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28/06/2005

Nave da Nasa voa em rota de colisão com cometa

The New York Times
Warren E. Leary

Em Washington
Uma espaçonave de dois estágios chamada Deep Impact (Impacto Profundo) está prestes a fazer uma tentativa ambiciosa de dissecar um cometa ao se chocar contra ele e lançar alguns fragmentos do seu interior ao espaço para que todos os vejam.

Nasa, Pat Rawlings via The New York Times 
Ilustração do artista Pat Rawlings demonstracomo a Nasa planeja a colisão do Deep Impact com o cometa Tempel 1
Lançada da Flórida, em 12 de janeiro, a Deep Impact, da Nasa, está chegando ao final de uma jornada cuidadosamente calibrada de 431 milhões de quilômetros, que a coloca nas proximidades do cometa Tempel 1.

Uma "unidade de impacto" de 369 quilogramas, que possui um interior de cobre, deverá colidir contra o núcleo do cometa a 37 mil quilômetros por hora em 4 de julho, um evento sem precedentes que, se tudo correr bem, será testemunhado pela nave que a acompanha na jornada e por vários observatórios no espaço e na Terra.

Devido à distância e ao momento do encontro, os especialistas dizem que somente os observadores da área do Pacífico que estiverem utilizando telescópios terão possibilidade de ver o cometa e qualquer evidência do impacto.

Rick Grammier, o administrador de projeto da missão no Laboratório de Jato Propulsão em Pasadena, Califórnia, diz que a parte final do encontro a 133 milhões de quilômetros da Terra é tão complexa e rápida que as duas naves terão que realizar essas manobras por conta própria, sem o auxílio de controladores humanos.

"É uma bala tentando acertar uma segunda bala com uma terceira bala, no local e no momento exatos", explica ele.

Os cientistas dizem que o impacto, que deverá ocorrer a aproximadamente 1h52 (horário da costa leste dos Estados Unidos), poderá gerar uma cratera tão grande quando um ginásio de esportes e lançar no espaço labaredas contendo matéria do núcleo do cometa, possibilitando que se tenha a primeira imagem do material interno original que compõe esses corpos gelados.

Acredita-se que os cometas sejam remanescentes de materiais que formaram o sistema solar há cerca de 4,5 bilhões de anos. Os astrônomos acreditam que os interiores dos cometas passaram por poucas mudanças desde então e que contêm gelo, gases, poeira e outros materiais primordiais dos quais é formado o restante do sistema solar. Entender os cometas é uma maneira de entender como o sistema solar nasceu.

Uma outra razão para estudar os cometas é que eles, juntamente com os asteróides rochosos, podem se chocar com a Terra e causar devastação de proporções cataclísmicas.

Segundo os especialistas, para evitar tal catástrofe é necessário que se conheça mais sobre esses objetos, para que se conte com a possibilidade de desviar ou destruir os que representem perigo.

Michael A'Hearn, da Universidade de Maryland, principal investigador do projeto de US$ 33 milhões, disse que os cometas são provavelmente uma das melhores fontes de material primordial do sistema solar.

Embora as suas camadas mais externas tenham sido submetidas à radiação, à poeira interplanetária e aos efeitos da luz solar quando passaram próximos ao Sol no decorrer de suas órbitas, as regiões internas devem ser puras.

"Eles são velhos e muito frios , e permanecem frios durante a maior parte de suas existências", explica. "O material que fica no centro deve estar bem preservado".

Pouco se sabe a respeito da natureza e da composição dos cometas. O alvo da missão, o Tempel 1, descoberto em 1867, é um cometa de cor escura, que se move em torno do sol em uma órbita elíptica entre Marte e Júpiter a cada cinco anos e meio.

As últimas observações indicam que se trata de um objeto alongado, com cerca de 14,5 quilômetros de extensão por 5,9 quilômetros de largura.

Na segunda-feira, a Nasa divulgou duas fotos do Tempel 1 tiradas do Telescópio Espacial Hubble, em 14 de junho. O Hubble, observando o astro a uma distância de 121 milhões de quilômetros, mostrou uma brilhante erupção no cometa lançando um jato de 2.254 quilômetros em direção ao espaço.

Essa atividade revela um dos problemas enfrentados por uma missão que já é difícil. O núcleo sólido do cometa é rodeado por um halo de partículas chamado de coma (cabeleira) que se desdobra em uma longa cauda na direção oposta ao Sol.

Essas partículas poderiam danificar a unidade de impacto ou a sua nave companheira que passará próxima ao cometa antes que elas terminassem as suas tarefas e transmitissem os resultados à Terra.

Cerca de 24 horas antes de interceptar o Tempel 1, a espaçonave se dividirá, deixando a unidade de impacto em trajetória de colisão com o cometa, enquanto a nave de observação disparará jatos para se desviar.

A unidade de impacto, que conta com uma bateria para o fornecimento de energia, e que leva um instrumento telescópico de resolução média que transmitirá imagens até alguns segundos antes do impacto, deverá fazer três manobras na sua trajetória para selecionar um ponto bem iluminado no lado ensolarado do cometa.

No momento do impacto, a nave de passagem, de 585 quilogramas, e que leva telescópios de alta resolução e com lentes do tipo grande angular, deverá estar a 8.533 quilômetros da Terra, transmitindo dados de ambas as espaçonaves.

Cerca de 14 minutos mais tarde, ela fará a sua maior aproximação do núcleo do cometa, passando 500 quilômetros abaixo do astro. Pouco antes do encontro, a nave de passagem deixará de tirar fotos e girará, de forma que os seus painéis especiais que a escudarão dos fragmentos a protejam das partículas ejetadas pela cauda do cometa. Desviando-se da cauda, a nave fará uma curva a fim de obter mais imagens do cometa que estará se distanciando.

"Toda a missão se baseia naquilo que ocorrer em cerca de 800 segundos", afirma A'Hearn. "Só contamos com uma chance". A experiência poderá revelar a matéria originária do Sistema Solar Danilo Fonseca

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