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05/07/2005

Deep Impact acerta o alvo e colide com cometa

The New York Times
Warren E. Leary

Em Washington
Se fosse possível ouvir sons no espaço, esse teria sido um grande estrondo. O projétil da sonda Deep Impact (Impacto Profundo) da Nasa se chocou com um cometa no início desta segunda-feira (4/7) com tal força que a explosão resultante, composta de fragmentos de gelo, atordoou os cientistas devido ao seu tamanho e fulgurância.

Nasa via The New York Times 
Impacto da colisão entre projétil e cometa Tempel 1 provoca um clarão no espaço
Com a unidade que é a nave-mãe da sonda observando a cena a uma distância segura, um projétil de 370 quilogramas feito de cobre se chocou com o núcleo do cometa Tempel 1 a uma velocidade de 37.000 km/h, lançando uma brilhante chuva de fragmentos ao espaço.

"O impacto foi espetacular", disse Michael A'Hearn, da Universidade de Maryland, o principal cientista do projeto. "Foi muito mais brilhante do que eu esperava".

Culminando uma jornada de seis meses até um ponto a 133 milhões de quilômetros da Terra, o projétil se lançou a um ponto iluminado pelo sol próximo à base do cometa alongado, contra o qual colidiu à 1h52 (horário da costa leste dos EUA) com uma energia equivalente a de 4,5 toneladas de dinamite.

"Tocamos um cometa, e o tocamos energicamente", disse Peter H. Schultz, da Universidade Brown, um outro participante do projeto, em uma das duas entrevistas coletivas à imprensa concedidas no Laboratório de Jato Propulsão da Nasa, em Pasadena, Califórnia, que controlou a missão.

O objetivo da missão de US$ 333 milhões foi realizar o estudo mais detalhado até hoje de um cometa, atingindo o pedaço de gelo e rocha do tamanho de uma montanha, e criando uma cratera a partir da qual seria ejetada uma parcela da substância primordial que compõe o seu núcleo.

O material, que foi analisado pelos instrumentos da nave-mãe, pode conter pistas sobre a formação do sistema solar há 4,5 bilhões de anos.

Dependendo da composição do cometa, os cientistas especularam que o impacto seria capaz de criar uma cratera tão grande quanto um estádio esportivo ou tão pequena quanto uma casa.

A'Hearn anunciou que a explosão foi tão brilhante que as imagens iniciais não revelaram o tamanho e a profundidade da cratera. Isso só será revelado em imagens posteriores gravadas pela nave-mãe quando tais imagens forem recebidas e processadas na Terra, disse ele.

A'Hearn disse que em algumas fotografias os cientistas viram uma forma ou sombra no local em que deveria estar a cratera. Mas eles só terão certeza do que se trata após uma semana a mais de processamento de imagens.

"Obviamente, foi um impacto muito grande", disse A'Hearn. Schultz disse que não quer adivinhar o tamanho da cratera. Mas acrescentou: "Não creio que seja do tamanho de uma casa. Acho que é maior do que isso".

Fotos seqüenciais do impacto parecem indicar uma explosão de dois estágios causada pela energia do projétil penetrante, disse Schultz. Primeiro, pôde-se ver um pequeno lampejo com a ejeção de uma nuvem de fragmentos em forma de guarda-chuva.

A seguir, houve um pequeno intervalo, seguido por um grande lampejo com o surgimento de uma extensa coluna vertical de poeira e outros materiais. Isso poderia indicar que o projétil penetrou de maneira relativamente profunda no cometa antes que a sua energia cinética liberasse uma explosão grande e luminosa, disseram os cientistas.

"No momento do impacto, os materiais envolvidos atingem temperaturas extremamente altas", disse Schultz. "Parte disso é vapor aquecido, e a outra parte é composta de gotas quentes e derretidas de poeira do interior da cratera. O material é tão brilhante que o seu efeito é como o do disparo de um flash fotográfico".

O impacto também foi observado por vários telescópios em observatórios terrestres, assim como pelos telescópios espaciais Hubble, Spitzer e Chandra, da Nasa, bem como por outros instrumentos em órbita.

Fotos do Hubble mostraram o Tempel 1 quatro vezes mais brilhante 15 minutos após a colisão, e o observatório XXM-Newton, da Agência Espacial Européia, detectou evidência de água no cometa.

Rick Grammier, o gerente da missão no Laboratório de Jato Propulsão, disse que o encontro ocorreu sem problema algum. A nave-mãe, equipada com câmeras telescópicas de alta e média resolução, monitorou com sucesso o impacto a uma distância de 8.500 quilômetros.

Ela também é equipada com um espectrômetro infravermelho, que analisa freqüências luminosas do material ejetado para identificá-lo. A sonda ressurgiu intacta após passar a 500 quilômetros do cometa enquanto se ocultava atrás de escudos que a protegeram da poeira e outras partículas liberadas pelo cometa.

"Temos uma nave-mãe saudável", disse Grammier. Após fazer observações finais e enviar para a Terra todos os dados coletados, a nave será parcialmente desligada e ficará "hibernando" no espaço, com a possibilidade de que possa ser ativada mais tarde para uma outra missão, explicou.

"É particularmente gratificante obter tal sucesso no Dia da Independência. Na verdade espero que isso tenha deixado os Estados Unidos orgulhosos", acrescentou Grammier.

Após a sua passagem mais próxima, a nave-mãe girou em torno do seu eixo e tirou mais fotografias do cometa que se distanciava. Uma imagem tirada a 27 mil quilômetros da parte posterior do cometa mostrou o lado negro do corpo celeste com silhuetas formadas pelo brilho intenso de jatos de poeira ejetados milhares de quilômetros no espaço pelo impacto.

O projétil, cujos sistemas funcionavam com a energia de uma bateria, se separou da nave-mãe 24 horas antes de colidir com o Tempel 1. Durante as duas últimas horas, o projétil utilizou um sistema autônomo de navegação para escolher um alvo no lado do cometa iluminado pelo sol, e fez três correções de curso antes de atingi-lo.

A sonda também tirou fotos cada vez mais detalhadas com a sua câmera telescópica à medida que o impacto se aproximava, obtendo a sua última imagem apenas 3,7 segundos antes da colisão.

As imagens finais obtidas pelo projétil, as melhores já conseguidas de um cometa, revelaram uma superfície lunar, com planícies achatadas, crateras circulares e uma borda longa e irregular. Algumas das últimas fotos pareciam mostrar o projétil se dirigindo para uma área entre duas crateras de 1,6 quilômetro de diâmetro na superfície altamente irregular.

Os cientistas estão interessados em cometas porque se acredita que eles sejam remanescentes de materiais que se formaram no sistema solar há 4,5 bilhões de anos.

Os astrônomos acham que os interiores dos cometas sofreram pouca alteração desde então, e que contém gelo, gases, poeira e outros materiais a partir dos quais o restante do sistema solar se formou.

Uma razão secundária para se analisar os cometas é que, assim como os asteróides rochosos, eles representam uma ameaça de danos cataclísmicos caso um dia atinjam a Terra.

A'Hearn diz que para uma potencial defesa planetária é necessário que se conheça mais sobre esses objetos e a sua composição, a fim de que se possa desviar ou destruir aqueles que sejam perigosos. Missão espacial vai produzir dados sobre a origem do sistema solar Danilo Fonseca

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