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01/07/2005

O estranho telefone inteligente amadurece

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia
E agora, mais um episódio da longa novela dos pequenos aparelhos eletrônicos, "A Volta do Palm". Nos capítulos anteriores de "AVP", na Primeira Temporada (1996), a Palm Computing desenvolveu com grande sucesso a agenda Pilot.

A empresa foi engolida pela U.S. Robotics, que por sua vez foi comida pela 3Com. Frustrados, os fundadores da Palm demitiram-se e fundaram a rival Handspring. A 3Com então reabriu a Palm, e ela se dividiu em duas companhias, PalmOne (hardware) e PalmSource (software). Então a PalmOne adquiriu a sofrida Handspring.

No mais recente episódio da série, a PalmOne comprou de volta o nome Palm da PalmSource, que está em dificuldades e cujo futuro é duvidoso. Até o final do ano, a PalmOne será novamente chamada Palm, fazendo-nos pensar se tudo não passou de um sonho de nove anos.

Mas se você acompanhar de perto no DVD as Temporadas de 6 a 9, verá um pequeno personagem gradualmente chegar à proeminência: o telefone inteligente Treo, introduzido pela Handspring em 2002.

Desde o início, o nome refletia o objetivo triplo do produto: combinar uma agenda, um telefone celular e um terminal de bolso de Internet, com o mínimo de concessões possível. Mais de 1,7 milhões foram vendidos.

Deixando para trás a série de casamentos e divórcios -ao menos por enquanto- a Palm compreendeu que o Treo é seu futuro. Com o esfriamento do mercado de agendas eletrônicas, a Palm anunciou que está "mudando sua ênfase para o espaço do telefone inteligente".

O mais recente modelo, o Treo 650, debutou em novembro. Ele foi elogiado pela maior parte dos críticos, mas nem todos ficaram animados. Um dos problemas foi que o modelo só era disponível na Sprint e, mais tarde, na Cingular; os 40 milhões de clientes da Verizon ficaram com o velho Treo 600.

Outro problema foi que o 650 deveria oferecer a tecnologia sem fio Bluetooth, que permite que o telefone celular sirva de modem sem fio para o laptop. Mas a Sprint e a Cingular eliminaram essa função do Bluetooth.

Por fim, houve um problema com a memória do Treo. É um tipo especial que não apaga todos os dados quando a bateria do Treo morre (diferentemente dos Palms anteriores), o que é bom. Infelizmente, o novo formato de memória teve um efeito colateral.

Cada pedacinho de informação assumiu uma enorme quantidade de espaço de armazenagem. Um caderno de endereço de 80 kilobytes podia tomar até 334 kilobytes no Treo 650. Muitos que passaram do Treo 600 para o 650 descobriram que seus programas e dados não mais cabiam.

Deve ser final de temporada porque, nas últimas semanas, essas três questões se resolveram. Em maio, finalmente a Verizon passou a oferecer seu próprio Treo 650 (por US$ 400, ou cerca de R$ 1.000, com um compromisso de dois anos). Depois, há duas semanas, a Sprint lançou um programa que libera o uso do Bluetooth nos laptops.

Finalmente, a Palm resolveu o problema de memória. O novo software, instalado em todos os Treos atuais (inclusive o da Verizon), reduz o tamanho de cada entrada no livro de endereços de 512 bytes para 32, tornando os 23 megabytes de memória do telefone muito mais eficientes e emocionando a Splerg (Sociedade de Pessoas com Livros de Endereço Realmente Grandes).

Se você tiver um Treo mais velho da Sprint (ou um Treo "destrancado" --que pode ser usado com qualquer operadora GSM), você pode baixar um atualizador da palm.com; os Treos da Cingular terão atualizador similar.

Então agora o Treo 650, que já foi um adolescente rústico, está crescido e queimando em todos os cilindros. Como ele se sai diante de seus rivais mais jovens e agressivos?

Puramente em termos de sua lista de funções, o Treo não é mais o que há de mais moderno. Não tem rede Wi-Fi sem fio, então você não pode entrar na Internet em pontos quentes de aeroportos e cafés. Nem tem a velocidade on-line da rede de acesso de banda larga da Verizon, como faz o caro Samsung i730.

A câmera digital do Treo tira fotos melhores que seu predecessor, mas são ridículas para os padrões atuais. Com 0,3 megapixels, elas têm resolução suficiente para a tela, mas não para impressão.

O Bluetooth do Treo ainda não é totalmente aproveitado, tampouco. Ele se comunica com os fones de ouvido sem fio e pode sincronizar dados com um Mac ou PC.

Mas a Cingular e a Verizon ainda não deixam usar o telefone como um modem sem fio para laptops e o Treo ainda não se comunica com os sistemas de áudio Bluetooth de alguns modelos de carros recentes, inclusive o Toyota Prius.

Alguns consumidores, porém, estão começando a compreender que há mais na vida do que uma lista enorme de funções. (Veja o BlackBerry, rival do Treo. Não tem câmera, Wi-Fi, nem Bluetooth, mas isso não impediu que 3 milhões de pessoas no mundo todo o adotassem.)

Acontece que o Treo 650 faz sucesso por algo que não aparece em nenhuma lista de funções: a beleza e qualidade do design. A dedicação e o cuidado no design desse aparelho envergonham quase todos outros telefones inteligentes.

Pode-se argumentar, por exemplo, que as funções principais de telefone celular, como bateria, qualidade do som e simplicidade facilmente vencem funções como Wi-Fi e fotografias de alta-resolução. Com certeza, a bateria removível do Trio permite cinco horas de uso e incríveis 12 dias em standby. O som é excelente e tem até um viva-voz.

O Treo também tem ótima aparência; seu corpo sólido e suave se encaixa confortavelmente na mão. É muito mais compacto que o BlackBerry, então as pessoas não vão pensar que você está falando com um bolo de chocolate.

A tela linda a cores de 320 por 320 pixels tem maior resolução que a maior parte das rivais. Isso significa textos e gráficos super claros.

Também é uma tela sensível ao toque --tem uma canetinha atrás do telefone-- que é útil se você instalar qualquer um dos milhares de programas compatíveis da Palm disponíveis online.

Você não precisa a canetinha, porém, quando opera com o software do Treo; tudo foi belamente programado para que as operações requeiram apenas uma das mãos, outra característica realmente boa em um telefone.

É difícil imaginar escrever muito com o teclado minúsculo do Treo, feito para o polegar; as teclas são do tamanho de um TicTac parcialmente dissolvido. Mas ele surpreende.

As teclas se acendem, são bem colocadas e arredondadas, para minimizar a dupla pressão por polegares gordos. O software também ajuda de toda forma possível, terminando frases, inserindo apóstrofes e trocando o modo de numeral para alfabético quando se disca ou digita.

O 650 tem um programa para acesso a Web razoavelmente veloz e, no que concerne o correio eletrônico, praticamente derruba o BlackBerry.

As corporações podem comprar programas que entregam o e-mail aos usuários, ou seja, seu Treo recebe as mensagens quando chegam ao provedor, em vez de o usuário ser obrigado a checar a conta em intervalos regulares. Esses programas também oferecem sincronia: ou seja, quando você exclui ou arquiva uma mensagem no telefone, ela é instantaneamente excluída ou arquivada em seu computador no trabalho.

Se o seu nome não termina em Inc., você tem outras opções. Pode programar o Treo para verificar sua conta de e-mail a cada 15 minutos, por exemplo, ou pode contratar serviços da Verizon, Sprint, Visto ou Yahoo que oferecem variações sobre o mesmo tema de sincronia sem fio. Dessa forma, você tem toda a alegria de ter um BlackBerry corporativo sem ter um BlackBerry nem uma corporação.

O brilho do Treo, porém, está nos pequenos detalhes de projetistas obsessivos compulsivos. Por exemplo, ele oferece ao usuário acrescentar o número recém discado ao livro de endereços para que esteja facilmente disponível.

Ele também permite a escolha de toques diferentes para cada pessoa que liga e pode até gravar novos toques próprios (o de seu marido pode ser: "Querida, sou eu!").

Você pode procurar um número em um livro de endereços de mil nomes simplesmente digitando as iniciais da pessoa -e, depois, discar com apenas um toque. E a tecla para colocar o telefone em modo silencioso é tão brilhante e útil que deveria se tornar obrigatória.

O Treo não é inteiramente livre de concessões; algumas pessoas talvez considerem o teclado de 5 cm, por exemplo, como a própria definição do termo concessão. Mas é seguro dizer que o Treo 650 chega mais perto de seu objetivo de "não ter concessões" do que qualquer outro.

Será que o próximo Treo vai oferecer conexões de Internet de banda larga? Será que roubará mercado do BlackBerry? Será que a Palm vai encontrar formas mais convolutas de se dividir, fundir, separar e reformar?

Fique ligado. Este programa terá outra temporada. Deborah Weinberg

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