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01/07/2005

Crime racial abala Nova York em ano de eleição

The New York Times
Jim Rutenberg e William K. Rashbaum

Em Nova York
Mais dois homens brancos presentes no ataque contra um negro em Howard Beach, Queens, foram detidos nesta quinta-feira (30/06) enquanto o prefeito Michael R. Bloomberg e os promotores prometiam buscar as penas máximas pela agressão de quarta-feira.

Um dos homens, Anthony Ench, 21 anos, foi detido pela polícia e acusado por ataque em crime de ódio e roubo, disseram as autoridades. O outro, Frank Agostini, 20 anos, se apresentou com seu pai, um detetive da polícia, e provavelmente será tratado como testemunha, disse a polícia.

O jovem que a polícia e os promotores caracterizaram com sendo a figura central do ataque, Nicholas Minucci, 19 anos, é acusado de agredir a vítima, Glenn Moore, em Howard Beach, na manhã de quarta-feira.

Minucci foi indiciado na quinta-feira por agressão em primeiro grau em crime de ódio, e enfrentará uma pena mínima de oito anos de prisão. A vítima, Moore, 22 anos, está em estado crítico mas estável no Jamaica Hospital, com fratura no crânio e perda de audição.

Agindo rapidamente para impedir que o incidente dividisse a cidade, Bloomberg fez aparições em todos os distritos --em City Hall, Queens, Brooklyn e no Bronx-- transmitindo a mensagem de que diferente do ataque fatal de 1986, no mesmo bairro, que agitou Nova York uma geração atrás, a cidade aprendeu a confrontar a violência racial e não a tolerará novamente.

"Eu não tenho como destacar o bastante que vamos viver juntos e ninguém, ninguém jamais deve sentir que será atacado por causa de sua etnia, orientação, religião, onde vive, seu status documentado ou qualquer coisa. Ponto. Fim da história", disse o prefeito no Bronx, na manhã de quinta-feira.

O reverendo Al Sharpton e Derek Sells, o advogado de Moore, se encontraram na quinta-feira com a família deste e caracterizaram os agressores como uma "turba de linchamento".

Eles também rebateram as afirmações de que Moore estava acompanhado de dois amigos, que estavam no bairro predominantemente branco à procura de um carro para roubar, como disse o comissário de polícia Raymond Kelly.

Sharpton disse que planeja realizar uma marcha de protesto em Howard Beach nos próximos dias; manifestações semelhantes que ele organizou após um homicídio racial em 1989, em Bensonhurst, foram recebidas com zombarias raciais por parte dos moradores locais.

Mas ressaltando como o clima racial mudou na cidade em comparação a 20 anos atrás, Sharpton, que exigiu um promotor especial após o ataque de 1986, elogiou a forma como o prefeito tem lidado com o mais recente incidente.

"A cidade não pode voltar aos anos 80", disse Sharpton, que foi contatado pessoalmente pelo prefeito na noite de quarta-feira para discutir o incidente. "Nós achamos que o tom estabelecido pelo prefeito é bom."

Suas palavras vieram como um alívio bem-vindo para o prefeito e seus assessores. Bloomberg considerou brevemente cancelar uma viagem planejada para Los Angeles e Cingapura para fazer lobby pela escolha da cidade como sede dos Jogos Olímpicos de 2012, mas na noite de quinta-feira, ele planejava ir.

Mesmo com o prefeito tendo rebatido um repórter a certa altura dizendo "este não é um dia para política", ele e seus assessores estavam dolorosamente cientes de que este é um ano eleitoral, e incidentes raciais alteraram as dinâmicas das duas recentes disputas pela prefeitura.

Os quatro principais oponentes democratas de Bloomberg foram rápidos em condenar o ataque, mas apenas um, a presidente do distrito de Manhattan, C. Virginia Fields, que é negra, criticou o prefeito, dizendo que ele estava "tratando este ataque como um incidente isolado, quando a cidade já viu muitos crimes de ódio nos últimos anos".

Os assessores de outro candidato, o presidente da Câmara dos Vereadores, Gifford Miller, disse que provavelmente participará da manifestação de Sharpton.

Em Howard Beach, vários moradores brancos entrevistados questionaram qual era a intenção do grupo de jovens negros em um bairro predominantemente branco. Alguns reiteraram os relatos da polícia de que dois companheiros da vítima disseram que estavam lá para roubar um carro.

Mas Richard S. Pope, que estava com Moore quando ocorreu o ataque, disse que ele era o único que pretendia roubar um carro naquela noite, insistindo que seu amigo não sabia nada a respeito. Ele disse que Minucci gritava ofensas raciais enquanto corria atrás de Moore.

Kelly disse na manhã de quinta-feira que a polícia ainda precisava interrogar Moore sobre o suposto roubo de carro e se ele sabia de algo a respeito.

Moore foi indiciado em julho de 2003 por uso não autorizado de veículo, entre outras queixas, e se declarou culpado da acusação de má conduta por posse de propriedade roubada e foi sentenciado a um período entre 30 dias e um ano de cadeia, em fevereiro de 2004, segundo uma autoridade.

As autoridades disseram que em sua declaração à polícia, Minucci disse que o confronto teve início quando Moore e seus amigos o encontraram em uma doceria italiana.

Em uma declaração por escrito, Minucci disse que "eu vi os garotos negros vindo pela rua e os escutei dizendo 'Olha aquele garotinho branco ali'", e que "um deles me empurrou contra a parede e outro segurou minha cabeça contra a parede, e então colocou uma chave de fenda no meu pescoço". Ele disse que eles pediram a corrente e o relógio que ele estava usando antes.

Ele alegou que os homens estavam assustados. Então, disse Minucci, ele voltou com amigos para enfrentar Moore e seus companheiros com um taco de beisebol. Minucci disse que Moore tropeçou e caiu enquanto fugia, batendo a cabeça. Ele acrescentou que ele apenas usou o taco para bater nas pernas de Moore para impedi-lo de fugir enquanto aguardava a polícia.

Na denúncia de Minucci na quinta-feira --na qual foi ordenada sua detenção sem fiança- sua advogada nomeada pelo tribunal, Lori Zeno, repetiu as declarações de Minucci de que o confronto começou como um roubo.

"Quando eles viram meu cliente parado ao lado de seu carro de US$ 60 mil", disse Zeno, se referindo ao Cadillac Escalade de Minucci, "eles decidiram pressionar uma chave de fenda no pescoço dele para tentar roubá-lo".

Mas Kelly disse que acredita que Minucci "inventou a história", e outro policial disse que ele prestou relatos conflitantes, primeiro dizendo que estava dormindo na hora do ataque e que não tinha idéia do que os detetives estavam falando quando lhe perguntara a respeito.

Os médicos disseram que a condição de Moore também sugere que ele foi atacado. Na tarde de quinta-feira, Moore estava no Jamaica Hospital, com um ferimento no osso afetando sua audição.

"Isto é consistente com um ferimento provocado por taco de beisebol, não com uma queda no pavimento", disse o dr. Geoffrey Doughlin, diretor de medicina de emergência do hospital.

Ench, que a polícia disse que acompanhou Minucci enquanto ele atacava Moore e ajudou a roubar alguns dos pertences deste --um tênis Air Jordan e uma sacola de compras que ele disse conter sapatos Prada-- foi condenado por conduta desordeira no início deste ano.

Paul J. Browne, um vice-comissário de polícia, disse que a polícia recuperou um martelo, prego e um alicate na cena do crime, mas "não havia nenhuma chave de fenda".

Minucci estava sob condicional no momento do ataque por uma acusação de agressão, disse uma autoridade. Entre as condições de sua condicional, disse esta pessoa, estava fazer terapia de controle de raiva.

Pope reconheceu seu próprio histórico criminal, que inclui condenações por agressão e posse de drogas, mas disse que não fez nada de errado na quarta-feira. Ele negou a sugestão de Minucci de que tentaram roubar sua corrente. Dois homens brancos são detidos por ataque a negro no Queens George El Khouri Andolfato

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