábitos alimentares e criar novos.

"O autocontrole é um processo em termos comportamentais --acompanhar os comportamentos alvo e sistematicamente avaliar estes comportamentos e metas estabelecidas", disse o dr. Daniel Kirschenbaum, um professor de psiquiatria e ciência comportamental da Northwestern que ajudou a desenvolver o programa, mas que não tem nenhum envolvimento financeiro nos acampamentos.

Kirschenbaum disse que o autocontrole pode ser ensinado assim como qualquer outra habilidade por meio de instrução, modelo e encorajamento.

Até o momento, os acampamentos têm tido um sucesso encorajador. Um recente estudo da Wellspring revelou que 91% de todos os seus clientes mantiveram o peso ou continuaram a perdê-lo seis meses após o término do acampamento; a perda de peso média posterior foi de 3,3 quilos.

Os acampamentos planejam continuar acompanhando a perda de peso a longo prazo dos jovens para tentar persuadir os planos de saúde a darem cobertura para os programas.

Ainda assim, os envolvidos concordam que o fato mais significativo para o sucesso é o nível de envolvimento dos pais assim que o acampamento termina. Não basta a criança voltar para casa 13 quilos mais leve se o lar também não mudar --seja por meio da eliminação de alimentos impróprios ou pelo encorajamento de exercício.

"As pessoas que são bem sucedidas são os pais que não medem esforços, que são atentos e que ficam de olho em seus filhos", disse Tony Sparber, 48 anos, que está na indústria há 25 anos.

Apesar de todos os acampamentos oferecerem palestras para os pais em dias de visita, apenas poucos aparecem, disseram os organizadores.

Após o término do acampamento, um nutricionista da New Image telefona mensalmente para os pais. Bimestralmente eles recebem um boletim com receitas. Mas Sparber reconhece que a maioria das pessoas não dá continuidade.

"Começa com empenho, mas com o passar do tempo é deixado de lado", disse ele. Neste ano, em um esforço para atingir mais pessoas, ele está acrescentando um programa de orientação online com um nutricionista, assim como um programa de fitness e gerenciamento de peso no Centro Comunitário Judeu em Tenafly, Nova Jersey.

Apenas um terço dos jovens que freqüentaram o Camp Wellspring e Wellspring Adventure Camp aderiu ao seu programa posterior, que inclui a manutenção de um diário online para automonitoramento e estabelecimento de metas, e conversa com um orientador comportamental por telefone ou e-mail.

Todos os que seguiram tal regime mantiveram ou continuaram perdendo peso na marca de três meses, disse Ryan Craig, presidente dos acampamentos Wellspring, que também é diretor da Academy of the Sierras, um internato para adolescentes obesos em Reedley, Califórnia.

Lexi Werth Mason atribui sua perda de peso bem-sucedida a duas coisas: sua meta de caber em um biquíni e sua mãe. Quando ela voltou do acampamento para casa, sua mãe tinha pacotes cheios de petiscos de legumes pré-cortados esperando por ela. Toda noite elas discutiam o que Lexi podia comer. As duas faziam compras juntas, liam rótulos, preparavam os cardápios e cozinhavam.

"As pessoas não têm tempo para sentar e fazer refeições preparadas em casa, e estão tão ocupadas que optam por Big Macs", disse Lexi.

"No acampamento eu aprendi que há 590 calorias em um, então não fazemos mais isto. Agora nós preparamos o jantar porque tenho consciência do que estou comendo. Nós substituímos alimentos light ou sem gordura. Mesmo se você comer um biscoito uma vez ou outra, não é grande coisa. É fácil compensar."

A mãe de Lexi disse: "Meu medo era que após ela perder todo este peso, ela ficaria tão obsessiva a respeito que desenvolveria alguma desordem alimentar".

Werth continuou: "Desde o dia em que ela voltou para casa, eu disse: 'Não se trata de deixar todas estas coisas para trás'. No momento em que você se priva de algo que gosta, você acaba comendo compulsivamente em excesso. Eu estava tentando criar um equilíbrio para ela e provar que é possível comer biscoitos todo dia, desde que com moderação".

Ela acrescentou: "Eu a matriculei em uma academia, e ela montou na sua bicicleta, foi até lá e passou a vigiar tudo o que estava comendo".

Werth também trancou toda as guloseimas em um armário da cozinha do qual só ela tem a chave. Lexi disse que achou isto bom.

Mais importante para Lexi, nada tem melhor sabor do que se sentir magra. E este tipo de motivação é algo que nenhuma dieta ou acampamento de perda de peso pode dar a uma pessoa.

"No inverno do ano passado, meu amigo não conseguia me empurrar no trenó porque eu era pesada demais, e fiquei realmente chateada com aquilo", disse Lexi. "Neste ano, eu fui até a casa dele e ele me empurrou, e foi um dos dias mais felizes da minha vida." Estabelecimentos unem dieta, exercícios físicos e integração social George El Khouri Andolfato

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