UOL Notícias Internacional
 

05/07/2005

Igreja cristã dos EUA declara apoio ao casamento entre pessoas de mesmo sexo

The New York Times
Shaila Dewan

Em Atlanta, Geórgia
A Igreja Unida de Cristo tornou-se a primeira grande organização cristã a oficialmente apoiar casamentos entre pessoas de mesmo sexo. Seu sínodo geral aprovou uma resolução nesta segunda-feira (4/7) afirmando os "direitos iguais de casamento para os casais, independentemente do gênero".

A resolução foi adotada como reação a um movimento para a criação de uma emenda na Constituição dos EUA para proibir o casamento gay. Foi tanto uma declaração teológica quanto um protesto contra a discriminação, disse o reverendo John H. Thomas, presidente e ministro geral da denominação, que tem 6.000 congregações e 1,3 milhão de membros.

"Neste dia 4 de julho, a Igreja Unida de Cristo agiu corajosamente e declarou a liberdade, afirmando a igualdade do casamento e afirmando os direitos civis de casais do mesmo sexo. Que seus relacionamentos sejam reconhecidos como casamento pelo Estado. Estimulamos nossas igrejas locais a celebrarem esses casamentos", disse Thomas, em uma conferência com a imprensa após a votação.

As decisões do sínodo não são obrigatórias e não exigem que os pastores oficiem casamentos gays. Alguns ministros da igreja, porém, já celebram essas cerimônias.

Apesar de a Igreja Unida de Cristo não ter tido as grandes cisões que outras denominações tiveram em torno da homossexualidade, algumas de suas igrejas disseram que tal decisão levá-las-ia a deixar a denominação.

Além disso, um grupo pediu a renúncia de Thomas quando ele demonstrou apoio à resolução. Uma emenda encaminhada e aceita pela assembléia acrescentou uma frase ao documento, admitindo a "dor e dificuldade" que a aprovação da resolução traria.

Mesmo assim, a resolução, submetida pela Conferência da Califórnia do Sul e Nevada, pareceu ter apoio da maioria presente. Os votos foram contados pelas mãos levantadas, depois de 45 minutos de debate.

"Todas as indicações eram nesse sentido. Ainda assim, ver o assunto entrar em pauta e ser processado de forma tão positiva foi transformador", disse Brice Thomas, 42, pastor da Igreja Unida de Cristo em Lebanon, Ohio, que é gay.

Alguns, como Harlan Hall, delegado de Wisconsin, apoiaram uma tentativa fracassada de mudar o texto da resolução para "relacionamentos compromissados" em vez de casamento legal.

"Como branco de mais de 30 anos e heterossexual capitalista, público que parece estar perdendo sua posição na igreja, mas que ainda pode votar, sou a favor dessa proposta --seria muito mais fácil de vender em casa".

Outro delegado, Gregory Morisse, que foi contra a emenda, disse: "Não são os 'relacionamentos compromissados' que estão sob ameaça constitucional."

Hector Lopez, ministro de uma pequena igreja de latinos na Califórnia do Sul, disse que inicialmente não se entusiasmou com o casamento gay, mas ele diz ter vivido uma "conversão apaixonada", depois de oficiar mais de uma dúzia dessas cerimônias no Oregon e ver o respeito e o compromisso dos casais.

Vários grupos religiosos permitem uniões entre pessoas do mesmo sexo, mas nenhum dá a elas o mesmo status do casamento, inclusive a Igreja Episcopal, com cerca de 2,3 milhões de membros, os luteranos evangélicos, com 5 milhões, e os judeus reformados, com 1,7 milhões.

"A palavra de hoje não é a última palavra da igreja sobre o casamento", disse Thomas. "É uma primeira palavra, crucial em uma discussão difícil, mas importante na igreja."

Vanguarda

Thomas disse que a igreja lutou para ter "diversidade sem divisão, união seu uniformidade". Ele disse: "Não vamos fugir uns dos outros porque, se fugirmos uns dos outros, fugiremos de Cristo."

Houve evidências de que a denominação poderia confortavelmente circundar a questão dos dissidentes, em parte porque o ambiente após a votação foi mais conciliatório do que triunfante.

A reverenda Barbara Headley, pastora em uma igreja predominantemente negra em Hartford, Connecticut, disse que votou contra a resolução e que muitos negros são mais "ortodoxos" em sua interpretação da Escritura.

"Alguns de nós vivemos com medo de afirmar o amor e relacionamentos para pessoas que não tiveram isso e que sentem que as evidências teológicas para isso não foram apresentadas", disse ela.

Headley estava com Beverly Deloatch, outra delegada negra de Connecticut, que disse: "Votei a favor, e concordo com tudo que ela está dizendo."

Jeanette Mott Oxford, que se descreveu como a primeira lésbica eleita para a Câmara dos Deputados de Missouri, disse que ficou satisfeita com o "testemunho bravo e profético", mas "muito preocupada com os irmãos e irmãs que podem se sentir magoados com isso."

A Igreja Unida de Cristo se vangloria de estar à frente em questões de direitos humanos. Em seu site da Web, a denominação diz que seus predecessores foram os primeiros a tomarem uma posição contra o escravagismo, em 1700, e que a igreja foi a primeira a ordenar uma mulher em 1853 e a primeira a publicar um hino com um texto inclusivo, em 1995.

Seu lema "Deus ainda fala" sugere que a Bíblia não é a única fonte de instrução divina e que a Escritura deve ser interpretada no contexto atual.

A resolução que afirma os direitos iguais de casamento diz que: "As idéias sobre o casamento mudaram dramaticamente durante a história, e tal mudança continua até hoje".

E continua: "No Evangelho, encontramos base para uma definição de casamento e relações familiares baseadas na afirmação da plena humanidade de cada parceiro, vivida com cuidado e respeito mútuo."

No ano passado, duas grandes redes de televisão recusaram-se a transmitir um comercial da Igreja Unida de Cristo que mostrava dois seguranças na frente de uma igreja, impedindo algumas pessoas de entrar, inclusive homossexuais e não brancos. "Jesus não negou ninguém", dizia o texto. "Nós também não." A organização religiosa é pioneira na inclusão de grupos sociais Deborah Weinberg

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